Número de passageiros transportados pela TAP diminuiu 62% no primeiro semestre

“A TAP atuou com agilidade e rapidez aos primeiros sinais de impacto da pandemia, adequando a capacidade ao novo cenário de procura e minimizando assim os custos operacionais com o objetivo de preservação de caixa”, comentou a companhia, no documento em que demonstrou um prejuízo de 582 milhões de euros no primeiro semestre.

O decréscimo de capacidade de assentos oferecidos pelas companhias de aviação e do número de passageiros transportados na Europa foi pior que no resto do mundo nos primeiros seis meses do ano, afirmou esta segunda-feira a TAP, adiantando que a pandemia de Covid-19 provocou quedas de 54,3% e 62%, respetivamente, nessas duas rubricas da companhia portuguesa.

Assim, no acumulado do primeiro semestre de 2020, “o número de passageiros transportados pela TAP diminuiu 62,0% YoY, tendo a procura quando expressa em RPKs (ou Revenue Passenger Kilometer) registado um decréscimo de 58,9% YoY”, diz a TAP, referindo ainda que “a capacidade (medida em ASK – Available Seat Kilometer) diminuiu 54,3%, tendo-se observado uma deterioração do load factor (taxa de ocupação) em 8 p.p. YoY”.

A informação foi divulgada com os resultados do primeiro semestre, publicados no site da CMVM e na qual a companhia demonstrou um resultado líquido negativo de 582 milhões de euros.

A operação e resultados do primeiro semestre de 2020 foram “significativamente impactados pela quebra de atividade verificada a partir de março, em resultado da pandemia de Covid-19, que teve um enorme impacto na economia mundial e que afetou de forma sem precedentes o setor da aviação civil a nível global, em resultado das fortes medidas de contenção adotadas pelas autoridades nacionais e internacionais”, refere a TAP.

De acordo com as estimativas revistas da IATA para o setor (a junho de 2020), “o decréscimo de capacidade (medido em ASK – Available Seat Kilometer, ou seja, medidos pelo volume de ‘assentos-quilómetro oferecidos’) na Europa em 2020 deverá ser de 42,9%, superior ao decréscimo a nível global (-40,4%)”, refere a TAP, esclarecendo igualmente que, “no que se refere ao decréscimo estimado do tráfego de passageiros medido por RPK (ou Revenue Passenger Kilometer), que traduz a procura em 2020, este é de -56,4% na Europa e -54,7% a nível global”. Este decréscimo acentuado de capacidade e tráfego “é transversal a todas as regiões”, refere a TAP.

Por isso, “a quebra de atividade verificada a partir de março de 2020, mais do que eliminou a boa performance observada nos primeiros dois meses do ano, impactando muito negativamente a performance da TAP no primeiro semestre de 2020”, adianta o comunicado da TAP, referindo que “o mês de março foi já significativamente afetado pelas medidas de contenção adotadas pelas autoridades nacionais e internacionais que se refletiram também numa acentuada quebra na procura e levaram a TAP a diminuir a sua capacidade operacional, traduzindo-se numa redução progressiva da atividade ao longo do mês e numa paragem temporária quase total da atividade nos meses seguintes”. Nos quatro meses de março, abril, maio e junho, “o decréscimo de capacidade (medido em ASKs) foi de -34%, -99%, -98% e -97%, respetivamente, face aos meses homólogos de 2019”, informou a TAP.

“A TAP atuou com agilidade e rapidez aos primeiros sinais de impacto da pandemia, adequando a capacidade ao novo cenário de procura e minimizando assim os custos operacionais com o objetivo de preservação de caixa”, comenta a companhia, esclarecendo que “o corte de capacidade, de 33,9% em termos de ASKs logo no mês de março, foi fundamental para a diminuição dos custos variáveis, que representaram em 2019 aproximadamente 60% dos custos operacionais totais da TAP.

Ler mais
Relacionadas

TAP: Plano de reestruturação será apresentado a Bruxelas até 10 de dezembro

O plano visa “assegurar a sustentabilidade e rentabilidade da TAP, através de um adequado planeamento de rotas e frota, da adaptação do produto TAP à realidade atual e pós Covid-19, e do aumento da eficácia e da eficiência dos serviços centrais e das unidades do Grupo TAP”, refere a companhia, que registou um prejuízo de 582 milhões de euros no primeiro semestre.

TAP apresenta prejuízo de 582 milhões de euros no primeiro semestre

Um resultado líquido negativo de 582 milhões de euros no primeiro semestre de 2020 é a primeira informação da TAP S.A. que o CEO interino, Ramiro Sequeira, comunica oficialmente. A margem EBITDA cai para -20%, isto é, 28,7 pontos percentuais abaixo do verificado no primeiro semestre de 2019.
Recomendadas

Topo da agenda: o que vai marcar a atualidade esta terça-feira

Esta terça-feira, a earnings season nos Estados Unidos e na Europa acelera, com algumas das maiores cotadas a apresentarem resultados.
TAP Portugal

Primeiro ministro não garante que TAP venha a precisar de mais dinheiro do Estado

“Não gosto de dar garantias que não sei se posso honrar”. Foi assim que o primeiro ministro respondeu esta segunda-feira à questão sobre se a TAP precisaria eventualmente de mais fundos do Estado para recuperar, depois de a proposta de Orçamento do Estado para 2021 ter reservado 500 milhões de euros em cima das ajudas de Estado de 1.200 milhões de euros.

Suíça condena empresário por corrupção de quadros da petrolífera angolana Sonangol

A justiça suíça condenou um ex-administrador de uma empresa holandesa, que reside em Portugal, por corrupção de vários quadros da petrolífera estatal angolana Sonangol, num total de 5,8 milhões de euros entre 2005 e 2008.
Comentários