Novartis promove programa para startups

Ideia foi lançada em Portugal e adotada pelo grupo internacionalmente. Dos 11 projetos selecionados no programa Techcare, quatro são portugueses.

A Novartis criou um programa destina a startups para o desenvolvimento de ferramentas, soluções ou métodos que respondam a necessidades do ecossistema da saúde em Portugal. “A ideia foi criar um projeto de inovação aberto e ambicioso, em colaboração com startups, aproveitando a experiência destas empresas, que já é relevante no desenvolvimento de soluções tecnológicas, com projetos-piloto a decorrer, e assim promover uma união feliz, potenciadora de resultados concretos”, disse ao Jornal Económico Cristina Campos, diretora-geral da Novartis Portugal, que impulsionou o programa.

O Techcare – assim é denominado o programa – é o resultado de uma reflexão interna feita em Portugal. “Nos últimos três anos, temos feito alguma sondagem e avaliação do potencial deste tipo de parceria, que envolve uma empresa multinacional, como é a Novartis, e o ecossistema de startups, não só nacionais, mas também internacionais”, explica Cristina Campos.

A ideia nasceu em Portugal, mas foi rapidamente adotada por outras filiais da multinacional suíça, de países com dimensão semelhante à de Portugal. “Apesar de ter nascido na Novartis Portugal, o programa abrange a Bélgica, a Holanda, a Suíça, a Áustria e a Grécia, países com os quais já temos historial de colaboração em alguns projetos”, explica Cristina Campos.

“Daí termos decidido, desde o início, abrir o programa à participação de startups internacionais”, acrescenta.

Quatro áreas de desenvolvimento e oito áreas terapêuticas

Nesta primeira edição do Techcare foram definidas quatro áreas de desenvolvimento de novas tecnologias: diagnóstico e referenciação, ativação do doente e gestão da doença, redes colaborativas, e criação de valor e resultados em saúde.

Cristina Campos diz ao Jornal Económico que se trata de “quatro desafios, selecionados com base no percurso do doente, do momento do diagnóstico ao da instituição de terapêutica e ao longo da sua vida”.

“A primeira área é a do diagnóstico e da referenciação, onde acreditamos que ainda há muito trabalho a fazer, desde logo pelo subdiagnóstico que marca muitas patologias, que acabam por ser tratadas tardiamente”, aponta.

“Pensamos ser necessário acelerar o diagnóstico e a referenciação dos doentes”, refere.

“A segunda área selecionada é a de ativação do doente e gestão da doença, numa ótica de capacitar o doente para que esteja mais preparado para uma melhor gestão da sua patologia, da identificação dos momentos-chave e de ser mais proativo e responsável na procura de soluções para o seu caso concreto”, explica.

A terceira área, as redes colaborativas, tem em conta, “nomeadamente plataformas de comunicação e partilha de informação entre os vários profissionais de saúde, e também com as associações de doentes e outros doentes”. A quarta e última é a área de criação de valor e resultados em saúde, que aquela responsável considera “muito relevante para os financiadores do sistema, já que permite demonstrar os resultados da inovação tecnológica como criadora de valor para a sociedade e para a economia”.

As áreas terapêuticas abrangidas pelo programa foram a insuficiência cardíaca, psoríase, espondilartrites, asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), esclerose múltipla, patologias retinianas e oncologia.

Quatro portugueses entre os selecionados

Candidataram-se 64 startups, oriundas de 11 países. “Aproveitámos as plataformas já existentes maximizando a comunicação do projeto nas redes sociais e no nosso site”, explica Cristina Campos. Destas candidaturas, foram selecionados 11 projetos por um júri multifuncional e institucional, que incluiu colaboradores da Novartis Portugal – de diferentes áreas de atuação, do Marketing aos Legal Affairs, Medical, entre outras –, que ouviram as apresentações dos candidatos, com as propostas de valor que os seus projetos poderiam trazer a uma colaboração com a Novartis.

“Contámos ainda com a participação de outros stakeholders, da Academia à prática clínica, passando pelas associações de doentes, entre outros, que vieram partilhar os seus desafios e expor a sua visão de como a tecnologia e o mundo digital podem acrescentar valor às suas áreas de atuação”, acrescenta Cristina Campos.

Este processo culminou num bootcamp, que se realizou na sede da empresa, no Tagus Park, em Oeiras, este mês. “No último dia, as equipas apresentaram os seus projetos, explicando de que forma integraram as necessidades expressas pelos stakeholders, com base nas quatro vertentes definidas”, conta a diretora-geral da Novartis Portugal.
Dos 11 finalistas selecionados, quatro são portugueses, quatro do Reino Unido, e os restantes três de Itália, França e Espanha.

Na área de diagnóstico e referenciação, foram selecionadas a Alcove, uma startup britânica fundada em 2014, com a criação de um serviço de apoio digital para promover a autonomia de idosos e adultos com deficiência; a NeuroPsyCAD, uma startup portuguesa que candidatou um projeto de apoio ao diagnóstico precoce na área da neuropsiquiatria, e a UpHill, uma startup nascida na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, com um sistema que regista as formações das equipas médicas e avalia a necessidade de formação complementar.

Na área de ativação do doente e gestão da doença, foram eleitas a MedicSen, uma startup espanhola que está a desenvolver uma aplicação de gestão personalizada da diabetes; a Care Across, do Reino Unido, com uma plataforma web dedicada a doentes oncológicos e cuidadores, e a Amiko, startup italiana, que apresentou um método de gestão da medicação através de sensores digitais para a área respiratória.

O programa selecionou também, na categoria redes colaborativas, as empresas Biotechspert, do Reino Unido, com a criação de um algoritmo que identifica e conecta rapidamente especialistas e líderes de opinião de várias áreas; a francesa LibHeros, com uma plataforma que liga doentes e profissionais de saúde através de um site, de uma aplicação e de um operador telefónico; e a portuguesa Tonic App, do Porto, com um software que disponibiliza conteúdos formativos, apoia no diagnóstico e melhora a comunicação entre médicos dos cuidados primários e terciários.

Foram ainda selecionadas a portuguesa PromptlyHealthCare, de Braga, que desenvolve projetos na área de criação de valor e resultados em saúde, que apresentou uma plataforma online que reúne dados científicos sobre o tratamento, permitindo aos doentes com a mesma patologia consultar os resultados esperados de acordo como tratamento que lhes foi prescrito.

Cristina Campos diz acreditar “que o talento das startups selecionadas vai contribuir para criar soluções inovadoras na área da Saúde, capazes de trazer valor acrescentado a este ecossistema”.

Ler mais
Recomendadas

PremiumOrçamento do SNS vai crescer menos do que a economia em 2019

Nova ministra vai ter mais 523 milhões de euros no orçamento, mas as transferências para o Serviço Nacional de Saúde vão crescer apenas 2%. No bolo do sector está incluído o avanço nos processos de construção de cinco novos hospitais.

Saúde: reclamações dos utentes aumentam 72% até setembro

Mau atendimento, tempos de espera, falta de informações e falta de condições são os principais motivos das queixas apresentadas pelos portugueses nos primeiros nove meses deste ano.

Sindicatos médicos contestam critério de redução de listas de utentes

Os sindicatos médicos consideram a proposta de Orçamento do Estado “meramente eleitoralista” e contestam que a redução da lista de utentes por médico de família fique dependente de 99% dos portugueses terem médico atribuído.
Comentários