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O que esperar em 2026?

Empresários, banqueiros, gestores, professores, reitores, líderes de associações e outros protagonistas dizem ao JE o que esperam que aconteça no novo ano. São sessenta reflexões sobre 2026.
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2 Janeiro 2026, 07h00

Pedro Castro e Almeida, Presidente Executivo do Santander Portugal

2026 deverá ser um ano determinante para a Europa e, por extensão, para Portugal. A criação de um espaço económico que impulsione crescimento e inovação, através da conclusão do mercado único, deve ser a prioridade. Num contexto em que 80% do financiamento empresarial depende da banca, é urgente simplificar a regulação e, também, a fiscalidade, para facilitar as transições verde, digital e de defesa. Portugal pode liderar esta agenda, alavancando com o seu equilíbrio orçamental, mas deve ir mais além: libertar o talento das pessoas e empresas para criar mais riqueza, alinhando incentivos com objetivos. Por exemplo, simplificando o IRS para 3 a 5 escalões e eliminando a derrama estadual, que trava o crescimento das médias empresas. O papel da banca, esse, é claro: financiar projetos estruturantes, reforçar a competitividade e sustentar o crescimento, abrindo um novo ciclo em 2026.

“A criação de um espaço económico que impulsione crescimento e inovação, através da conclusão do mercado único, deve ser a prioridade”

 

João Rodrigues Pena, empresário, Gestor e Consultor

Em 2026, Portugal mantém-se no doce marasmo. Continua a discussão intensa e estéril dos problemas estruturais – saúde, educação, habitação, justiça, imigração – vem um novo Presidente … mas é o Mundial de Futebol que vai marcar 2026.
A nível global o desenvolvimento tecnológico domina, acelerando a transformação estrutural da economia mundial e as disputas regulatórias, mas num contexto cada vez mais conturbado. Sempre a ganhar força, Trump verga China, Rússia, Índia e a patética União Europeia e como não desdenha sangue, os conflitos atuais intensificam-se e vão eclodir novos.
Enquanto mandar no Mundo um poderoso imperador arguto, sem escrúpulos e sem rivais, paz e estabilidade não passam de sonhos.

“A nível global o desenvolvimento tecnológico domina, acelerando a transformação estrutural da economia mundial e as disputas regulatórias, mas num contexto cada vez mais conturbado”

 

Carlos Tavares, Gestor, empresário, ex-CEO da Stellantis

2026 será o ano do fim da ingenuidade da UE, ano decisivo para escolher entre realismo face as rivalidades mundiais musculadas e a miragem do estado social. A UE e o fusível escolhido pelos EUA, a Rússia e a China neste contexto de agressões de varias naturezas. Mais do que nunca a dimensão transacional vai impor-se nas relações internacionais. Será o momento da necessidade de diversificar os parceiros comerciais para limitar riscos ligados a tensões geopolíticas. Teremos que aceitar competir frente a frente com a Asia e diferenciarmos dos outros países europeus para podermos faze-lo. Mais do que nunca teremos que aceitar não sermos mais um Pais subsidio dependente de Bruxelas para criarmos valor por nos próprios. Trabalhar mais trabalhando melhor e a única opção para ganhar! Para a frente!

“2026 será o ano do fim da ingenuidade da UE, ano decisivo para escolher entre realismo face as rivalidades mundiais musculadas e a miragem do estado social”

 

Miguel Guedes de Sousa, Founder & CEO do JNcQUOI

2026 tem de ser o ano da execução e da confiança. O que é necessário? Resolução imediata do controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa, estabilidade política interna, reformas estruturais com consenso e garantias claras de que Portugal continua a ser um país seguro e aberto ao mundo, ativos que verdadeiramente fazem a diferença. O contexto internacional é exigente, mas favorável a quem age rápido. Não podemos perder a atratividade conquistada no turismo nem no investimento estrangeiro. É igualmente essencial resolver a crise da habitação e assegurar um sistema de saúde eficiente e acessível, pilares básicos e para todos. Portugal provou no pós-Troika que sabe crescer: turismo forte, economia a 3% elogiada pelo The Economist e pelo Financial Times, desemprego em queda, salários e poupança a subir, imobiliário valorizado, dívida controlada e investimento estrangeiro relevante. Agora é preciso ir mais longe: justiça rápida, mercado de trabalho flexível, fiscalidade atrativa, segurança absoluta, infraestruturas modernas e escala empresarial. 2026 tem de consolidar o sucesso e transformá-lo em futuro, sob pena de ficarmos, mais uma vez, para trás.

“O que é necessário? Resolução imediata do controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa, estabilidade política interna, reformas estruturais com consenso e garantias claras de que Portugal continua a ser um país seguro e aberto ao mundo”

 

Margarida Almeida, CEO da Amazing Evolution

Partindo do pressuposto de que os riscos geopolíticos se mantêm circunscritos às atuais geografias de conflito, em 2026 o turismo deverá entrar numa fase de normalização do crescimento, depois da forte recuperação pós-Covid. A evolução continuará a ser mais evidente no Algarve, na Madeira e no Porto. Os Açores enfrentam maior incerteza, devido a questões de acessibilidade aérea, como a saída da Ryanair e o processo de venda da SATA, que podem desacelerar o crescimento se não forem geridas estrategicamente. Lisboa continuará a ser central, mas o funcionamento do aeroporto é hoje um constrangimento real ao desenvolvimento do setor. Crescerá o turismo de qualidade: autêntico, com propósito, ligado ao território e às pessoas. O desafio será evoluir de forma consistente e com mais valor, o que exige visão estratégica nas empresas e no Estado. Precisamos de um Estado mais eficaz e capaz de criar condições para uma economia robusta, com menos carga fiscal sobre quem cria valor, mais fiável, com maior capacidade de execução, emprego mais qualificado e mais inovação. Só assim o crescimento da economia será estrutural, sustentável e transformador.

