Negacionistas. Ministério Público abre investigação a insultos a Ferro Rodrigues

A segunda figura mais alta do Estado português foi alvo de uma espera por dezenas de negacionistas. Depois, insultaram-no e perseguiram-no até entrar no carro.

Miguel A. Lopes/Lusa

O Ministério Público vai abrir investigação aos insultos feitos por dezenas de negacionistas ao presidente da Assembleia da República.

“Confirma-se a instauração de inquérito que teve origem na participação dos factos por parte da PSP. O mesmo corre termos no DIAP de Lisboa”, disse fonte oficial da Procuradoria-Geral da República ao Jornal Económico.

A abertura de investigação acontece depois de a Polícia de Segurança Pública (PSP) ter hoje anunciado que iria comunicar os insultos de negacionistas ao presidente da Assembleia da República durante o fim de semana em Lisboa. “Não existe qualquer denúncia, contudo os factos serão participados ao Ministério Público”, disse ao JE fonte oficial do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.

Recorde-se que a segunda figura mais alta do Estado português foi insultada no sábado, 11 de setembro, por um grupo de negacionistas Covid-19.

Eduardo Ferro Rodrigues encontrava-se a almoçar num restaurante junto à Assembleia da República quando foi detetado por manifestantes que estavam concentrados em frente ao Parlamento, segundo os vários vídeos que andam a ser partilhados, conforme revelado em primeira mão pelo Jornal Económico.

Várias palavras de ordem são gritadas pelos manifestantes visando Ferro Rodrigues: “Este restaurante está marcado, nunca mais nenhum cliente deste restaurante vai ter paz”; “assassino”; “não toca na Constituição”; “ditadura, não; liberdade, sim”; “revisão, não. liberdade, sim”; “mete o certificado [digital] no c*”; “filho da p**a”.

Nas imagens, é possível ver o político de 71 anos a almoçar enquanto várias pessoas, em frente à janela onde se encontra, insultam-nos por diversas vezes. A dado momento, começam a chegar à porta do restaurante mais manifestantes vindo da Assembleia da República. Foi por esta altura que Ferro Rodrigues terminou o seu almoço e se dirige para a saída.

Cá fora, dezenas de manifestantes estão à sua espera; à medida que vai se dirigindo para o carro são ouvidos vários insultos ao presidente do Parlamento, como se pode ver nos vídeos abaixo.

Mais tarde, ao final do dia, este grupo de manifestantes dirigiu-se à sede do Partido Social Democrata (PSD) na zona da Lapa onde estiveram reunidos em frente ao edifício. “Não envenenem os nossos filhos”, pode-se ler num dos cartazes.

Para este sábado à tarde estava convocada a manifestação “Pelas nossas crianças – Rumo à Liberdade” em frente à Assembleia da República. Num dos vídeos divulgados, na manifestação em frente à Assembleia da República várias pessoas, incluindo crianças, atiraram máscaras para uma fogueira. Durante esta ação de protesto, também discursou o fundador da Associação Médica Internacional (AMI) e ex-deputado do PSD, o médico Fernando Nobre.

Por sua vez, o assessor de Ferro Rodrigues disse que “não houve qualquer acontecimento grave”.

Recorde-se que Ferro Rodrigues já foi alvo de insultos por parte do juiz negacionista Rui Fonseca e Castro que chegou a sugerir que o político “deveria tirar a sua própria vida”. Em reação, o presidente do Parlamento disse no final de julho que “levou já ao conhecimento do Conselho Superior da Magistratura, através do seu Presidente e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para os devidos efeitos, o vídeo atentatório da sua honra que o Juiz Rui Fonseca e Castro publicou no seu canal no Youtube, salientando a gravidade das declarações contidas no referido vídeo, que, além do mais, se afigura constituírem um crime público”.

Em vários vídeos, captados à porta do restaurante onde se encontrava Ferro Rodrigues, surge Ana Desirat a gritar palavras de ordem num megafone; esta uma das organizadoras dos protestos em Odivelas em meados de agosto quando o vice-almirante Gouveia e Melo, líder da ‘task force’ foi insultado. Recorde-se que depois de ter sido insultado a 14 de agosto, o coordenador da ‘task force’ passou a ter proteção do corpo de segurança pessoal da Unidade Especial da PSP.

Em declarações à “agência Lusa” a 8 de setembro – num protesto frente ao Parlamento contra o processo de vacinação Covid-19 e eventuais alterações à Constituição portuguesa -, Ana Desirat disse que o atual processo de vacinação é uma “experiência”.

Na ocasião, qualificou o certificado digital como “uma imposição de um estado totalitário, que divide os cidadãos entre vacinados e não vacinados”.

“Ainda para mais, começam a surgir as primeiras informações de que a injeção não protege absolutamente de nada, as pessoas podem contrair o vírus da mesma forma. É uma ditadura mundial, os povos têm de lutar”, afirmou Ana Desirat na quarta-feira, citada pela “Lusa”. Na altura, Ana Desirat disse que os mortos devido à Covid-19 são “meramente especulativos”.

 

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