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O impacto da inovação pode ter um forte âmbito territorial

Ao comemorar o seu 25.º aniversário, a Associação Empresarial do Baixo Ave chama a atenção para o potencial de inovação do tecido empresarial do território e dá mais um passo para incentivar as empresas ao lançar o Prémio Inovação AEBA 25 anos.
22 Outubro 2025, 12h35

Foi no primeiro ano deste século que um grupo de empreendedores da região do Baixo Ave se juntou para criar uma estrutura capaz de apoiar e representar as empresas e os empresários locais e, simultaneamente, promover o desenvolvimento sustentável da região. Nasceu, assim, a Associação Empresarial do Baixo Ave que, entre outras iniciativas para assinalar o seu 25.º aniversário, lançou o Prémio Inovação AEBA 25 anos. O período de candidaturas terminou em setembro e, nesta entrevista, José Manuel Mendonça, Diretor do INESC TEC, professor emérito da Universidade do Porto e membro do júri fala-nos de inovação, de como as empresas do Baixo Ave evoluíram e da relevância do Prémio Inovação AEBA 25 anos.

Qual é o impacto de um prémio como o da AEBA? 

Enquanto o impacto da ciência é global, o impacto da inovação pode, em muitos casos, ter um forte âmbito territorial. O Prémio Inovação AEBA 25 Anos quer colocar a inovação no centro da agenda, desafiando as empresas do território a mostrar a sua capacidade em inovar em produtos, processos, serviços e modelos de negócio para, através dessa inovação, entrarem ou reforçarem a sua posição nas cadeias de valor globais.

Quais são os critérios de avaliação mais valorizados? 

Todos os critérios e subcritérios que compõem a grelha de avaliação do Prémio são relevantes, sendo atribuído a cada um desses critérios e sub-critérios um determinado peso. Isso permite-nos obter um indicador global de mérito e torna possível fazer uma avaliação comparativa de candidaturas muito diversas.

Como comenta a evolução do tecido empresarial da região? 

O Baixo Ave é marcado pela presença de empresas exportadoras e até líderes em diversos setores, nos quais são determinantes a ciência e a inovação. A partir de 2000, o país fez um esforço muito grande para aumentar o financiamento, público e privado, da investigação, que passou de 0,8% do PIB em 2000 para 1,6% em 2009. Depois de uma queda para 1,3%, na sequência da crise financeira, esse valor aumentou de novo para cerca de 1,75% em 2024. É muito relevante sublinhar que o investimento das empresas é superior ao investimento público e que, na última década, o número de investigadores nas empresas quase triplicou.
O impacto deste desenvolvimento em ciência e inovação nos setores de maior complexidade económica do país, quase todos exportadores, ajudou a que as exportações de bens e serviços passassem de uns estagnados 27%, entre 1996 e 2005, para quase 50% em 2022, um sonho há muito almejado. A evidência desse impacto na balança tecnológica, isto é a diferença entre exportações e importações de produtos e serviços com conteúdo tecnológico, é clara: passou de negativa em 550 M€ em 1998 para equilibrada em 2016 e positiva em quase 2.700 M€ em 2024. 
Como muitas regiões em Portugal com forte componente industrial, o Baixo Ave cresceu em tecnologia e inovação, aumentando a complexidade e sofisticação dos produtos e serviços e, consequentemente, a sua capacidade exportadora.

Qual é a importância da ligação entre as empresas e a academia?
É crucial que o conhecimento científico saia dos muros da universidade, para ser assimilado e endogeneizado nas empresas, suportando diferentes tipos de inovação e, desta forma, ajudar a manter ou aumentar a sua capacidade competitiva.
A parte do ecossistema de ensino, investigação e inovação referida por “academia” articula-se, coopera e interage com as empresas através de vários tipos de instituições ditas de interface, como centros tecnológicos e de inovação, laboratórios colaborativos e incubadoras.

Como vê o investimento em ciência no nosso País? 

A modernização das empresas é levada a cabo pelos empresários, pelos gestores, por todos que nelas trabalham, no trabalho do dia a dia e seguindo uma visão, uma estratégia sonhada e levada a cabo por quem assume a liderança. Quem está de fora – governo, autarquias, universidade, politécnico, etc. – pode contribuir para melhorar o contexto transacional e o ecossistema no território em que as empresas vivem. Cada um tem as suas tarefas e a orquestração é um processo complexo, certamente conduzido por uma visão do que se quer para o território. Correndo o risco de ser simplista, posso referir unicamente três medidas de política pública, muito faladas, mas sempre adiadas: a drástica diminuição da burocracia, a melhoria do acesso ao capital e ao investimento e o forte estímulo à atração e retenção de talento jovem e qualificado. Isto é válido para qualquer região e para todo o país, com modulação da aplicação prática em função dos territórios específicos. O Baixo Ave não é, certamente, exceção.

Se a modernização das empresas da região do Ave fosse sua responsabilidade, o que faria de imediato?
E das empresas a nível nacional?

Correndo o risco de ser simplista, posso referir unicamente três medidas de política pública, muito faladas, mas sempre adiadas: a drástica diminuição da burocracia, a melhoria do acesso ao capital e ao investimento e o forte estímulo à atração e retenção de talento jovem e qualificado. Isto é válido para qualquer região e para todo o país, com modulação da aplicação prática em função dos territórios específicos. O Baixo Ave não é, certamente, exceção.

Este artigo foi produzido em parceria com a AEBA


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