Nissan encerra a fábrica de Barcelona em dezembro

A histórica fábrica da Nissan na zona franca de Barcelona vai ser encerrada, implicando o despedimento de mais de três mil trabalhadores. Para Espanha, esta fábrica é um dos ícones do forte cluster automóvel do país vizinho, tendo arrastado problemas industriais durante um longo período – muito anteriores à crise da pandemia do novo coronavírus – que nunca chegaram a ser resolvidos.

Nissan

A histórica fábrica da Nissan na zona franca de Barcelona, juntamente com as unidades catalãs de Montcada i Reixac e Sant Andreu de la Barca, serão encerradas em dezembro, informou esta manhã às autoridades espanholas e aos representantes sindicais o presidente da Nissan Europa, Gianluca de Ficchy, garantindo que a marca salvará as unidades fabris que tem em Ávila e em Los Corrales de Buelna. O jornal “El País” deu a informação, em primeira mão, referindo que o executivo espanhol lamenta a decisão oficialmente comunicada pela Nissan esta manhã de quinta-feira.

A decisão implicará o despedimento de cerca de 3.000 trabalhadores. O “El País” refere que o Governo espanhol quer promover um grupo de trabalho para tentar encontrar alternativas para utilizar as históricas instalações da Nissan na zona franca de Barcelona. Fontes sindicais citadas pelo El País referiram que Gianluca de Ficchy comunicou a decisão aos sindicatos explicando que as propostas que estavam em cima da mesa das negociações sobre a fábrica de Barcelona não tinham viabilidade.

O administrador delegado da Nissan, Makoto Uchida, explicou em conferência de imprensa que se trata de uma decisão difícil e que faz parte do plano de corte de produção, em 20%, que afeta toda a atividade mundial da Nissan, que limitará a produção anual da marca a 5,4 milhões de veículos. Os trabalhadores da fábrica bloquearam os acessos com viaturas estacionadas nas vias públicas e com pneus colocados no asfalto para impedirem a passagem de automóveis até ao recinto industrial da Nissan na zona franca da capital catalã.

O “El Pais” refere que o Ministério da Indústria do Governo central considera que a unidade que a Nissan vai encerrar em dezembro poderia ter viabilidade se produzisse um novo modelo ou se lhe fosse atribuído o fabrico de um novo veículo elétrico, que traduz a proposta que as autoridades espanholas apresentaram em Yokohama, incluída a Generalitat e a Câmara Municipal (o Ayuntamiento) de Barcelona.

O custo do encerramento desta unidade fabril da Nissan em Barcelona é elevado relativamente ao qual vários jornais têm avançado a verba eventual de mil milhões de euros. Os responsáveis da Generalitat da Catalunha acusam a Nissan de “deslealdade” e “menosprezo” porque ignoraram o plano de viabilização que as autoridades espanholas apresentaram aos japoneses. A Nissan perdeu cerca de 800 milhões de euros no exercício de 2019 e apresenta os atuais cortes de produção como forma de recuperar a rentabilidade. A marca japonesa vinha desenvolvendo vários projetos industriais com outras marcas, entre as quais a alemã Daimler, para a qual assegura a producão da pickup Mercedes Classe X, “gémea” da Nissan Navarra.

 

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