“Partindo do pressuposto de que os riscos geopolíticos se mantêm circunscritos às atuais geografias de conflito, em 2026 o turismo deverá entrar numa fase de normalização do crescimento, depois da forte recuperação pós-Covid”

 

Paulo Monginho, CEO da OGMA

Num contexto que continuará a ser dominado pela incerteza e tensão geopolítica, as empresas terão de se focar nos desafios que têm pela frente: a gestão de pessoas, a integração da inteligência artificial, as métricas da sustentabilidade e uma atenção redobrada à cibersegurança. No caso específico da inteligência artificial, passará a ter um papel de destaque na produtividade. Aproveitando o reforço no investimento em Defesa, há que procurar parcerias estratégicas e valorizar projetos que acrescentem valor à economia portuguesa, mobilizando conhecimento e inovação.

“Aproveitando o reforço no investimento em Defesa, há que procurar parcerias estratégicas e valorizar projetos que acrescentem valor à economia portuguesa”

 

Duarte Gomes Pereira, secretário geral da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC)

As previsões para 2026 continuam a ser marcadas por um elevado grau de incerteza, resultante de múltiplos fatores externos que condicionam a evolução da economia global. O contexto internacional permanece sensível a desenvolvimentos geopolíticos, a tensões comerciais e a riscos macroeconómicos que podem repercutir-se na estabilidade financeira e no comportamento das famílias. Será desejável que, ao longo de 2026, se verifique uma progressiva normalização do ambiente internacional, contribuindo para mitigar pressões sobre a inflação, o emprego, as taxas de juro e os custos de financiamento, fatores determinantes para a confiança dos consumidores e para a dinâmica do mercado. É fundamental a existência de estabilidade política e de uma orientação económica consistente, criando condições favoráveis ao investimento, ao funcionamento eficiente do sistema financeiro e à atividade das instituições de crédito. Neste enquadramento, o próximo ano apresenta-se como um período exigente para o crédito ao consumo, impondo prudência, capacidade de adaptação e rigor por parte dos diversos intervenientes do setor, sendo essencial que a transposição da Diretiva do Crédito aos Consumidores seja efetuada de forma coerente, sem ultrapassar as suas previsões, para não comprometer o level playing field. Por fim, a estabilidade do enquadramento fiscal e regulatório, alinhado com o contexto europeu será decisiva para assegurar um mercado de crédito ao consumo sólido e competitivo, assente em regras claras, concorrência justa e numa concessão de crédito responsável. A ASFAC e as suas Associadas manterão o seu empenho na contribuição para a melhoria da qualidade de vida dos consumidores portugueses e do tecido empresarial nacional.

“Será desejável que, ao longo de 2026, se verifique uma progressiva normalização do ambiente internacional, contribuindo para mitigar pressões sobre a inflação, o emprego, as taxas de juro e os custos de financiamento”

 

Francisco Teixeira, Country Manager WPP

Este ano, dois em cada dez euros de investimento publicitário serão aplicados por inteligência artificial em todo o Mundo, mas seis em cada dez euros serão conduzidos pelo conteúdo a que estão associados. A IA, o algoritmo e os dados serão crescentemente determinantes na forma como as marcas conquistam, captam e retêm consumidores, mas a substância continua a ser senhora e rainha. São duas boas notícias: a IA automatiza o que é simples e escalável, mas é crucial o papel único do criativo, porque a IA não substitui a criatividade, amplifica a distribuição. Logo, saber escolher é cada vez mais saber excluir, e escolher bem é, por isso mesmo, saber excluir bem. Não espanta que o CEO da Unilever tenha aumentado em 50% o investimento na criação de comunidades de consumidores – porque hoje, como nunca, é crucial saber o que sentem, querem e fazem. Os consumidores, de carne e osso.

“A IA, o algoritmo e os dados serão crescentemente determinantes na forma como as marcas conquistam, captam e retêm consumidores, mas a substância continua a ser senhora e rainha”

 

Sérgio Raposo Frade, Presidente do Grupo Crédito Agrícola

Apesar da incerteza global, as principais economias (China, EUA e Zona Euro) deverão crescer em 2026. As taxas de juro deverão apresentar-se estáveis ou registar ligeiras reduções suportando investimento e consumo. Portugal, sustentado por consumo, maior execução dos fundos europeus e mercado de trabalho resiliente, deverá voltar a crescer a um ritmo superior à média da zona euro. Neste contexto, as empresas portuguesas, mantendo uma gestão rigorosa de riscos, gozarão de um clima favorável ao investimento em inovação, diversificação de mercados e de fontes de criação de valor. A Inteligência Artificial confirmará ser um pilar cada vez mais relevante, transformando modelos de negócio, processos e competências necessárias, impulsionando a produtividade e tornando-se uma peça indispensável à competitividade nas estratégias ou iniciativas empresariais.

