“Não morremos porque não calhou. Ficámos sem nada”. Sete portugueses repatriados de Moçambique já aterraram em Lisboa

O ciclone Idai afetou um total de 2,8 milhões de pessoas em Moçambique, Maláui e no Zimbabué. Só no país lusófono foram afetadas 531 mil pessoas, com 446 mortos registados.

Os sete portugueses repatriados de Moçambique aterraram em Lisboa na madrugada desta segunda-feira. Os portugueses foram repatriados após a devastação causada pelo ciclone Idai, que vitimou 446 mortos em Moçambique.

“Não morremos porque não calhou”, disse Maria Lopes à chegada à Lisboa. “A solução foi vir embora para aqui, para o nosso país. Ficámos sem nada”, afirmou uma das portuguesas que chegou de Moçambique citada pelo Jornal de Notícias.

“Não dá para contar. Árvores inteiras a cair em cima dos telhados. Mas árvores centenárias, que partem logo uma casa, se for preciso”, contou a portuguesa, que aterrou com o seu marido e um neto de 15 anos.

“Vocês não imaginam o vento que foi. Começou a chover. Depois, durante a noite, até à meia-noite, [foi] muito agressivo e parecia que aquilo ia abrandar. O vento virou ao contrário, era só levantar tudo, telhados, tudo”, relatou Maria Lopes, dando conta que deixou para trás um filho, a nora e a uma “netinha”, segundo o JN.

O ciclone Idai afetou um total de 2,8 milhões de pessoas em Moçambique, Maláui e no Zimbabué. Só no país lusófono foram afetadas 531 mil pessoas.

Uma das cidades mais atingidas foi a da Beira, localizada no centro litoral do país. Na sequência do ciclone, uma área com cerca de 1.300 quilómetros quadrados ficou totalmente inundada.

Portugal já enviou vários operacionais para esta cidade. No dia 20, aterrou um avião C130 na Beira com 35 militares a bordo, uma equipa cinotécnica da GNR, mais botes e uma equipa de fuzileiros que já estiveram na mesma região em 2000 após as cheias daquele ano.

Já no dia 23 de março aterrou na Beira um segundo C130 com ajuda portuguesa, transportando uma equipa avançada de peritos da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), elementos da Força Especial de Bombeiros, da Guarda Nacional Republicana (GIPS e binómios de busca e socorro), do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da EDP.

Depois da tragédia, as autoridades agora temem surtos de cólera e de sarampo.

Inicialmente, cerca de 30 portugueses foram dados como desaparecidos, mas

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