Número de mortes por Covid-19 nos EUA já ultrapassa baixas provocadas pela Guerra do Vietname

EUA somam outro recorde simbólico, contabilizando na terça-feira mais de um milhão de casos diagnosticados com o novo coronavírus. Algo que para o presidente dos EUA, Donald Trump, só acontece porque os testes norte-americanos “são muito melhores do que em qualquer outro país do mundo”.

Donald Trump | DOUG MILLS/GETTY IMAGES

O número de mortos registados em dois meses nos Estados Unidos por infeção com o novo coronavírus (58.605) já supera o número de soldados norte-americanos mortos (58.220) durante a guerra de 16 anos no Vietname, de acordo com cálculos da agência Reuters, divulgados esta quarta-feira, 29 de abril.

Com estes números, os EUA é o país mais afetado no planeta pela pandemia da Covid-19, com a pandemia a fazer mais estragos do que a Guerra do Vietname. De acordo com o Arquivo Nacional dos EUA, o balanço oficial de mortes norte-americanas no Vietname, entre os anos de 1955 e 1975, totalizou as 58.220 vítimas mortais.

Os números indicam, desta forma que o surto epidemiológico do novo coronavírus é mais mortífero do que uma das mais mediáticas guerras do século XX. A essa marca, os EUA somam outro recorde simbólico: contabilizava na terça-feira mais de um milhão de casos diagnosticados com o novo coronavírus.

“A única razão pela qual os EUA relataram um milhão de casos do novo coronavírus é porque os nossos testes são muito melhores do que em qualquer outro país do mundo”, afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, na sua conta de Twitter.

De acordo com a universidade Johns Hopkins, os Estados Unidos registavam na terça-feira, pelas 18h00, 1.002.498 de infetados com Covid-19.

Covid-19 terá consequências políticas em Washington?
A forma como Donald Trump está a gerir o combate à pandemia da Covid-19 nos Estados Unidos e as palavras que tem escolhido para descrever a atual conjuntura poderá ter repercussões políticas na Casa Branca. De acordo com uma sondagem realizada pela Reuters/Ipsos, so norte-americanos “parecem” estar a perder a paciência com Trump.

Uma sondagem realizada entre os dias 27 e 28 de abril apontou que quase metade de eleitores nos EUA (47%) disseram que eram “muito” ou “um pouco” propensos a seguir as indicações de Donald Trump para combater a Covid-19.

Recentemente, num briefing diário sobre a pandemia do novo coronavírus, o presidente dos EUA afirmou que a infeção por Covid-19 poderia ser tratada com injeções de desinfetante, como lixívia, ou com raios ultravioleta.

Após essas palavras, 98% dos norte-americanos afirmaram que não iriam injetar desinfetante caso contraíssem o novo coronavírus. A rejeição da indicação de Trump será “unânime”, segundo a Reuters, num altura em que a esmagadora maioria dos norte-americanos está realmente preocupada com a disseminação da Covid-19 nos Estados Unidos.

Ler mais
Recomendadas

Huawei já investiu mais de mil milhões de dólares em I&D na Europa, recorda ‘chairman’

Num discurso online na Web Summit, Liung Hua vincou que a Europa precisa de apostar em tecnologias como o 5G para impulsionar a inovação na indústria e para o benefício dos cidadãos. Numa altura em que as autoridades americanas questionam a segurança do equipamento da empresa, o ‘chairman’ alertou que são precisos “a padronização, a governança a proteção de privacidade e mecanismos de confiança transparentes”.

Web Summit 2020: o que vai poder ver esta quinta-feira

Esta quinta-feira marca o segundo dia da edição 2020 da Web Summit, o maior evento de tecnologia e empreendedorismo do mundo, este ano numa edição 100% online. Acompanhe no site do Jornal Económico e na plataforma JE TV uma vasta cobertura desta cimeira com entrevistas e painéis que vão marcar esta edição

Kai-Fu Lee prevê que empregos em cadeias de fast-food e telemarketing serão substituídos por IA

O ex-presidente da Google China, considerado um dos maiores especialistas em IA no mundo, esteve na Web Summit, onde fez referência à “relutância” da Europa em abdicar da privacidade mesmo que seja por “algo muito importante, como a saúde e a segurança”.
Comentários