‘Mr. Costa’ em destaque no Financial Times: Portugal é esperança da Europa em clima de instabilidade

“O sagaz Mr. Costa beneficiou do legado de duras ações de centro-direita”, embora se tenha apresentado como anti-austeridade e de as suas políticas terem sido apelidadas de ‘austeridade-light’.

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A instabilidade que se vive nos maiores países europeus parece contrastar com a visão de Portugal no mundo, garante o editorial do jornal britânico ‘Financial Times’, no passado domingo, 25 de agosto.

“Um pouco de esperança vem de um trimestre incomum”, lê-se no início do elogio a Portugal, que salienta a melhoria da perspetiva da agência de rating Moody’s. O sucesso do país “deriva de boas escolhas políticas e de uma boa dose de sorte”, classifica a publicação.

“O primeiro-ministro António Costa ainda tem muito a fazer num país onde a dívida pública continua acima de 100% do PIB”, sustenta o editorial, embora garanta que o político português tem razões para ser mais otimista que os seus congéneres europeus.

A geringonça portuguesa é também aplaudida pelo jornal, contrastando com a aliança de Itália, sendo que esta, desde 2015, “permaneceu estável e funcional, o que presidiu um aumento geral nas fortunas de Portugal”. O Financial Times aponta que os resultados de Costa se viram pelo aumento do salário no setor público, que voltou aos níveis pré-crise, o desemprego que se fixou em 6,7%, sendo que em Espanha está em 14%, e “a baixa taxa de criminalidade e a atmosfera acolhedora de Portugal têm sido uma bênção”.

Ainda assim, o editorial defende que o mérito não é apenas da geringonça, já que muito se deveu à recuperação global e ao boom turístico internacional. O Financial Times elogia ainda o “difícil mas necessário trabalho do anterior governo de centro-direita” pelo programa de austeridade entre 2011 e 2014, em troca de 78 mil milhões de euros do BCE, Comissão Europeia e FMI.

“A medida ajudou a reduzir o défice orçamentário e a reforma do setor público. Também empurrou o país para a pior recessão em quase quatro décadas, provocando um êxodo em massa de trabalhadores”, afirma o editorial.

“O sagaz Mr. Costa beneficiou do legado de duras ações de centro-direita”, embora se tenha apresentado como anti-austeridade e de as suas políticas terem sido apelidadas de ‘austeridade-light’.

Ainda assim, nem tudo são elogios no editorial do Financial Times, uma vez que os funcionários do Estado protestam contra as perdas durante a crise da zona euro e a greve dos motoristas que durou sete dias esteve em destaque na imprensa internacional.

A publicação britânica mostrou-se confiante numa reeleição por parte do primeiro-ministro “à frente de uma coligação de esquerda, ou potencialmente até ganhe com a maioria absoluta”. Ainda assim, garante que “o primeiro-ministro deve realizar reformas mais profundas da administração pública desatualizada do país”, existindo ainda trabalho a realizar no setor bancário ainda que a estabilidade “tenha melhorado nos últimos anos”.

“À medida que as nuvens de tempestade se juntam à economia mundial, Portugal deve ter uma visão mais clara da sua futura orientação e estratégias económicas”, termina o editorial do Financial Times.

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