Nuno Melo apela aos conselheiros nacionais do CDS-PP para boicotarem reunião desta sexta-feira

Eurodeputado diz que “a democracia está sequestrada no CDS” e acusa presidente do Conselho Nacional de Jurisdição de “bloquear unilateralmente” o órgão a que preside ao não dar seguimento ao pedido de impugnação da anterior reunião em que foi decidido adiar o congresso.

Nuno Melo
Nuno Melo no Congresso de Aveiro

O eurodeputado e candidato à liderança do CDS-PP Nuno Melo lançou nesta quinta-feira um apelo aos conselheiros nacionais para que não participem na reunião desse órgão do partido que foi marcada para sexta-feira, recordando que essa seria “curiosamente” a data do primeiro dia do congresso em que pretendia disputar a liderança com Francisco Rodrigues dos Santos, mas que foi adiado para depois das legislativas de 30 de janeiro de 2022.

“Decidi não participar na reunião do Conselho Nacional a realizar no próximo dia 26, apelando a outros conselheiros nacionais que me acompanhem nesta reação, até que uma decisão seja proferida relativamente à deliberação ilícita de adiamento do Congresso do CDS”, escreveu Nuno Melo nas redes sociais, já depois de o atual deputado João Pinho de Almeida ter anunciado pelo mesmo meio que não participaria na reunião desse órgão partidário.

Nuno Nelo realça que a ordem de trabalhos do Conselho Nacional marcado para esta sexta-feira, “convocado para se realizar à distância e de forma urgente, quando nenhuma pressa é justificada”, decorre da anterior reunião de 29 de outubro, muito contestada pela oposição interna e em “desrespeito pela decisão do Conselho Nacional de Jurisdição, que declarara nula e de nenhum efeito a respetiva convocatória”.

O eurodeputado disse também que remeteu há um mês uma impugnação das deliberações desse Conselho Nacional, nomeadamente no que toca ao adiamento do congresso que deveria ter lugar a 26 e 27 de novembro em Lamego, não tendo recebido até à data “qualquer resposta ou informação sobre o andamento do processo”. E recordou que o presidente do Conselho Nacional de Jurisdição, Alberto Coelho, votou vencido contra a decisão que declarar nula a convocação do Conselho Nacional, acrescentando que “o facto de ter sido derrotado na votação de um órgão colegial não o legitima a bloquear unilateralmente o respetivo funcionamento”.

“É inaceitável que num partido fundador da democracia portuguesa os órgãos não funcionem de cada vez que possa estar em causa qualquer pretensão ou decisão da direção nacional ou do seu presidente”, escreveu Melo, que tem criticado o que diz ser o alinhamento entre Francisco Rodrigues dos Santos e o presidente do Conselho Nacional, Filipe Anacoreta Correia. “Nestes tempos em que a democracia está sequestrada no CDS, sempre que qualquer votação possa implicar a derrota da direção do partido ou do seu presidente suspendem-se os votos, numa manifestação deprimente do pior momento da vida do partido”, concluiu.

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