Novo aeroporto em Montijo é favor do Governo PS à Vinci

O comunicado do PCP de Setúbal salienta que, “se alguém mudou de posições, foi o PS, os seus autarcas e o Governo, que no passado defenderam a construção no Campo de Tiro de Alcochete de um novo aeroporto, e que com esta mudança de opinião não só passaram a acompanhar as decisões do Governo PSD/CDS, como revelam um profundo desprezo pelo desenvolvimento e progresso da região e do país”.

O PCP de Setúbal acusou hoje o Governo PS de permitir à multinacional Vinci construir um terminal aeroportuário no Montijo em vez de um novo aeroporto no campo de Tiro de Alcochete, a que estaria obrigada em termos contratuais.

“O PS tenta ocultar que o que determina as suas posições e argumentos sobre o novo terminal do aeroporto de Lisboa é a cedência aos interesses da multinacional Vinci, concedendo-lhe a prerrogativa de, em vez de construir o novo aeroporto de Lisboa por fases na zona do Campo de Tiro de Alcochete, a que estava obrigada no contrato de concessão, limitar-se à construção de um terminal aeroportuário complementar à Portela, na Base Aérea n.º 6 do Montijo”, refere o PCP em comunicado da Direção da Organização Regional de Setúbal (DORS).

“Bem podem a Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, ministros e secretários de Estado e alguns dos seus autarcas na região afirmarem que estão preocupados com o desenvolvimento da Península de Setúbal, porque de facto aquilo que revelam as suas posições é que estão empenhados em deturpar os factos e distorcer a realidade para garantir que os interesses dessa multinacional são satisfeitos”, acrescenta o extenso comunicado do PCP, que rebate os principais argumentos do PS a favor no futuro terminal aeroportuário do Montijo.

O comunicado do PCP de Setúbal salienta que, “se alguém mudou de posições, foi o PS, os seus autarcas e o Governo, que no passado defenderam a construção no Campo de Tiro de Alcochete de um novo aeroporto, e que com esta mudança de opinião não só passaram a acompanhar as decisões do Governo PSD/CDS, como revelam um profundo desprezo pelo desenvolvimento e progresso da região e do país”.

O PCP acusa também os socialistas de faltarem à verdade quando afirmam que o investimento nesta infraestrutura aeronáutica complementar ao aeroporto da Portela, no Montijo, é o maior de sempre feito na Península de Setúbal e que vai criar 10 mil postos de trabalho.

“Os custos com a construção deste terminal são de 500 milhões de euros e destinam mais de 650 milhões de euros para as obras na Portela”, refere o comunicado, acrescentando que o futuro terminal do Montijo destinado a operações ‘low-cost’, “nunca gerará mais do que 2.000 postos de trabalho, num quadro em que o encerramento da base militar leva ao desaparecimento dos seus cerca de 800 postos de trabalho atuais”.

Por outro lado, o PCP afirma que os socialistas tentam “esconder que o novo aeroporto na zona do Campo de Tiro de Alcochete pode ser construído por fases e mentem sobre o seu valor, pois o seu custo final era, em 2007, 2.285,6 milhões de euros, e hoje teria um valor de custo deste investimento, atualizado a preços constantes de 2018, de 3.310,1 milhões de euros”.

“Também é falso que seja o país que tem de pagar os custos com esta infraestrutura, pois como bem sabe quem o afirma, estas infraestruturas são pagas como sempre o foram no passado, com as taxas e rendimentos gerados pela empresa gestora das infraestruturas aeronáuticas nacionais”, acrescenta o PCP de Setúbal, que também não poupa críticas ao PS pela intenção de querer mudar a lei em vigor para contornar a oposição de vários municípios do distrito de Setúbal ao terminal aeroportuário do Montijo.

“Consideramos que a tentativa defendida por ministros, autarcas e dirigentes do PS no distrito de alterar uma lei para fazer vingar as suas posições e satisfazer as imposições da multinacional Vinci é revelador de um profundo desrespeito pelo Estado Democrático, bem como do enorme grau de submissão a interesses que não os do país e dos portugueses”, refere o comunicado.

Para o PCP de Setúbal, trata-se de “uma posição que tem como consequências libertar da obrigação/responsabilidade da construção de um novo Aeroporto substituindo-o por um `apeadeiro´, beneficiando ainda [a Vinci] de novos direitos de cedência no atual aeroporto da Portela, e com os lucros arrecadados desde a privatização da ANA”.

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