“A Inteligência Artificial confirmará ser um pilar cada vez mais relevante, transformando modelos de negócio, processos e competências necessárias, impulsionando a produtividade e tornando-se uma peça indispensável à competitividade nas estratégias ou iniciativas empresariais”

 

Carlos Lobo, Professor da Faculdade de Direito UL, Advogado

Portugal entra em 2026 num paradoxo incómodo. Os indicadores macroeconómicos são positivos: crescimento acima da média europeia, inflação controlada, salários nominais em alta e uma carga fiscal ligeiramente descendente. O país voltou a merecer elogios externos. Isto prova que o pacto de regime, ainda que tácito, sobre estabilidade das Finanças Publicas compensa… E, no entanto, a perceção dominante é de mal-estar económico. Isto não é uma contradição, é antes e só a nossa estrutura. Os ganhos de rendimento são absorvidos onde a substituição é impossível: habitação, alimentação e serviços essenciais. Para a classe média, o aumento salarial existe, mas não a liberta. Acresce a comparação permanente com padrões de vida externos que expõem uma verdade simples: Portugal continua a crescer abaixo do seu potencial. O problema não é ideológico, mas unicamente operacional. O país não sofre de falta de talento ou de estabilidade, sofre de desorganização, burocracia e incapacidade de execução. Vivemos num Estado corporativo, onde interesses organizados funcionam melhor do que o consumidor individual e onde se responde a cada falha com mais regulação, num Estado que já falha no básico. 2026 não precisa de novos diagnósticos. Precisa de uma simplificação radical, de menos custos de contexto e de mais rendimento líquido nas mãos das pessoas. Estamos melhor do que estávamos, mas perigosamente longe do que podíamos ser. É essa frustração quanto ao potencial — e não a pobreza absoluta — que hoje define o país.

“Portugal continua a crescer abaixo do seu potencial. O problema não é ideológico, mas unicamente operacional”

 

Gonçalo Regalado, CEO do Banco de Fomento

2026 traz um conjunto relevante de desafios mas com inúmeras oportunidades para as Empresas e para a Economia Portuguesa. Há espaço para ganharmos Escala nos Mercados Globais com a abertura do novo acordo UE-Mercosul, com o reforço do mercado interno europeu e com a procura de novos mercados em África, no Pérsico e no Oriente. Portugal tem uma situação de estabilidade económica, paz social, equilíbrio de contas públicas e garantias de um ambiente favorável ao investimento. Portugal tem um bom pipeline de investimento direto estrangeiro na indústria, na tecnologia, na inteligência artificial, no software, no turismo, nos serviços, na energia ou nas infraestruturas. As empresas passaram a contar com o Banco de Fomento para ser o motor da economia, o acelerador do crescimento e o multiplicador dos instrumentos financeiros de apoio ao investimento. Em 2025, o BPF colocou 6,5 mil milhões de euros na Economia, representando 2,2% do PIB, apoiando mais de 16 mil Empresas com mais de 18 mil operações de financiamento do investimento. Foi possível multiplicar por 12 vezes a atividade de 2024. Em 2026, apontamos que este apoio supere os 8 mil milhões de euros para financiarmos o investimento de mais de 20 mil Empresas. Em 2026, o Banco Português de Fomento será maior e melhor com novos instrumentos: subvenções, garantias, capital, dívida, seguros de crédito e fundos de investimento imobiliário para multiplicarmos o impacto na construção de valor da Economia Portuguesa. Vamos continuar a superar a Europa e a fazer de Portugal um País melhor e maior.

“As empresas passaram a contar com o Banco de Fomento para ser o motor da economia, o acelerador do crescimento e o multiplicador dos instrumentos financeiros de apoio ao investimento”

 

Ana Alcobia, VP do Time Out Market

Portugal vai voltar, em 2026, a depender de quem cá vive. Nunca soubemos medir o verdadeiro valor do turismo em Lisboa e, agora, que os turistas serão menos, muitos vão sentir saudades. Os expatriados têm algum peso quando as pastelarias fecham e as casas ficam mais caras? Será a força de trabalho dos imigrantes que sustenta a economia? Cada grupo contribui, sim, mas de maneiras diferentes e o problema que continua sem solução é o mesmo de sempre, a falta de dinheiro dos portugueses. No setor da restauração, a sustentabilidade e tendências como o GLP-1 (Ozempic) vão andar lado a lado e, mais uma vez, só sobreviverá quem se conseguir adaptar.

“Nunca soubemos medir o verdadeiro valor do turismo em Lisboa e, agora, que os turistas serão menos, muitos vão sentir saudades”

 

Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Fórum para a Competitividade

Prioridades de ação para Portugal em 2026
1 – definir objetivos estratégicos nacionais, independentemente da desorientação europeia, que aliás não influenciamos.
2 – orientar a economia e a politica comercial externa para beneficiar das novas oportunidades.
3 – aumentar a capacidade e velocidade de reação das empresas.
4 – criar um ambiente empresarial mais motivador em termos de salários, bônus e lucros.

Tudo isto só pode ser alcançável com a legitimidade de ouvir e respeitar os resultados eleitorais. 70% dos eleitores deixaram de votar à esquerda mas o bloco central continua a defender todos os obstáculos que herdamos de uma revolução comunista há 50 anos.

