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No terceiro trimestre foram criadas 4,4 empresas por cada dissolução em Portugal

“A análise do 3.º trimestre de 2025 consolida Portugal como uma das economias europeias com melhor dinamismo empresarial em 2025, sustentada por: resiliência e crescimento líquido do tecido empresarial; foco em setores estratégicos; mecanismos de recuperação eficazes e desempenho divergente e superior ao contexto europeu.”, defende a consultora Capitalizar.
18 Novembro 2025, 00h00

A Capitalizar, consultora financeira especializada em reestruturação empresarial, divulgou a sua análise técnico-económica relativa ao terceiro trimestre de 2025 e os dados confirmam um “desempenho robusto do tecido empresarial português, que se destaca no panorama europeu pela resiliência, pelo crescimento líquido expressivo e pela eficácia dos mecanismos de recuperação”.

Os dados do 3.º trimestre de 2025 confirmam uma trajetória de crescimento robusto na criação empresarial com 12.126 novas constituições (+9,9% face ao período homólogo) e apenas 2.731 dissoluções (-11%), resultando num rácio de 4,4 empresas criadas por cada dissolução, um dos mais favoráveis da última década.

Já no acumulado até setembro, Portugal soma 39.242 novas empresas (80,1% do total de 2024), enquanto as dissoluções descem para 9.464 (-8%), reforçando a dinâmica positiva.

“Estamos perante um momento de inflexão da economia portuguesa”, afirma José Pedro Pais, Partner da Capitalizar. “Não se trata apenas de crescimento em volume, mas de uma transformação qualitativa do tecido empresarial, com setores estratégicos a liderarem a expansão.”

Construção e Imobiliário impulsionam o crescimento

Sem surpresas, o crescimento de empresas foi impulsionado pelos sectores da construção e do imobiliário, numa altura em que a palavra de ordem é construir e aumentar a oferta de habitação para fazer face ao flagelo da falta de casas que torna os preços inacessíveis para os portugueses, sobretudo para os jovens.

A consultora diz que a análise setorial evidencia diferentes ritmos de evolução, apontando como setores em expansão a Construção com 5.583 constituições (+14,1%); as Atividades Imobiliárias com 4.660 constituições (+24%); e o Comércio por Grosso e Retalho com 5.403 constituições (maior volume absoluto).

Relativamente aos setores sob pressão, a análise evidencia que no Transportes e Armazenagem houve uma queda significativa (-21,3%) e nas Indústrias Transformadoras verifica-se um crescimento moderado, com forte dependência das exportações.

Esta dinâmica acompanha as projeções do Banco de Portugal, que antecipa crescimento de 1,9% do PIB em 2025, suportado pelo consumo privado e investimento.

Insolvências em queda: Portugal contraria a Europa

O 3.º trimestre registou 462 insolvências (-7,8%) e um total acumulado de 1.432 processos (-8,4%), contrastando com a tendência europeia, que apresenta um aumento médio de 11% em 2025, revela a Capitalizar.

“Esta divergência face à Europa não é casual – é o resultado de políticas macroeconómicas bem calibradas e de um ecossistema empresarial que soube adaptar-se”, observa José Pedro Pais.

“Enquanto outros países europeus enfrentam uma vaga crescente de falências, Portugal demonstra uma capacidade excecional de antecipar e mitigar riscos empresariais. Para nós, enquanto consultores, isto traduz-se numa mudança de paradigma: menos processos de insolvência pura e mais oportunidades de revitalização proativa”, acrescenta.

Os setores com mais insolvências (no acumulado do ano até setembro) são as Indústrias Transformadoras: 315 (-28,6%); o Comércio: 303 (-1,6%); a Construção: 178 (-20,5%) e os Transportes: 101 (+24,7%) — único setor em crescimento.

Revitalização Empresarial: Taxa de Sucesso Superior a 50%

Segundo a Capitalizar, o mercado de reestruturação confirma a eficácia dos mecanismos de recuperação.

“Até ao final do segundo trimestre de 2025, foram concluídos 211 processos PECRE/PER — Processo Especial de Revitalização — (+11,1%), com 55% de planos homologados”, revela a consultora.

“A taxa de sucesso acima dos 50% reflete maior sofisticação na abordagem à recuperação empresarial”, destaca José Pedro Pais. “Os setores mais pressionados, como os transportes, estão a recorrer ao PER de forma mais precoce e estratégica”, acrescenta

Já a análise por setor revela que as Indústrias Transformadoras lideram com 71 processos (37,2%); o Comércio surge com +8,8% e os Transportes com 87,5%, refletindo as dificuldades setoriais.

A Capitalizar ressalva que a performance empresarial portuguesa deve ser contextualizada no quadro macroeconómico mais amplo. Portugal tem um crescimento acima da média europeia (+0,8 p.p. em 2025-27); uma Inflação em convergência com os 2% do BCE; e um Investimento impulsionado pela construção (+4,9% em 2025, projeção CE) e pelo reforço dos fundos europeus (2,1% a 2,9% do PIB em 2025-26).

“A análise do 3.º trimestre de 2025 consolida Portugal como uma das economias europeias com melhor dinamismo empresarial em 2025, sustentada por: resiliência e crescimento líquido do tecido empresarial; foco em setores estratégicos; mecanismos de recuperação eficazes e desempenho divergente e superior ao contexto europeu”, defende a consultora.

Perspetivas para 2026

A Capitalizar antecipa a manutenção do diferencial competitivo de Portugal em 2026, com oportunidades de crescimento e reestruturação nalguns setores. Nomeadamente Construção e Imobiliário, sustentados por 27.000 licenças de habitação (+23,1%), descida das taxas de juro e políticas públicas de apoio.

Mas no Transportes e Logística a Capitalizar antevê “elevada pressão operacional e aumento de insolvências, mas forte procura por revitalização”.

Nas Indústrias Transformadoras a antevisão vai no sentido da necessidade de acompanhamento especializado perante incertezas internacionais.

“Estamos perante uma janela de oportunidade única. As empresas que combinarem expansão inteligente com estratégias robustas de mitigação de risco estarão melhor posicionadas para construir vantagens competitivas duradouras.”, conclui José Pedro Pais.


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