O estudo Theorising intention to buy second-hand wedding dresses: a ZMET study, publicado no site Taylor & Francis, explica porque a resistência à compra de um vestido de casamento em segunda mão não se deve apenas a questões práticas, mas sobretudo a fatores emocionais e culturais.
É um momento único na vida de uma mulher. A pressão de encontrar o modelo perfeito acaba por ditar, muitas vezes, a tendência por algo novo. Até porque a noiva vai quase sempre comprá-lo acompanhada de amigas ou família. É quase um ritual. Um vestido branco ou pérola a estrear encaixa melhor nesse dia mágico do que um já usado.
A mesma fonte refere ainda que as noivas entrevistadas no estudo demonstraram preocupação com ajustes, tamanhos, estado de conservação e personalização. “Vestidos em segunda mão são vistos como mais difíceis de adaptar à imagem que a noiva idealiza para si própria.” O inquérito vai mais longe, indicando que a ideia de exclusividade e pureza é colocada em causa. Há ainda o medo do julgamento: o que vão pensar os amigos, a família, os convidados?
O estudo mostra que o conhecimento sobre o mercado de segunda mão é um fator-chave. As noivas que sabem onde procurar, que confiam nas plataformas e que entendem como funciona o processo (provas, ajustes, garantias) sentem-se mais seguras e abertas a considerar esta alternativa.
Já quem tem pouco contato com este mercado tende a associá-lo a incerteza, risco e perda de controlo. Muitas participantes admitiram nunca ter explorado seriamente a opção, não por rejeição consciente, mas por falta de informação, visibilidade ou motivação.
Onde comprar… e como isso muda tudo
As perceções variam muito consoante o canal de compra. As lojas tradicionais continuam a ser o padrão de referência. Representam luxo, cuidado, apoio emocional e legitimidade social. As plataformas online, como marketplaces ou sites especializados em vestidos usados, são vistas como práticas e acessíveis, mas geram receios quanto ao tamanho, ao estado do vestido e à impossibilidade de experimentar. Já as lojas de caridade dividem opiniões. Para algumas noivas mais orientadas para a sustentabilidade, são uma opção válida. Para outras, o ambiente e a falta de ritual tornam-nas incompatíveis com a experiência desejada.
Curiosamente, lojas especializadas em vestidos de noiva em segunda mão — ainda pouco comuns — surgem como uma solução intermédia promissora, ao combinarem sustentabilidade com a experiência emocional que muitas noivas procuram.
Este estudo foi realizado no Reino Unido, onde um vestido de noiva custa, em média, 1300 libras (cerca de 1500 euros) para ser usado durante 12 horas e, na maioria dos casos, nunca mais sair do armário. Outros, cerca de 30%, são deitados fora após um único dia de utilização, contribuindo para o desperdício têxtil, além dos milhares de litros de água consumidos na sua produção.
Perante estes números e com a consciência da importância da sustentabilidade, o mercado é apetecível, mas, para funcionar, os investigadores defendem que o futuro do vestido de noiva sustentável passa menos por apelos racionais e mais por emoção, narrativa e experiência. Espaços bem cuidados, atendimento personalizado, histórias associadas aos vestidos e uma comunicação que valorize a singularidade — e não o “uso anterior” — podem ajudar a combater o estigma.
“Em vez de serem vistos como uma segunda escolha, os vestidos em segunda mão podem ser apresentados como peças únicas, cheias de história e significado. Afinal, num mundo cada vez mais atento à sustentabilidade, talvez o verdadeiro luxo esteja precisamente em escolher de forma consciente — sem abdicar do sonho”, explicam no estudo.
Curiosamente, estudos internacionais indicam que 31% das noivas da Geração Z dizem que não se importariam de comprar um vestido de noiva usado. Outro dado curioso é que 65% dos casais, segundo a WifiTalents, não se importariam de alugar os fatos de casamento em vez de comprar. A moda em segunda mão está a crescer em Portugal, mas, quando o tema é casamento, a escolha do vestido continua a ser maioritariamente por peças novas. Apesar da crescente preocupação ambiental, o vestido de noiva mantém-se como uma exceção — e não é por falta de alternativas.
CAIXA
Como tornar o mercado de segunda mão mais atraente
Para aumentar a adoção de vestidos pré-usados, o foco precisa de estar na experiência e na confiança, não apenas na economia ou na sustentabilidade. Algumas estratégias possíveis incluem:
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