“70% dos eleitores deixaram de votar à esquerda mas o bloco central continua a defender todos os obstáculos que herdamos de uma revolução comunista há 50 anos”

 

Nuno Villa-Lobos, presidente do CAAD

A Justiça enfrenta um importante e decisivo teste entre perceção e realidade. O espaço público em Portugal (no mundo, na verdade,) tem sido vulnerável a discursos e narrativas simplificadoras, e, por esse motivo, a consolidação de dados, a transparência e o escrutínio são fundamentais para a solidez democrática. A experiência do CAAD demonstra que a arbitragem tributária, quando institucional, pública e sujeita a controlo, fortalece o Estado, reduz custos, acelera decisões e melhora a relação com os cidadãos. Em 2026, o desafio será aprofundar reformas em tempo de estabilidade, resistindo ao populismo e enfrentando o imobilismo, e afirmando uma Justiça mais célere, aberta e baseada em factos.

“Em 2026, o desafio será aprofundar reformas em tempo de estabilidade, resistindo ao populismo e enfrentando o imobilismo, e afirmando uma Justiça mais célere, aberta e baseada em factos”

 

Eduardo Catroga, economista

A economia portuguesa em 2026 vai ter um crescimento positivo face a UE mas em ligeira desaceleração relativamente a 2025. Uma taxa de crescimento à volta mas inferior a 2%. A produtividade não cresce pois ainda não estão criadas condições estruturais para tanto. E o emprego vai diminuir. As tentativas de ações estruturais necessárias para a melhoria da produtividade vão esbarrar ou ser esbatidas na falta de uma maioria política parlamentar estável e coerente. A UE ainda não vai dar passos significativos na direção estratégica das medidas de política preconizadas no relatório Draghi por falta de uma vontade política mais agregadora de sinergias a nível europeu. A guerra na Ucrânia ainda não vai ter uma solução duradoura . E a nível global o perfil psicológico de Trump não vai restabelecer a confiança perdida pelos parceiros dos EUA. Enfim, 2026 vai ser um ano de transição.

“A produtividade não cresce pois ainda não estão criadas condições estruturais para tanto. E o emprego vai diminuir”

 

Pedro Teles Baltazar, presidente Nova Expressão, ComOn, Powemedia e presidente da Assembleia Geral da APAME

Para perspetivar 2026, mais um ano de interessantes desafios na indústria de Media, é necessário apontar dados relevantes de 2025 no mercado português. O investimento em media cresce mais ou menos 4%, a Impresa atrai para o seu capital know how de televisão e capital fresco; a Medialivre cresce com acionista relevante e operação vencedora e a boa primeira impressão da RTP 3, a faturação no segmento outdoor exponencia e o seu produto adapta-se aos tempos. Digital e Plataformas a consolidar e Rádio a escolher novos planetas. Nas agências de meios, a quota das nacionais cresce, aumento exponencial do uso da tecnologia nas operações. O ponto mais negativo foi a suspensão do Playce que acelerou a continuada transferência de investimento nacional para as plataformas internacionais. Para 2026, Portugal pode continuar a evidenciar as suas características de um país diferenciado no seu continente , mesmo com o inevitável aumento de perigosa agressividade entre uma Europa em renovação e uma frente leste sem escrúpulos. Toda a nossa economia vai continuar a atrair interesse e investimento de dimensão e toda a indústria de media vai ter maior obrigação de qualificar os seus conteúdos e cada vez mais conseguir acompanhar os desenvolvimentos dos seus mercados, e mentalidade e as escolhas das suas audiências. Sobre as agências de media, as consolidações Internacionais com repercussões e tendências no nosso mercado torna necessário que as regras de livre concorrência sejam respeitadas pelos novos operadores e como os melhores pensadores sabem, abuso de dimensão nunca traz nada de bom aos mercados.

“Para 2026, Portugal pode continuar a evidenciar as suas características de um país diferenciado no seu continente , mesmo com o inevitável aumento de perigosa agressividade entre uma Europa em renovação e uma frente leste sem escrúpulos”

 

Armindo Monteiro, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal 
2026 vai ser um ano de crescimento moderado: pouco mais de 2%. Um valor desta grandeza não terá impacto significativo na competitividade, produtividade e salários e a convergência com a Europa manter-se-á distante, apesar de crescermos acima da zona euro. Consumo, emprego e investimento – neste caso, ainda por efeito do PRR – permanecerão como principais motores da economia. Já as exportações voltam a ser penalizadas pela instabilidade internacional e a estagnação de mercados como Alemanha ou França. Podemos ainda assistir ao regresso do défice orçamental, cenário que inviabilizaria nova descida de impostos. Prevê-se, pois, um ano sem grande história do ponto de vista económico, o que até pode ser bom para os negócios. A não ser que a situação geopolítica se degrade ainda mais e o comércio global sofra novo abalo tarifário.
“Prevê-se, pois, um ano sem grande história do ponto de vista económico, o que até pode ser bom para os negócios”

 

Vitor Escária, director do ISG

2026 é mais um ano que se inicia com grande incerteza. A resiliência do mercado de trabalho, aumento dos rendimentos e conclusão de importantes projetos deverá alimentar a procura interna e o crescimento económico. Nas exportações, as de turismo deverão continuar dinâmicas (é fundamental eliminar os problemas registados nos últimos dias) e registar-se-ão comportamentos díspares em diferentes setores (menor dinâmica em setores maduros e aumentos em setores como a indústria farmacêutica) fruto da procura interna dos principais mercados e das alterações das cadeias globais de abastecimento. Os riscos parecem equilibrados e deverão permitir uma ligeira aceleração do crescimento face a 2025.

