O desafio da transformação digital das empresas portuguesas

De acordo com World Economic Forum, em 2022, o mundo digital irá contribuir para 60% do PIB mundial. A verdade é que a transformação digital já se fez notar em todas as indústrias e continuará a impactar a forma como as empresas conduzem os seus negócios. Se pensarmos na velocidade com que hoje emergem novas […]

De acordo com World Economic Forum, em 2022, o mundo digital irá contribuir para 60% do PIB mundial. A verdade é que a transformação digital já se fez notar em todas as indústrias e continuará a impactar a forma como as empresas conduzem os seus negócios. Se pensarmos na velocidade com que hoje emergem novas formas de trabalho, deixando obsoletos tantos outros meios ao qual estávamos habituados, concluímos que a mudança é, de facto, a única constante no mundo dos negócios.

As empresas vencedoras serão claramente as que conseguirem corresponder, ou mesmo exceder, às expectativas do cliente digital. A prova disso é que apesar de estarmos a assistir a reduções significativas devido ao surto de COVID-19, os investimentos a nível global na transformação digital irão subir 10.4% este ano, atingindo um total de 1.3 trilhões de dólares, segundo um estudo recente da IDC.

Assim, é fundamental que os líderes consigam alinhar os seus modelos de negócio – produtos, serviços e canais – com a nova era da economia digital; para além disso, espera-se que sejam capazes de caminhar rumo a processos end-to-end, abandonando a perspectiva de silos. Dito isto, as organizações devem ser capazes de colher os investimentos realizados em tecnologia para se manterem competitivas; no entanto, esta tarefa nem sempre é fácil, principalmente quando se trata da seleção e implementação de um sistema completamente estrutural para a organização como um Enterprise Resource Planning (ERP), Manufacturing Execution System (MES),Customer relationship management (CRM) ou outros .

Dada a procura contínua e crescente a que temos assistido em projetos numa lógica de transformação do negócio, seja para definição da estratégia de TI, otimização de processos, IT sourcing ou apoio na implementação, acreditamos que o conhecimento do negócio e dos diferentes setores de atividade, aliado às potencialidades das tecnologias, serão fundamentais para que as empresas possam atingir os seus objetivos, que, com base na nossa experiência, passam por iniciativas tradicionais como melhoria e agilidade nos processos a projetos de inovação, inteligência artificial, modelos analíticos e outros sempre aliados a práticas inovadoras de aproximação aos nossos clientes fortemente suportados em modelos de user experience.

Um passo importante rumo à conquista destes objetivos é a aposta na Cloud. Embora muitas vezes a gestão das organizações tenha dificuldades em compreender as reais vantagens desta opção, a mudança de paradigma dos sistemas “locais” (On-Prem) para sistemas na “nuvem” (Cloud) é cada vez mais evidente. Veja-se, por exemplo, o caso da Google, que anunciou este ano a transição para SAP Ariba, ou a Natixis Portugal que, por sua vez, assistiu ao primeiro ERP SAP S/4HANA Cloud na cloud pública no nosso país. No ano passado, a SAP revelou que, em Portugal, 17 das 18 empresas do PSI-20 e 93 das 100 maiores empresas investiram em soluções SAP, sendo muitas delas baseadas na Cloud.

O investimento na cloud é justificado sobretudo pela redução de custos e melhoria das taxas de rentabilidade, adaptação aos requisitos do negócio, elevado número de aplicações disponíveis, e pela maior segurança da informação. Se pensarmos friamente nestes temas, conseguimos perceber que, fornecedores de cloud como a AWS, são empresas totalmente dedicadas a estas atividades, pelo que o seu core é a garantia de serviços de qualidade, minimização de risco e dedicação aos seus clientes.

Falando em segurança, de acordo com o PwC’s Digital Trust Insights Survey, o maior risco resultante das iniciativas de transformação digital é o risco de cibersegurança. Torna-se, portanto, imperativo atingir um nível adequado de segurança de forma a gerir e reduzir os riscos financeiros, operacionais, reputacionais e legais.

Não menos importante é gerir a complexidade da cadeia de abastecimento, supply chain, das empresas, garantindo que o negócio corra com sucesso através da antecipação da procura, disponibilidade de matéria prima, capacidade de produção, e recursos humanos para continuar as necessidades e expectativas dos clientes. No que a estas soluções dizem respeito, as recentes parcerias da SAP com a Bosch e Siemens estão a impulsionar a adoção desta tecnologia nos quatro cantos do mundo, ajudando os clientes a acelerar o retorno do investimento através da inovação.

Em suma, a transformação digital das empresas não mais se equaciona com “será que vai acontecer?”, mas fica-se agora de forma condescendente por um “quando vai chegar?”. A resposta está mesmo à nossa frente: agora.

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