Novo Banco tem carteira de malparado de 100 milhões à venda

A revelação foi feita numa conferência para falar sobre a “banca do futuro”, organizada pelo Negócios, António Ramalho ironizou ao falar da carteira de NPL que está já à venda: “não se chama ‘Nata 3’ porque achámos por bem denominar isto com nomes mais ligados a jogadores de rugby. Que passou a estar na moda depois de este meu colega [Miguel Maya] ter lançado dois processos no mercado com base no rugby”.

Cristina Bernardo

A revelação foi feita na conferência “Banca do Futuro”, organizada pelo Jornal de Negócios. “Temos já um processo em curso que está neste momento no mercado”, disse o CEO do Novo Banco, António Ramalho.

O Eco avançou que a carteira de NPL (malparado) que está no mercado no valor de 100 milhões de euros é composta por créditos secured e unsecured, e chama-se Projeto Carter. O Jornal Económico confirmou que está já no mercado o Projeto Carter e que é uma carteira naquele valor, composta por créditos em incumprimento granulares, com colaterais e sem, e que será lançada outra carteira de maior dimensão até ao fim do ano.

Isto surge na sequência da desistência do projeto Nata 3, noticiada pelo Jornal Económico. O Novo Banco desistiu de vender o portefólio de crédito malparado designado de “Nata 3”, que era composto, em 75%, por créditos em incumprimento cobertos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA) do Fundo de Resolução. O Nata 3 era composto por créditos non-performing no valor de 1,2 mil milhões de euros.

Na conferência online do Negócios, António Ramalho ironizou na presença de Miguel Maya, CEO do BCP, dizendo “já vamos um bocadinho atrasados porque um dos meus colegas que está aqui sentado chegou ao mercado antes do que eu por causa desta discussão momentânea [sobre a venda de ativos a desconto] e tirará seguramente benefício de ter mais investidores à procura da tipologia de créditos que eu também estou a vender, mais granular”, disse.

Tal como o Jornal Económico avançou em primeira-mão, o BCP, tem no mercado as carteiras de ativos problemáticos “Webb” e “Ellis” no valor global de 750 milhões de euros.

Ficou hoje a saber-se que o BCP batizou as carteiras de ativos com o nome do “pai” do do rugby moderno – William Webb Ellis  o Novo Banco decidiu seguir a ideia ao batizar de projeto “Carter”, a carteira de NPL que está à venda, numa referência ao jogador de rugby da Nova Zelândia Dan Carter.

“Não se chama ‘Nata 3’ porque achámos por bem denominar isto com nomes mais ligados a jogadores de rugby. O rugby passou a estar na moda depois de este meu colega ter lançado também com base no rugby dois processos no mercado”, ironizou António Ramalho.

“É a simbologia dos lutadores que nunca desistem e que querem assegurar no mercado a eficácia e o cumprimento dos seus objetivos”, disse o banqueiro.

O CEO do Novo Banco disse mesmo: “agora há três processos com simbologia de rugby no mercado”, revelando que vai ainda lançar uma outra carteira que ainda não tem nome, mas terá um nome ligado ao rugby, e que deverá estar no mercado até ao fim do ano. O Eco revelou que também terá o nome de um jogador de rugby, mas vai ser de 200 milhões de euros.

A revelação decorreu na conferência online para falar sobre a “banca do futuro” onde participaram os presidentes executivos dos cinco maiores bancos nacionais: António Ramalho, presidente da comissão executiva do Novo Banco; João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI; Miguel Maya, presidente da Comissão Executiva do Millennium BCP; Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da CGD; e Pedro Castro e Almeida, CEO do Santander Portugal.

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