“Os riscos parecem equilibrados e deverão permitir uma ligeira aceleração do crescimento face a 2025”

 

Miguel Saraiva, Arquitecto e fundador da S+A

Para a arquitetura em 2026, o cenário económico oscila entre a oportunidade e a urgência de reformas. O novo Simplex é a grande esperança para desbloquear o investimento, mas carece de aprovação robusta na Assembleia da República. O motor de crescimento, ainda e pelo último ano o PRR, a sua execução exige máximo profissionalismo, sendo decisiva para o desenvolvimento económico (infraestruturas e tecnologia) do país. Porém, o sucesso exige mudanças estruturais. Urge atualizar o CCP, que atualmente não serve nem ao Estado, nem aos projetistas, nem à sociedade. Esta revisão deve alavancar a necessária valorização financeira dos arquitetos, historicamente desconsiderados na fileira da construção. Sem honorários justos, não há qualidade sustentável.

“O novo Simplex é a grande esperança para desbloquear o investimento, mas carece de aprovação robusta na Assembleia da República”

 

Martim Avillez Figueiredo, sócio fundador da CoRe Capital

Norman Lewis, um injustamente desconhecido escritor inglês que dedicou a vida a olhar o que o rodeava, descreveu assim uma terra que visitava: “um radioso local onde homens pequenos em chapéus grandes ainda ocasionalmente disparam uns sobre os outros”. Não julgo que exista melhor forma de descrever 2026: um ano radioso de oportunidades cuja sombra está nos chapéus grandes de muitos homens pequenos. Talvez por isso, na Core Capital, deixaremos novamente os chapéus em casa, arregaçaremos mangas e continuaremos o nosso plano de investimento na competitiva indústria nacional dos bens transacionáveis que, como antes, continuará necessitada de boa gestão e capital fresco. Larguem os chapéus! Bom ano!

“Na Core Capital, deixaremos novamente os chapéus em casa, arregaçaremos mangas e continuaremos o nosso plano de investimento na competitiva indústria nacional dos bens transacionáveis que, como antes, continuará necessitada de boa gestão e capital fresco”

 

Miguel Patrício, Chairman of the Board Kraft Heinz Company

A economia global terá em 2026 mais um ano de crescimento, impulsionado pelos investimentos em infra estrutura (especialmente relacionados a inteligência artificial), ao crescimento da indústria bélica , aos investimentos em energia , entre outros. Será mais  ano com queda de desemprego. No entanto, as classes sociais menos favorecidas sofrerão ainda mais. A inflação em alimentos, em parte devido ao aumento de tarifas mas também por redução de produtividade agrícola por questões climáticas, continuará em alta.  A dificuldade de acesso ao crédito imobiliário continuará a por pressão nos custos de arrendamento.  A China e USA continuarão cada vez mais a comandar a economia global e a Europa, com  muitas dificuldades em liderar o desenvolvimento económico mundial será cada vez mais coadjuvante…

“A inflação em alimentos, em parte devido ao aumento de tarifas mas também por redução de produtividade agrícola por questões climáticas, continuará em alta”

 

Miguel Farinha, Country Managing Partner da EY Portuguese Cluster

Na EY produzimos anualmente um Global Outlook para o ano seguinte e a nossa expectativa para 2026 é que o mesmo, globalmente, será marcado por um crescimento mais moderado face a 2025, mas com sinais claros de resiliência. Neste estudo identificamos cinco forças que vão moldar o cenário económico em 2026, nomeadamente as tensões comerciais, a aceleração da IA, a volatilidade nos mercados, as pressões fiscais e as mudanças demográficas. Estes temas exigirão das empresas uma capacidade acrescida de adaptação e acredito que quem investir em tecnologia, diversificar cadeias de fornecimento e adotar modelos de gestão mais ágeis estará mais bem preparado para enfrentar custos crescentes e a incerteza geopolítica, mantendo competitividade num cenário em rápida transformação.

“identificamos cinco forças que vão moldar o cenário económico em 2026, nomeadamente as tensões comerciais, a aceleração da IA, a volatilidade nos mercados, as pressões fiscais e as mudanças demográficas”

 

Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal

A Liga Portugal prepara-se para, em 2026, continuar a dar passos firmes e concretos na condução da centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissional, fundamental para a transformação do seu tecido socioeconómico, com impacto na fórmula de receitas e na atração de investimento. Vamos, a par desse processo, atuar em áreas como as infraestruturas desportivas, a experiência do adepto, o combate à pirataria, compliance e, no plano futebolístico, através do programa Meta 2028, serão trabalhadas medidas, com as sociedades desportivas, que melhorem a qualidade do jogo e aumentem o seu tempo útil. O objetivo é a maior capacitação dos planteis, nomeadamente em espaço competitivo internacional, e a reconquista do sexto lugar no ranking UEFA até 2028.
“A Liga Portugal prepara-se para, em 2026, continuar a dar passos firmes e concretos na condução da centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissional”

 

