O impacto da crise no emprego jovem

Para termos uma ideia e de acordo com as estatísticas providenciadas pelo INE, os novos empregos com até apenas seis meses de antiguidade caíram em 2020 até aos 33%.

Esta semana um importante trabalho do jornalista Sérgio Aníbal, no jornal “Público”, veio chamar a atenção para um dilema recorrente no que toca ao emprego jovem na sequência de uma crise. Segundo diversos especialistas, como o economista da Universidade da Califórnia Till von Wachter ou o português Pedro Martins, também economista e ex-secretário de Estado do Trabalho no XIX Governo, existe um “efeito cicatriz” das crises no mercado de trabalho que afeta particularmente os mais jovens.

Isto significa que aqueles que procuram o seu primeiro emprego numa altura de crise são obrigados a enfrentar “grandes efeitos iniciais nos rendimentos, na oferta de trabalho e nos salários”, efeitos esses que apenas tendem a diluir-se 10 a 15 anos mais tarde.

Tal como outro economista citado no artigo concluiu, o irlandês Mark Regan, após a análise de um conjunto de 13 países europeus, incluindo Portugal, “uma taxa de desemprego de 1% mais alta retirou, em média, 2% ao salário de entrada de um trabalhador”. Nos oito anos seguintes, considera ainda o mesmo estudo, “a penalização subsiste, sendo de cerca de 1%. Apenas ao fim de 10 anos é que o diferencial desaparece”.

O que torna este “efeito cicatriz” ainda mais grave nas atuais circunstâncias da crise pandémica são os números evidenciados e relacionados com a variação homóloga do número de empregos, no que respeita aos novos empregos suprimidos pela crise e à idade dos trabalhadores afetados.

Efetivamente, para termos uma ideia e de acordo com as estatísticas providenciadas pelo INE e disponibilizadas no artigo mencionado, os novos empregos com até apenas seis meses de antiguidade caíram em 2020 até aos 33%. E, quanto à idade dos trabalhadores afetados, a diferença é dramática; menos 23,2% no número de empregos disponíveis para os trabalhadores até aos 24 anos, muito acima dos -5,2% do segundo grupo mais afetado, entre os 35 e os 44 anos.

Tendo em conta esta situação, alguns especialistas têm vindo a chamar a atenção para a necessidade de se definirem políticas públicas que permitam contrariar este referido “efeito cicatriz” da crise nos mais novos e, no meu entender, essa necessidade é ainda maior para o caso português, onde a dependência do turismo e a implosão que se tem vindo a verificar do mercado hoteleiro e da restauração terá um efeito radical na oferta de trabalho e nas remunerações praticadas.

É evidente a necessidade tão propalada por António Costa Silva e pelo Governo de um investimento na transição digital, se Portugal quiser acompanhar a evolução de outros países, entre os quais a Estónia é o principal benchmark. Mas também não devemos esquecer que muitas atividades “analógicas” vão precisar de incentivos e de criatividade, na forma de estabelecer um modelo que permita às entidades públicas auxiliar ou pelo menos não dificultar a vida das empresas e do comércio, possibilitando assim que o impacto nos trabalhadores, e nos jovens em particular, não seja tão dramático como infelizmente as estatísticas parecem apontar.

 

EPA/JOSE SENA GOULAO

Um talento inato e persistência, liderando a prova desde o primeiro momento, levaram Miguel Oliveira à vitória no Grande Prémio de Portugal em MotoGP que decorreu no Algarve. Esta é a segunda vitória de um Grande Prémio GP pelo jovem piloto do Pragal e que, aos 25 anos, evidencia ter todas as qualidades para vir a dar mais ainda que falar.

 

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