“Não esperem pela imposição dos reguladores”. CEO da BlackRock incita empresas a divulgarem informação sobre sustentabilidade

Na carta anual de 2021, Larry Fink, presidente executivo e ‘chairman’ da BlackRock, apelou aos diretores das empresas a começarem imediatamente a divulgar informação sobre objetivos sustentáveis. “Pedimos que as companhias divulguem um plano sobre como é que os seus modelos de negócios vão ser compatíveis com uma economia com zero emissões de CO2”, escreveu.

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O presidente executivo e chairmand da BalckRock lançou este ano um apelo a todos os CEO a que passassem a divulgar como é que os seus planos de negócios de longo-prazo estão alinhados com a prossecução de uma economia com zero emissões de CO2.

Na carta anual de 2021 enviada a presidentes executivos de empresas e a clientes, Larry Fink, CEO da maior gestora de ativos do mundo, que tem ativos sob gestão avaliados em 8,6 biliões de dólares, voltou, pelo segundo consecutivo, a abordar a importância do tema da sustentabilidade, depois de, na carta de anual de 2020, ter anunciado que iria fazer da sustentabilidade o ‘standard’ do investimento da companhia e de ter afirmado que “as alterações climáticas vão forçar uma realocação significativa do capital“.

“Tendo a conta o papel crucial que a transição energética vai ter nas perspetivas de crescimento de todas as empresas, pedimos que as companhias divulguem um plano sobre como é que os seus modelos de negócios vão ser compatíveis com uma economia com zero emissões de CO2 — isto é, uma economia em que o aquecimento global está limitado abaixo dos 2ºC, de forma consistente com o objetivo mundial de alcançar zero emissões de gases com efeito de estufa até 2050”, lê-se na carta deste ano.

Larry Fink realçou ainda que a BlackRock “apoia fortemente” a adopção “única e global” de critérios de divulgação, porque “a melhor divulgação sobre sustentabilidade é tanto do interesse das empresas como dos interesses dos acionistas”.

“Incito que as empresas passem a divulgar rapidamente [informação sobre sustentabilidade] em vez de esperar por uma imposição dos reguladores”, salientou o CEO da BlackRock.

O presidente executivo da maior gestora de ativos do mundo frisou ainda que as empresas com uma estratégia de longo prazo bem articulada e “um plano claro para abordar a transição” para uma economia sem emissões de CO2 vão distinguir-se. E, ao contrário, as empresas não se não se preparem rapidamente para esta transição energética e da economia vão “sofrer” quedas nos seus negócios e nas suas valorizações “à medida que os stakeholder perdem confiança nelas”

Larry Fink procurou demonstrar que uma estratégia de negócio assente em preocupações sustentáveis é compatível com retornos. “Ao longo de 2020, vimos como as empresas com propósito e com melhores perfis de ESG tiveram um melhor desempenho que os seus pares. Em 2020, 81% dos índices sustentáveis tiveram um desempenho melhor que o benchmark”, disse.

O CEO da BlackRock diz estar — e ser — “otimista” em relação ao “futuro do capitalismo”, mas alerta que “temos de nos mexer ainda mais rapidamente para criar mais postos de trabalho, mais prosperidade e mais inclusão. Tenho muita confiança na capacidade das empresas em tirar-nos desta crise e criar um capitalismo mais inclusivo”, vincou.

“Alterações climáticas vão forçar uma realocação significativa do capital”, diz CEO da BlackRock

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