Novo Banco. “À posteriori somos todos videntes”, diz Vítor Constâncio

“Era um grupo de tipo familiar, controlado por uma família e, portanto, tinha as suas relações, eventualmente os seus problemas, mas não foi essa realidade que criou as condições que levaram posteriormente ao colapso do grupo”, disse o antigo governador do BdP.

O antigo governador Vítor Constâncio considerou esta sexta-feira que, até à sua saída do Banco de Portugal (BdP), a atuação em relação ao BES foi a “adequada à situação” naquele momento, afirmando que “à posteriori somos todos videntes”.

Na estreia do novo deputado do PAN na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, Nelson Sousa mostrou-se espantado com a “leviandade” e “complacência” com que o BdP, durante o período em que Vítor Constâncio foi governador, lidou com as “questões de conflitos de interesse do BES”.

“Era um grupo de tipo familiar, controlado por uma família e, portanto, tinha as suas relações, eventualmente os seus problemas, mas não foi essa realidade que criou as condições que levaram posteriormente ao colapso do grupo. Colapso que teve a ver de facto com o colapso da atividade não financeira do grupo, um pouco em 2008, 2009, mas muito mais em 2011/2013 e com a questão de Angola”, respondeu o antigo governador.

Para Vítor Constâncio, “foram esses os dois problemas” principais do BES, para além de “todo o comportamento discutível que o banco teve posteriormente para tentar aguentar a situação”.

“Até 2009, até eu sair, esta foi a atuação que me parece, do ponto de vista dos riscos, do ponto de vista da atuação logo no princípio de 2009, me parece adequada à situação nesse momento. À posteriori somos todos videntes, à posteriori sabe-se tudo, mas creio que era impossível pedir que se pudesse, os serviços, os inspetores, adivinhar o que vinha posteriormente e a segunda crise, e a segunda recessão ainda mais cavada. Ninguém até essa altura tinha tal ideia”, defendeu.

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Vítor Constâncio reiterou que “naquela circunstância, naquele momento, com aqueles dados finais do final de julho, não havia outra alternativa melhor do que encaminhar-se para um processo de resolução”.

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