O principal desafio para o sector das pescas é tecnológico

O presidente da Associação dos Armadores de Pesca Industrial diz que a frota precisa de um salto tecnológico que a União Europeia deveria impor e apoiar quanto antes.

Não foi sempre assim, “fixemos muitos erros no passado, quando essas preocupações eram menos presentes”, mas há décadas que “a sustentabilidade está no ADN do ADN do sector das pescas”, disse ao JE o presidente da Associação de Armadores de Pesca Industrial (ADAPI), Pedro Jorge Silva. E não poderia ser de outro modo, explica.

Não só porque se a atividade desaparecerá se não for sustentável, mas também porque “há regras que a política comum das pescas impõem” e que, entre outras coisas “preveem sanções para os prevaricadores”. Claro que, esclarece Pedro Jorge Silva, uma coisa são as regras, outra que pode ser bem diversa são o quadro da sua implementação e principalmente da sua fiscalização.

Mas, no geral, o presidente da ADAPI assegura que “havendo muito que fazer, as coisas não estão a correr mal”. Neste contexto, “a sustentabilidade é para nós um pilar básico, que trabalhamos em três sentidos: ambiental, social e económico”, “Não podemos viver sem essa preocupação. Mas Pedro Jorge Silva mostra-se preocupado com alguns lobbies em circulação na União Europeia: “alguns ambientalistas, defendo as quotas dos seus países, querem o aumento da possibilidade de pescar, preferindo não querer saber do quadro científico que enquadra a política de limitação da apanha”, refere.

 

O desafio tecnológico
De qualquer modo, e se a sustentabilidade está assegurada, falta a dimensão da tecnologia para a acompanhar. “Ainda há barcos que andam com motores da década de 70 do século passado” e esse estado de coisas ‘pré-histórico’ só mudará se “a União Europeia decretar a sua substituição” e, por outro lado, “apoiando-a financeiramente”.

Pedro Jorge Silva recorda que mais um quadro comunitário de apoio deixou de fora o a reconversão do sector das pescas. “Não temos qualquer apoio à renovação da frota” – que está a entrar em fase de emergência, não só em termos dos motores utilizados, mas também da habitabilidade (que implica com a sustentabilidade social) e das dificuldades decorrentes do facto de cada barco ser uma unidade industrial em movimento.

Como aliás sucedeu com o PRR: chegámos a fazer parte de um consórcio que acabou por desaparecer” e que previa apostar na investigação na mobilidade elétrica ou alternativamente a hidrogénio para as embarcações de pesca, mas diversos impedimentos não permitiram a sua concretização. “Estamos a precisar de um salto tecnológico” que, salienta o presidente da ADAPI, acaba por ligar sustentabilidade e tecnologia num único desiderato comum, com dois vetores que não podem evoluir em separado.
De qualquer modo, diz Pedro Jorge Silva, ultrapassado o desafio da sustentabilidade, “ainda não ultrapassámos o da tecnologia”. A Política Comum de Pescas estará em debate no próximo ano e é possível que finalmente o sector, “que vai ser chamado a reforçar a sua própria sustentabilidade”, venha a usufruir de benefícios que os armadores vêm a circular constantemente para outras indústrias.

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