Gonçalo Lobo Xavier, diretor geral da APED

Em 2026, o retalho continuará a operar num contexto económico exigente, marcado pela instabilidade geopolítica, pela urgência de pôr fim à guerra na Ucrânia e pela necessidade de a Europa recuperar competitividade através de uma agenda clara de crescimento e desregulamentação. A pressão dos custos ao longo de toda a cadeia — salários, transportes, energia, logística e um enquadramento regulatório ambiental cada vez mais pesado — continuará a penalizar as empresas, com impacto direto nos preços e na capacidade de investimento. O setor enfrentará ainda um período intenso de adaptação operacional, com a entrada em funcionamento do Sistema de Depósito e Reembolso, já em abril, a preparação da aplicação do regulamento EUDR em 2027 e exigências crescentes na gestão de resíduos em múltiplos fluxos, dos equipamentos elétricos e eletrónicos aos têxteis e resíduos orgânicos. Neste contexto, a competitividade do retalho e da economia exige reformas estruturais claras: uma reforma laboral feita com coragem e esclarecimento, que promova flexibilidade e produtividade, e uma reforma fiscal que reduza a carga sobre o trabalho e as empresas, tornando Portugal mais atrativo ao investimento e ao crescimento sustentável.

“A competitividade do retalho e da economia exige reformas estruturais claras: uma reforma laboral feita com coragem e esclarecimento, que promova flexibilidade e produtividade”

 

Jorge Henriques, presidente da FIPA

Espero que em 2026, que vai ser um ano desafiante no contexto externo, se consiga criar o enquadramento certo para que a indústria portuguesa agroalimentar seja reconhecida como um pilar do desenvolvimento económico nacional. Acredito que a aposta no conhecimento, na expansão internacional e na valorização do que é produzido em Portugal será decisiva para esse percurso. Um ambiente político estável e regras claras serão, na minha opinião, fundamentais para estimular o investimento, melhorar o desempenho produtivo e reforçar a presença externa. É essencial que o setor seja visto como um parceiro estratégico na transição digital, no incremento de práticas sustentáveis e no reforço da segurança alimentar. Com maior articulação ao longo da cadeia e uma aposta contínua na qualidade, o agroalimentar poderá gerar ainda mais emprego, fortalecer o interior e aumentar a robustez da nossa economia. A reindustrialização na Europa, e em Portugal em particular, tem de passar das palavras aos atos. No sector Agroalimentar português já começámos a arregaçar as mangas.

“Espero que em 2026, que vai ser um ano desafiante no contexto externo, se consiga criar o enquadramento certo para que a indústria portuguesa agroalimentar seja reconhecida como um pilar do desenvolvimento económico nacional”

 

Américo Pinheiro, CEO da Ferreira de Sá

A liderança exige decisões claras, mesmo quando são impopulares”, dizia Eisenhower. Em 2026, esta máxima ganha renovado e irónico sentido no contexto económico e geopolítico global. Portugal e o sector do Design enfrentam os desafios clássicos com a urgência do momento: talento criativo, expansão internacional e fortalecimento de marca. O ano de 2026 será exigente, mas será dos que o desenharem com coragem.

“O ano de 2026 será exigente, mas será dos que o desenharem com coragem”

 

José Cardoso Botelho, empresário e gestor

Em 2026, a competitividade nacional exigirá a fusão estratégica entre investimento em infraestrutura e capital humano qualificado. O imobiliário, além de ativo seguro, deve catalisar setores de alto valor, como a transição energética e a industrialização da construção entre outras áreas críticas nomeadamente Life Sciences e Saúde. Portugal tem de se afirmar como hub atlântico estratégico entre UE e EUA, onde a retenção de talento e a produtividade ditam o crescimento. O futuro exige um ecossistema sofisticado, focado na reindustrialização tecnológica e em serviços avançados de escala global.

“Portugal tem de se afirmar como hub atlântico estratégico entre UE e EUA, onde a retenção de talento e a produtividade ditam o crescimento”

 

Rui Pinto Lopes, CEO da Pinto Lopes Viagens

Em 2026, o sector do turismo deverá continuar a caminhar para uma consolidação de modelos de viagem mais personalizados e sustentáveis. A aposta recai no aperfeiçoamento da experiência do viajante, com itinerários mais bem calibrados e maior atenção ao impacto nos destinos. Ganham especial relevância as viagens em grupos pequenos, tal como sugerem os circuitos “PLV Small Group Travel’, que permitem uma relação mais próxima com as comunidades locais, maior flexibilidade e uma vivência mais autêntica no destino. Em paralelo, reforça-se a escolha por soluções de mobilidade mais sustentáveis, como os Circuitos em Comboio, que estão novamente em voga e refletem uma forma de viajar mais responsável, onde conhecer o mundo implica também respeitá-lo.

“Em 2026, o sector do turismo deverá continuar a caminhar para uma consolidação de modelos de viagem mais personalizados e sustentáveis”

 

