As democracias precisam de estar preparadas para lutarem pela liberdade, não apenas porque é justo, mas também por uma questão de sobrevivência, disse a Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, num discurso por si escrito, mas proferido pela sua filha durante a cerimónia de entrega do galardão. A venezuelana Corina Machado não conseguiu chegar à capitaç da Noruega, apesar de haver notícias de que aí compareceria ainda esta tarde.
A engenheira de 58 anos deveria receber o prémio em Oslo, na presença da família real, desafiando uma proibição de viajar imposta há uma década pelas autoridades do regime de Nicolás Maduro. Há um ano que permanece escondida em parte incerta e os tribunais deixaram saber que a levariam à barra dos julgamentos se a dissidente saísse do país.
“Estarei em Oslo, estou a caminho de Oslo neste momento”, disse Corina Machado numa gravação divulgada pelo Instituto Nobel Norueguês pouco antes da cerimónia. Sabe-se que a líder da oposição deixou a Venezuela de barco para a ilha caribenha de Curaçao, de onde partiu em um avião particular para Oslo, segundo o ‘Wall Street Journal’.
No seu discurso, Machado afirmou que o prémio tem um significado profundo, não apenas para o seu país, mas para o mundo. “Lembra ao mundo que a democracia é essencial para a paz”, leu a filha, Ana Corina Sosa Machado, cuja voz embargou ao falar da mãe. “E, acima de tudo, o que nós, venezuelanos, podemos oferecer ao mundo é a lição forjada ao longo desta longa e difícil jornada: que para termos democracia, precisamos de estar dispostos a lutar pela liberdade.”
Um grande retrato de Corina Machado sorrindo foi pendurado na sala do município de Oslo e a plateia aplaudiu demoradamente quando o presidente do Comité Norueguês do Nobel, Joergen Watne Frydnes, disse que a dissidente venezuelana iria a Oslo.
Evocando os laureados anteriores Nelson Mandela e Lech Walesa, o discurso dizia que se espera que os lutadores pela democracia “persigam os seus objetivos com uma pureza moral que seus oponentes jamais demonstram”. “Nenhuma democracia funciona em circunstâncias ideais. Líderes ativistas precisam de confrontar e resolver dilemas que nós, meros espectadores, podemos ignorar. Pessoas que vivem sob uma ditadura muitas vezes precisam de escolher entre o difícil e o impossível.”
“A liberdade é uma escolha que deve ser renovada a cada dia, medida pela nossa vontade e pela nossa coragem em defendê-la. Por isso, a causa da Venezuela transcende as nossas fronteiras”. “Um povo que escolhe a liberdade contribui não apenas para si mesmo, mas para a humanidade.”
Corina Machado afirmou que os venezuelanos não perceberam a tempo que o seu país estava a caminho de uma ditadura. Referindo-se ao já falecido presidente Hugo Chávez, eleito em 1999 e que permaneceu no poder até à sua morte em 2013, Machado disse que “quando percebemos a fragilidade das nossas instituições, um homem que outrora liderara um golpe militar para derrubar a democracia foi eleito presidente. Muitos pensaram que o carisma poderia substituir o Estado de Direito”. “A partir de 1999, o regime desmantelou a nossa democracia.”
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