Não está fácil

Cafôfo mal tem aparecido na campanha funchalense. O que não deixa de ser estranho, dado que nos últimos 8 anos ele foi o presidente desta autarquia durante 5 anos e meio. É também o seu trabalho que é escrutinado. Achará que não é uma boa ajuda para a coligação que ajudou a fundar?

Eu imagino que as duas ou três pessoas que leem os artigos que rabisco neste jornal tenham algumas saudades de dissertações minhas acerca de Paulo Cafôfo. Mas dado que este se remeteu à irrelevância política, e uma vez que nada tenho de pessoal contra ele, aliás até me parece alguém agradável no trato, nunca mais me pareceu pertinente gastar o meu, e o vosso, tempo com o assunto. Todavia a campanha para as autárquicas deste ano introduziu um elemento que me parece relevante e de que vale a pena me debruçar.

Estará a passar despercebido para a maioria das pessoas, mas o líder do PS regional está a aproveitar esta altura de eleições para empreender uma grande campanha publicitária… a si próprio, e não aos candidatos do seu partido, aos quem deveria apoiar neste momento. E alguns deles bem precisam. Têm-se sucedido as iniciativas políticas do ex-presidente da Câmara do Funchal como nunca o tinha feito desde que perdeu as regionais em 2019, fazendo os eleitores questionarem-se se os candidatos às 11 câmaras da Madeira são aqueles que aparecem nos cartazes socialistas, ou se é, apenas e só, Paulo Cafôfo o candidato para todos os concelhos. Tendo semelhanças com a frequência com que Alberto João Jardim aparecia nas campanhas autárquicas de todos os concelhos, no tempo em que era presidente do governo regional, pode dizer-se, contudo, que a presença de Cafôfo nestas autárquicas é antítese do que fazia o histórico social-democrata. Enquanto Jardim monopolizava as campanhas em cada um dos concelhos para puxar para cima os seus candidatos, uma vez que o povo voltava no Alberto João independentemente de qual era a eleição em causa, Cafôfo tenta aproveitar-se de alguma notoriedade que os seus candidatos têm para recuperar o prestígio e popularidade perdidos. Há contudo duas excepções. E que são significativas, merecendo uma apreciação política.

Cafôfo mal tem aparecido na campanha funchalense. O que não deixa de ser estranho, dado que nos últimos 8 anos ele foi o presidente desta autarquia durante 5 anos e meio. É também o seu trabalho que é escrutinado. Achará que não é uma boa ajuda para a coligação que ajudou a fundar? Ou terá receio de outra coisa. O mesmo acontece com o seu sucessor, e presidente nos últimos 2 anos e meio. Parece querer que os funchalenses se esqueçam que foi desde 2014 o braço esquerdo de Cafôfo (o direito era Iglésias, obviamente), que esteve com ele em todas as decisões, e que foi seu vice-presidente já com o fito de o suceder, pois a golpada no PS estava montada.

“Golpada” remete-nos para o outro concelho em que Cafôfo parece um clandestino: o Porto Moniz. Isto porque foi Emanuel que se dispôs a dar  a cara pelo golpe de ser ele o presidente formal dos socialistas , mas com Cafôfo e Iglésias a mandar, de facto! Algo que o edil nortenho já deve ter-se arrependido incontáveis vezes, com direito a “Ave Marias” e “Pais Nossos”. Assistimos assim ao anedótico de Cafôfo passar pelo concelho , supostamente em campanha, mas tendo-se ficado pelo Seixal e pelo decano Duarte Caldeira (pai), ignorando e sendo ignorado pelo candidato a quem deveria estar a apoiar.

Cafôfo de resto joga tudo nesta eleição. Não ganhar o Porto Santo, é mau. Perder a Ponta do Sol é catastrófico, pois ali ninguém lhe faz sombra (por enquanto), e pode capitalizar a vitória. Já perder o Funchal implica a porta da saída. Mas uma vitória folgada do actual presidente também não é bom para si, pois significaria um adversário óbvio a seu lugar, com armas que Cafôfo já teve e já não tem, que são facultadas por quem gere a maior autarquia do Funchal e 100 milhões de orçamento, e arriscaria a que lhe fizessem o mesmo que ele fez a Carlos Pereira.

Como diz o povo, “Não está fácil”!

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