Bagão Félix: “Ministros foram escolhidos por inércia, por amizade ou numa lógica partidária”

Em declarações ao Jornal Económico, antigo ministro das Finanças Bagão Félix mostra-se surpreendido com algumas alterações na estrutura do novo Governo.

Cristina Bernardo

Que avaliação faz da nova composição do Governo, com um núcleo de ministros de Estado mais político?

Identificar coisas melhores e piores é sempre sempre algo subjetivo. Como vai haver presidência portuguesa da UE, pode ter alguma justificação, mas houve pontos que me impressionaram.

 

Quais?

O primeiro foi Mário Centeno passar a ser ministro de Estado, mas em quarto lugar. É presidente do Eurogrupo, teve a proeminência que teve no Governo ainda em funções. Parece-me um pouco surpreendente. É certo que não é filiado, mas creio que o ministro Siza Vieira também não é. Posso perceber a mensagem de que a economia, o crescimento e as variáveis macroeconómicas possam neste momento ter mais importância, uma vez que está relativamente estabilizada a questão orçamental. Mas parece-me um pouco injusto para com o ministro Mário Centeno, que no Ministério das Finanças também perde a Administração Pública.

 

Não concorda com essa mudança?

Pelos gastos com pessoal, a questão das carreiras, a Administração Pública é um vetor da despesa em que normalmente pode haver mais problemas. E tendo em conta que se passou de  40 horas para 35 horas de trabalho semanais, não me parece muito adequado. Percebo a ideia de um novo ministério congregar a modernização administrativa, mas não sei como é que vai ser possível compatibilizar isso com a gestão da administração pública.

 

Parece haver um reposicionamento do Governo mais ao centro, pelo menos nos ministros de Estado. Concorda?

O PS tem membros que estão relativamente “próximos” do BE. E portanto nesse sentido há uma ideia de grande moderação no que é o núcleo central.

 

Há um número reduzido de novos ministros, algumas alterações de pastas e de designações. Como encara estas mudanças?

É um Governo escolhido por um conjunto muito restrito de motivos. Há três tipos de escolha: por inércia, pela lógica partidária pura ou numa lógica de amizade. Os nomes dos ministérios são uma tonteria mudar-se: ação climática e outros nomes de ideologia de género. Só fazem gastar dinheiro aos contribuintes. Alguns nomes são uma fantasia da correção política.

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