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Nuclear: WNA insiste que Espanha deve aumentar ativos no setor

Sama Bilbao, diretora da Associação Nuclear Mundial (WNA), diz que o país deve tomar a decisão de investir na extensão do complexo de Almaraz. O debate sobre a matéria está na ordem do dia em Espanha.
6 Novembro 2025, 10h00

Por estes dias – e depois do desastre energético por que a União Europeia passou com a invasão russa da Ucrânia e a constatação da enorme dependência energética do bloco – a Espanha é a exceção que confirma a regra: é o único país do mundo com um parque nuclear operacional que tem um plano de Estado para acabar com ele. “Isso, logicamente, preocupa-nos, porque 20% da eletricidade espanhola provém da energia nuclear. Perder uma fonte de energia que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, é livre de carbono e, além disso, uma das mais baratas do país – além das taxas de impostos – seria devastador para a economia espanhola”, refere Sama Bilbao, diretora da Associação Nuclear Mundial (WNA) em declarações ao jornal espanhol ‘El Economista’.

Num contexto igualmente marcado pelo recente apagão que também afetou Portugal de forna severa, empresas de eletricidade chegaram a um acordo e enviaram uma proposta ao governo para prolongar a vida útil de Almaraz até 2030. “Acho que é um primeiro passo importante. A Espanha, como país, tem que refletir cuidadosamente sobre o seu futuro energético e sobre o papel que deseja que a energia nuclear desempenhe – ou não”, afirmou.

Para aquela responsável, deve ser aberto um debate social e político sobre a energia nuclear, acompanhando assim uma alteração de posições face à matéria que está a passar por todos os países europeus. “Muitos governos estão a retirar dogmatismo da política energética e a voltar os holofotes para a ciência e para os dados”. Anteriormente, “a Espanha decidiu que a energia nuclear não era para nós, e era uma decisão legítima. Mas o contexto mudou radicalmente. A procura de energia está a crescer exponencialmente, os países estão apostados na independência e segurança do abastecimento, e a competitividade é fundamental. Não podemos prescindir de uma fonte de energia firme, limpa e barata sem saber exatamente o que estamos a substituir”.

E dá o exemplo da Alemanha, que, depois de se decidir pelo fim da opção nuclear, decidiu – até porque é dos países europeus mais afetados pela suspensão da venda de gás natural russo à Europa – pensar duas vezes.

Do seu lado, a Comissão Europeia criou um grupo de trabalho para procurar preços de energia mais acessíveis. “Idealmente, as políticas energéticas devem ser tecnologicamente neutras. Não se trata de energia nuclear, renovável ou hidrelétrica, mas de construir um sistema que garanta energia limpa, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e acessível. Isso requer parar de diabolizar tecnologias específicas e procurar a combinação que funciona melhor em cada país”, refere Sama Bilbao. Para especificar que os restantes países nucleares – Suécia, França, Reino Unido, Finlândia, República Checa, Roménia, Eslováquia e Bélgica – “estão a investir no prolongamento da vida útil dos seus complexos industriais.

Além do mais, na sua ótica, a Espanha está a ir contra as recomendações do relatório Draghi e da Agência Internacional de Energia. Que apontam, aliás, para novas tecnologias: os projetos de pequenos reatores modulares (SMR), que estão a ser desenvolvidos na Europa. “Atualmente, existem cerca de 70 fábricas em construção em 30 países, a maioria delas grandes. Na Europa, os grandes projetos ainda são reatores convencionais. Os SMRs representam uma evolução complementar. A inovação não está apenas no tamanho, mas no modelo industrial: produção em massa, projetos mais curtos, menor investimento inicial e capacidade de instalação perto de indústrias ou áreas remotas. Não são baratos, mas são mais acessíveis e flexíveis”, afirmou.

O Relatório Mundial de Combustível Nuclear de setembro mostra que há recursos de urânio mais que suficientes para triplicar a capacidade nuclear global até 2050. “O que falta é investimento, após décadas de escassa exploração e extração, mas os recursos foram identificados.


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