Nem todos os empresários concordam com excedente orçamental, estima consultora

No seu Barómetro de fevereiro, a consultora Kaizen refere que 35% do seu painel refere que o excedente orçamental devia ser sacrificado em favor do investimento em infraestruturas e no aumento dos benefícios fiscais.

Cristina Bernardo

A maioria dos empresários inquiridos pelo Barómetro Kaizen (65%) concorda com a prioridade atribuída pelo Governo à obtenção de um excedente orçamental em 2020, mas entre os 35% que não estão a favor da persistência neste objetivo, “41% defende que a meta do excedente orçamental deveria ser secundarizada em prol do aumento do investimento em infraestruturas e serviços que permitam tornar o país mais competitivo, e 29% entende que era mais importante reduzir os encargos e aumentar os benefícios fiscais para os contribuintes”.

Os resultados da edição de fevereiro do estudo, desenvolvido pelo Kaizen Institute em Portugal, “mostram que os gestores se encontram divididos quanto ao impacto de um parlamento sem maioria absoluta. Se 54% considera que o executivo socialista governará com impasses sucessivos e ficará refém das exigências dos outros partidos, comprometendo as suas decisões sobre reformas estruturais para a economia e para o país, 42% acredita que o Governo vai trabalhar como até aqui, com o apoio dos mesmos partidos”.

No que respeita ao desempenho das empresas representadas pelo Barómetro Kaizen, 31% ficaram aquém das metas estabelecidas. Para 26% dos inquiridos, o processo de planeamento e implementação da estratégia da sua empresa ainda é “pouco robusto” e com uma “baixa taxa de concretização”.  Ainda assim, apenas 10% prevê uma tendência decrescente do EBITDA.

“Os resultados desta edição do Barómetro mostram que a confiança dos empresários em relação à economia nacional abrandou ligeiramente nos últimos seis meses – de 12,4 para 12, numa escala de 0 a 20 – e que, apesar de a percentagem dos que cumpriram ou ultrapassaram os seus objetivos de negócio ser elevada, há muitas empresas que ficaram aquém do que se propuseram. Na verdade, no contexto volátil em que hoje vivemos, mesmo as que cumpriram os seus objetivos devem manter-se atentas: apenas as que forem capazes de se antecipar, de otimizar os seus processos de forma proativa e contínua, conseguirão alcançar o sucesso”, realça António Costa, Senior Partner do Kaizen Institute Western Europe, citado em comunicado.

O serviço ao cliente (43%), o aumento da produtividade (35%), o aumento das vendas (34%) e a inovação (31%) foram os fatores internos que influenciaram mais positivamente os resultados das empresas, revela o estudo.

Em linha com os resultados do Barómetro Kaizen de setembro, o abrandamento da economia mundial e a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China mantêm-se entre os fatores externos que mais condicionaram a competitividade das empresas em 2019, para 65% e 29% dos inquiridos, respetivamente.

Por outro lado, mais de metade dos empresários (52%) prevê atingir em 2020 níveis de exportação semelhantes aos alcançados o ano passado, sendo que 20% estima superar esse valor em mais de 10%. Apenas 5% dos inquiridos considera que vai diminuir o ritmo de exportações relativamente a 2019.

O Barómetro Kaizen concluiu ainda que, para 66% dos gestores, o investimento em digitalização representou um impacto moderado nos resultados das suas empresas. De resto, apenas 13% dos inquiridos destacaram a digitalização entre os fatores internos com mais impacto positivo na sua performance.

No que diz respeito ao Pacto Ecológico Europeu (Green Deal), o estudo mostra que o tema já está na agenda dos líderes empresariais, sendo o uso de energias renováveis (58%) e a prática de uma economia circular (47%) as duas principais medidas que as organizações esperam implementar para cumprir com a meta de tornar a Europa no primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050.

O Barómetro Kaizen é um estudo de opinião desenvolvido semestralmente pelo Instituto Kaizen em Portugal junto de administradores e gestores de médias e grandes empresas que atuam no mercado português sobre a sua perspetiva quanto a temas de atualidade, à evolução da economia e do seu negócio, perspetivando tendências e desafios.

A edição de fevereiro do Barómetro Kaizen inquiriu mais de 200 gestores de empresas que representam, no seu conjunto, mais de 35% do PIB de Portugal.

O Kaizen Institute Consulting Group é uma empresa multinacional que fornece serviços de consultoria e formação ao tecido empresarial e instituições públicas em mais de 35 países. A empresa atua em diferentes setores de atividade, suportando as organizações e desafiando os líderes a melhorarem a sua rentabilidade e a fazerem crescer o seu volume de negócios. Fundado em 1985, na Suíça, está em Portugal, com escritórios no Porto e em Lisboa, desde 1999.

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