Movimento “A pão e água” manifesta-se em frente ao Parlamento na próxima quarta-feira

Empresários da restauração voltam a manifestar-se em Lisboa. Movimento diz que vão chegar 40 autocarros de todo o país. O dia escolhido tem um “simbolismo acrescido que se trata do dia limite para o pagamento de impostos ao estado, numa altura de claro desespero e incerteza” para empresários e trabalhadores, diz o movimento.

Depois da manifestação no Rossio no dia 14 de novembro, os empresários de restauração voltam a  manifestar-se na capital, desta vez em frente à Assembleia da República na próxima quarta-feira, 25 de novembro, pelas 15h30.

Os manifestantes exigem a “adoção imediata do conjunto de medidas já apresentadas anteriormente, entre as quais a atribuição de apoios a fundo perdido, aos restaurantes, bares, discotecas, organizadores de eventos, músicos, atores, produtores, entre outros, pela redução de horário, bem como, a todos os seus fornecedores diretos e indiretos”.

“São esperados em Lisboa, até ao momento, mais de 40 autocarros provenientes de todos os pontos do país”, pode-se ler no comunicado hoje divulgado.

Tal como as manifestações anteriores em Lisboa – que contou com a participação do mediático chef e empresário de restauração Ljubomir Stanisic – e no Porto – esta a 13 de novembro onde houve confrontos entre manifestantes e polícias – e noutros pontos do país, esta concentração vai reunir “profissionais de vários setores de atividade, tais como comércio, cultura, hotelaria, restauração e respetivos fornecedores”.

O dia escolhido tem um “simbolismo acrescido, uma vez que se trata do dia limite para o pagamento de impostos ao estado, numa altura de claro desespero e incerteza em que os empresários e colaboradores de vários setores se encontram”.

“O movimento “Sobreviver a Pão e Água” considera que a atual situação atingiu o limite da sobrevivência dos negócios e dos postos de trabalho, após vários meses de encargos, sem perspetivas de futuro, sem apoios e sem diálogo”, pode-se ler no documento.

O movimento garante que é “apolítico, de âmbito nacional, positivo e aberto a todos os que estão a sofrer com medidas desmedidas, desproporcionais e injustas, e que de variadíssimas formas estão a ser fortemente afetados pela situação atual, em virtude do regime do novo estado de emergência”.

Para terminar, o “a pão e água” apela ainda ao “respeito pela segurança e à boa conduta de todos aqueles que se pretendem juntar ao protesto, pedindo que se façam ouvir de forma ordeira, pacífica e em respeito pela lei”.

Devido ao facto do movimento ser “apolítico”, um dos organizadores da manifestação de sábado em Lisboa criticou o deputado André Ventura do Chega por ter aparecido no Rossio.

“Meu caro André Ventura, é triste ver um político, à parte da ideologia ou cor, a tentar tirar proveito de uma luta para a qual não foi chamado. Não queremos o seu apoio ou de qualquer partido”, escreveu José Gouveia nas redes sociais.

A manifestação de 14 de novembro também ficou marcada por ameaças de vários manifestantes a jornalistas presentes no evento. O Sindicato de Jornalistas aponta o dedos a “negacionistas” que se terão juntado a esta manifestação depois de se terem concentrado no Marquês do Pombal e descerem a Avenida da Liberdade até ao Rossio.

Questionado pelo Jornal Económico sobre quais as diligências feitas pela PSP no sentido de proceder à identificação dos manifestantes que ameaçaram jornalistas de vários meios de comunicação social, o ministério da Administração Interna não respondeu às perguntas colocadas.

Entretanto, o  Sindicato dos Jornalista (SJ) apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR) pelas ameaças aos profissionais presentes na concentração no Rossio no passado sábado.

A presidente do SJ , Sofia Branco, defendeu também que as direções destes órgãos de comunicação social “não devem deixar passar em claro” estas ameaças e apela a que apresentem queixa nas autoridades.

“Isto é inadmissível e preocupa-nos porque achamos que vai subir de tom. Há um ambiente criado e que é muito apontado aos jornalistas. Isto merece uma resposta mais consistente e em bloco” por parte das direções dos órgãos de comunicação social, disse a líder do SJ ao JE a 16 de novembro.

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