O Banco de Portugal publicou hoje as estatísticas de taxas de juro e de montantes de novos empréstimos e depósitos bancários de empresas e particulares atualizadas para dezembro de 2025. Nelas revela que o mercado de crédito em Portugal atingiu um marco histórico em 2025.
Segundo dados recentes do banco central, as novas operações de empréstimos a particulares totalizaram 39,3 mil milhões de euros, o valor anual mais elevado desde o início da série estatística em 2003. As novas operações de empréstimos incluem contratos totalmente novos e contratos renegociados.
Este crescimento de 4,9 mil milhões face a 2024 foi sustentado quase inteiramente por novos contratos (33,4 mil milhões), que agora representam 85% do total do mercado, explica o BdP.
O grande motor desta dinâmica foi o crédito à habitação, que disparou para os 23,3 mil milhões de euros. Este vigor deve-se, em grande medida, aos jovens até aos 35 anos, responsáveis por 60% dos novos contratos de habitação própria permanente.” O setor beneficiou de medidas fiscais e garantias estatais, como a isenção de IMT e Imposto do Selo introduzida pelo Decreto-Lei n.º 48-A/2024 e a garantia pública do Estado (Decreto-Lei n.º 44/2024) para financiamentos até 100%, em vigor desde janeiro de 2025″, explica o banco central.
Pelo contrário, as renegociações de crédito diminuíram 1,9 mil milhões de euros face a 2024, para 5,9 mil milhões de euros em 2025.
Esta evolução resultou sobretudo da redução das renegociações de crédito à habitação, que totalizaram 5,5 mil milhões de euros, menos 1,7 mil milhões de euros do que em 2024 (7,2 mil milhões de euros). As renegociações corresponderam a 19% do total de novas operações de empréstimos à habitação em 2025 (29% em 2024).
Os montantes dos novos contratos nas finalidades de consumo e de outros fins também aumentaram, 0,5 e 0,4 mil milhões de euros, respetivamente, totalizando 7,0 e 3,2 mil milhões de euros.
Juros em Queda e Portugal no Topo da Zona Euro
Paralelamente ao aumento do volume, as taxas de juro registaram uma trajetória descendente. A taxa média no crédito à habitação recuou de 3,20% para 2,84%, correspondendo a uma redução de 0,36 pp, ao longo do ano, colocando Portugal com a quarta taxa mais baixa da área do euro.
Ao longo de 2025, observaram-se reduções nas taxas de juro médias dos novos contratos e dos contratos renegociados de crédito à habitação, que terminaram o ano em 2,84% e 2,83%, respetivamente.
Esta descida aliviou a carteira das famílias, com a prestação média mensal a descer para os 418 euros. Em contraste, o crédito ao consumo foi a única categoria onde o custo subiu, fixando-se em 8,63% no final do ano.
A taxa de juro média das novas operações de empréstimos à habitação do conjunto dos países da área do euro diminuiu 0,05 pp, fixando-se em 3,30% no final de 2025. Portugal registou a quarta taxa de juro média mais baixa entre os países da área do euro (sétima posição em dezembro de 2024), permanecendo abaixo da média da área do euro.
A finalidade de consumo foi a única categoria em que a taxa média das novas operações aumentou, passando de 8,56%, em dezembro de 2024, para 8,63% em dezembro de 2025. Nos empréstimos para outros fins a taxa de juro média diminuiu de 3,85% para 3,43%.
Mais 3,24 mil milhões de euros de crédito a empresas
As empresas também acompanharam a tendência de crescimento, com novos empréstimos a totalizar 29,9 mil milhões de euros, um aumento de 3,24 mil milhões face ao ano anterior.
Este aumento resultou essencialmente do dinamismo dos novos contratos de empréstimos, que cresceram 3,70 mil milhões de euros, atingindo 26,6 mil milhões de euros. Pelo contrário, as renegociações diminuíram 0,46 mil milhões de euros, para 3,3 mil milhões de euros.
As novas operações de empréstimos até um milhão de euros ascenderam a 16,1 mil milhões de euros em 2025, mais 2,16 mil milhões de euros do que no ano anterior. Já as novas operações de empréstimos acima de um milhão de euros aumentaram 1,08 mil milhões de euros, para 13,8 mil milhões de euros.
O custo do financiamento para o setor empresarial caiu de 4,30% para 3,70%, refletindo um ambiente de maior liquidez e competitividade no setor bancário nacional.
A diminuição foi semelhante nas duas classes de montantes: empréstimos até 1 milhão de euros (-0,61 pp, para 3,78%) e empréstimos acima de 1 milhão de euros (-0,60 pp, para 3,63%).
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