Carlos Vasconcelos, Chairman da Medway

No panorama nacional, acreditamos que iremos atravessar um período de estabilidade política, pelo menos nos próximos dois anos, o que é importante para o planeamento de investimentos, de medidas de gestão e de projetos. Como empresa de transportes ferroviários, continuamos a não entender a esquizofrenia do país que defende e apoia formalmente a política europeia para uma economia sustentável, tendo objetivos muito claros e quantificados em relação à emissões de CO2 e à correspondente transição modal no transporte de mercadorias, mas, simultaneamente, continua a aplicar medidas de beneficio da rodovia, com clara distorção da concorrência, como seja a eliminação de portagens na rede rodoviária, enquanto vai aumentando significativamente as taxas de uso na ferrovia. Para além das externalidades que claramente favorecem a rodovia, distorcendo a concorrência, o país continua a prosseguir um caminho que favorece o meio de transporte mais poluente, em lugar de criar as condições para apoiar o meio mais sustentável: a ferrovia. Em todo o caso, mau grado este cenário geral negativo, alguns passos recentes têm vindo a ser dados pelo Governo que nos permitem algumas esperanças, confiando que correspondem aos movimentos inicias de uma verdadeira política de incentivo ao transporte ferroviário (repito, apoiando os seus clientes/utentes e não os operadores ferroviários), esperando que tenham continuidade. Dito isto, confiamos que 2026 poderá representar um crescimento da economia que, embora ténue, terá um impacto positivo na logística e, por conseguinte, na nossa atividade de operador ferroviário de mercadorias.

“Confiamos que 2026 poderá representar um crescimento da economia que, embora ténue, terá um impacto positivo na logística e, por conseguinte, na nossa atividade de operador ferroviário de mercadorias”

 

Rafael Campos Pereira, vice-Presidente Executivo da AIMMAP e membro da Comissão Executiva da CIP

Mais do que nunca, a economia portuguesa será em 2026 fortemente condicionada pelo contexto internacional. Os constrangimentos gerados pelas políticas protecionistas dos EUA, continuarão a fazer estreitar o mercado mais apetecível da indústria exportadora portuguesa. Mais grave ainda, as iniciativas restritivas e contraditórias da Comissão Europeia, taxando a importação de matérias-primas e facilitando a entrada no mercado europeu de produtos acabados, irão reduzir ainda mais a competitividade das exportações nacionais. A exemplo do que sucedeu no segundo semestre de 2025, o crescimento económico em Portugal será essencialmente impulsionado pelo consumo interno pelo turismo. Infelizmente, o peso das exportações no PIB nacional continuará a cair. A única excepção de resiliência às adversidades e barreiras será protagonizada pelo Metal Portugal, cuja trajetória exportadora em 2025 foi crescente ao contrário da generalidade dos restantes sectores. Estou convicto de que essa tendência positiva se manterá em 2026.

“Mais do que nunca, a economia portuguesa será em 2026 fortemente condicionada pelo contexto internacional”

 

Pedro Ginjeira do Nascimento, secretário-geral da Business Roundtable Portugal

A reindustrialização, a inteligência artificial e a transição energética criam oportunidades reais, mas só para quem agir. Portugal tem talento e estabilidade, mas continua a perder tempo com um enquadramento fiscal e regulatório que penaliza quem quer criar riqueza e crescer.
Sem simplificação, sem previsibilidade, sem velocidade e sem um sistema fiscal que recompense a ousadia, a criação de riqueza, o aumento de escala e de produtividade, ficaremos a lamentar-nos enquanto outros avançam. A próxima década não será dos países que analisam e discutem, mas dos que fazem e valorizam quem faz. 2026 deve ser um ano de ação.

“Sem simplificação, sem previsibilidade, sem velocidade e sem um sistema fiscal que recompense a ousadia, a criação de riqueza, o aumento de escala e de produtividade, ficaremos a lamentar-nos enquanto outros avançam”

 

Jorge Camarneiro, Vice-presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas, e Médias Empresas (CPPME)

O ano de 2026 será novamente um ano muito complexo para as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME). O Orçamento do Estado aprovado não acolheu nenhuma das propostas concretas mais significativas, apresentadas pela CPPME, com vista à redução dos custos fixos e contextuais das empresas, assim como ao reforço da sua autonomia financeira. Num quadro económico marcado por incertezas, o desempenho da CPPME continuará a ser guiado pela defesa intransigente dos interesses das MPME, e a sua ação voluntária e dedicada sustentará a capacidade reivindicativa do sector, enquanto pilar fundamental da economia e sociedade portuguesa.
“Num quadro económico marcado por incertezas, o desempenho da CPPME continuará a ser guiado pela defesa intransigente dos interesses das MPME”
António Garção Cabeças, Professor Associado da Universidade Autónoma de Lisboa

No ano de 2026, continuará a recuperação da economia nacional, com crescimento moderado, sustentado pelo consumo interno e pelo investimento, apesar da incerteza geopolítica internacional. O aumento das taxas de juro afetará o crédito e os financiamentos, exigindo grande rigor financeiro nas empresas e na gestão das contas públicas. A competitividade dependerá de três transições interligadas: a digital (com uso de inteligência artificial), a energética e a criação de competências. O sucesso empresarial dependerá da inovação, da adaptação contínua, de investimentos estratégicos e de uma gestão disciplinada, recorrendo a instrumentos como o PRR. Também será fundamental o aumento da produtividade, área em que o nosso país se encontra abaixo da média dos países da União Europeia (UE).

“O aumento das taxas de juro afetará o crédito e os financiamentos, exigindo grande rigor financeiro nas empresas e na gestão das contas públicas”

 

Pedro Coelho, CEO e fundador da Square Asset Management

Apesar da incerteza global, Portugal continuará a ser um país atrativo para os investidores, pela qualidade de vida, pela mão de obra qualificada e pelas boas oportunidades de negócio, também no mercado imobiliário. Para os fundos de investimento imobiliário, cujo foco são os ativos comerciais, antecipa-se como provável que as rentabilidades se mantenham entre os 3% e os 7%, tendo em conta o aumento das rendas de 2,25% com a consequente valorização dos imóveis, pelo que continuaremos focados na máxima rentabilização para os investidores com o mínimo risco possível.

