“O envenenamento de Navalny não foi um ato pontual”, acusa Ursula von der Leyen

“Seja em Hong Kong, Moscovo ou Minsk, a Europa tem de tomar posição clara e rápida”. No seu primeiro discurso anual do ‘Estado da União’, proferido esta quarta-feira no Parlamento Europeu em Bruxelas, Ursula von der Leyen, dedicou uma parte substancial ao papel da Europa no mundo, falando sobre amigos e inimigos, parceiros e ex-parceiros.

A presidente da Comissão Europeia esta quarta-feira afirmou que o envenenamento de Alexei Navalny, dirigente da oposição russa, é apenas o ato mais recente num padrão de comportamento do governo de Vladimir Putin e que inclui também a interferência em eleições noutros países.

“Aos que querem laços mais próximos com a Rússia, digo que o envenenamento de Navalny com um agente químico, não é um one-off”, vincou Ursula von der Leyden, no discurso do ‘Estado da União’ no Parlamento Europeu em Bruxelas. “Vimos o padrão na Geórgia e Ucrânia, Síria e Salisbury [Reino Unido], e na interferência em eleições à volta do mundo”.

“Este padrão não está a mudar, e nenhum gasoduto irá mudar isso”, disse, referindo-se ao o gasoduto submarino Nord Stream 2, que visa duplicar o envio direto de gás da Rússia para a Alemanha.

No discurso que marca a  ‘rentrée’ do Parlamento Europeu, Ursula von de Leyen, disse que há uma necessidade calara de a União Europeia tomar posições e ações rápidas sobre assuntos mundiais. “Seja em Hong Kong, Moscovo ou Minsk, a Europa tem de tomar posição clara e rápida, sublinhou.

China: denunciar sempre as violações 

Von der Leyen disse que a relação entre a União Europeia e a China é simultaneamente uma das mais importantes do ponto de vista estratégico e uma das mais difíceis, pois a China é um parceiro de negociação, um concorrente económico e um rival sistémico. Saleintou que ainda há muito trabalho a fazer em termos de acesso justo ao mercado para as empresas europeias, reciprocidade e excesso de capacidade.

“E não há dúvida de que promovemos sistemas muito diferentes de governança e sociedade. Acreditamos no valor universal da democracia e nos direitos do indivíduo”, adiantou.  “A Europa tem problemas – pense, por exemplo, no anti-semitismo. Mas nós discutimos publicamente, a crítica e a oposição não são apenas aceitas, mas legalmente protegidas”.

“Portanto, devemos sempre denunciar as violações dos direitos humanos quando e onde ocorrerem – seja em Hong Kong ou com os uigures”, frisou.

Bielorússia: do lado do povo

Em relação à questão da Bielorússia, a posição da UE é clara. “Quero dizer isso em alto e bom som: a União Europeia está do lado do povo da Bielorrússia”, vincou Ursula von der Leyen. “Todos nós ficamos comovidos com a imensa coragem daqueles que se reuniram pacificamente na Praça da Independência ou participaram da destemida marcha das mulheres”.

Acrescentou que as eleições que os trouxeram às ruas “não foram livres nem justas” e que “a resposta brutal do governo desde então tem sido vergonhosa”.

Dois lados do Atlântico e do Canal da Mancha

A presidente da Comissão Europeia falou ainda das relação com os Estados Unidos e o Reino Undo. “Precisamos de novos começos com velhos amigos – em ambos os lados do Atlântico e em ambos os lados do Canal da Mancha”.

Em relação ao Estados Unidos, explicou que a UE pode nem sempre concordar com as decisões recentes da Casa Branca. “Mas sempre valorizaremos a aliança transatlântica – baseada em valores e história compartilhados, e um vínculo inquebrável entre nosso povo”, explicou.

Von der Leyen fez ainda uma referência às eleições presidenciais nos EUA em novembro, dizendo que aconteça o que acontecer “estamos prontos para construir uma nova agenda transatlântica, para fortalecer nossa parceria bilateral – seja em comércio, tecnologia ou tributação”.

“E estamos prontos para trabalhar juntos na reforma do sistema internacional que construímos juntos, em conjunto com parceiros com ideias semelhante, para os nossos próprios interesses e o interesse do bem comum”, concluiu.

Sobre o Brexit, a presidente da Comissão Europeia explicou que a cada dia que passa, as hipóteses de um acordo oportuno começam a diminuir e que as as negociações não progrediram como desejado, deixando muito pouco tempo disponível

“Como sempre, este Parlamento será a primeira a saber e terá a última palavra. E posso garantir que continuaremos a atualizá-lo o tempo todo, assim como fizemos com o Acordo de Retirada”, disse. “Esse acordo levou três anos para ser negociado e trabalhamos incansavelmente nele. Linha por linha, palavra por palavra”.

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