“Para os fundos de investimento imobiliário, cujo foco são os ativos comerciais, antecipa-se como provável que as rentabilidades se mantenham entre os 3% e os 7%”

José Macário Correia, Presidente da Assembleia Municipal de Faro
Teremos um ano de 2026 que a partir de fevereiro será tranquilo. Janeiro e principio de fevereiro terão agitação com as presidenciais, depois entraremos em acalmia politica e em termos económicos teremos um bom ano turístico com água no Algarve e no resto do pais e teremos condições de novos investimentos. Contamos com a paz em Gaza e na Ucrânia para normalizar o Mundo. Poderemos ter algo de novo na Venezuela, a caminho da democracia. Esperamos que o Verão seja calmo em termos de incêndios e com transparência no uso dos meios e na sua contratação. E com menos bebés a nascerem em ambulâncias. O novo aeroporto de Lisboa e a nova ponte do Tejo, além do Hospital Central do Algarve têm que dar passos concretos.
” O novo aeroporto de Lisboa e a nova ponte do Tejo, além do Hospital Central do Algarve têm que dar passos concretos”

António Nogueira Leite, Professor da Nova SBE e Presidente da Mapfre Portugal

O ambiente de negócios em Portugal em 2026 deve ser caracterizado por crescimento económico estabilizado em torno dos 2 % e um mercado de trabalho robusto, o que sustenta o crescimento da procura interna, beneficiando ainda dos investimentos do PRR. As empresas portuguesas têm anunciado importantes intenções de investimento, especialmente em inovação e transição verde, revelando mesmo um otimismo acima da média europeia. O país continua a atrair investimento direto estrangeiro, com destaque para tecnologia e serviços profissionais. Persistem, contudo, entraves estruturais que, são obstáculos ao crescimento e à competitividade e que podem limitar expansão empresarial, sobretudo num contexto de risco global elevado dados os desafios geo-estratégicos.

“Persistem, contudo, entraves estruturais que, são obstáculos ao crescimento e à competitividade e que podem limitar expansão empresarial, sobretudo num contexto de risco global elevado dados os desafios geo-estratégicos”

 

Fundador e CEO da Havelar, José Maria Ferreira

2026 será um ano decisivo para a Havelar e para a própria transformação do setor da construção. Após uma fase de forte investimento em tecnologia, engenharia e validação do modelo de impressão 3D, entramos no ano da afirmação industrial. O objetivo é claro: construir cerca de 300 casas, demonstrando que é possível responder à crise da habitação com escala, rapidez e sustentabilidade. Num contexto económico ainda desafiante, acreditamos que as empresas capazes de executar, industrializar e inovar serão as que liderarão o futuro. Para a Havelar, 2026 marca esse ponto de viragem.

“Num contexto económico ainda desafiante, acreditamos que as empresas capazes de executar, industrializar e inovar serão as que liderarão o futuro”

 

Miguel Aguiar, Diretor Executivo da Startup Portugal

Em 2026, o empreendedorismo português entra numa fase de superação. Depois da consolidação, com números recorde de startups, o foco passa a ser escalar melhor: mais scaleups, mais ambição global e maior impacto económico em áreas como defesa e IA. Temos de apostar na qualidade, facilitando acesso a capital late-stage, conectando startups a corporate ventures, além de atrair mais talento especializado. Portugal tem vantagem competitiva clara – agora temos de nos assumir como motor europeu de inovação.

“Temos de apostar na qualidade, facilitando acesso a capital late-stage, conectando startups a corporate ventures, além de atrair mais talento especializado”

 

Manuela Tavares de Sousa, Membro Executivo da Lacasa

Para o próximo ano, a reinvenção manter-se-á como um eixo estruturante. A indústria do chocolate continuará a evoluir num contexto de adaptação permanente, impulsionado por consumidores cada vez mais atentos a escolhas conscientes e a estilos de vida mais saudáveis. Neste enquadramento, a procura por alternativas plant-based e por opções de chocolate negro, associadas a um menor teor de açúcar, deverá manter-se. Em paralelo, as soluções on the go, práticas e prontas a consumir, continuarão a assumir relevância. Estas têm sido algumas das apostas estratégicas da Lacasa, cuja atuação assenta na inovação e na antecipação de tendências. Com 170 anos de história, a Lacasa mantém uma visão orientada para o futuro, reforçando a ligação aos consumidores e o papel do chocolate como momento de prazer e criação de boas memórias.

“A indústria do chocolate continuará a evoluir num contexto de adaptação permanente, impulsionado por consumidores cada vez mais atentos a escolhas conscientes e a estilos de vida mais saudáveis”
Paulo Veiga, CEO da EAD
2026 será um ano de ajuste à realidade. Com o fim do PRR, a economia portuguesa deixa de ter rede e volta a enfrentar os seus problemas estruturais: baixa produtividade, excesso de burocracia e fraca escala empresarial. O aumento do salário mínimo é socialmente necessário, mas sem ganhos reais de produtividade continuará a pressionar margens, sobretudo nas PME. O desafio central será fazer mais e melhor com menos apoios. As empresas que investirem em eficiência, tecnologia, qualificação e cultura de gestão vão aguentar. As outras sentirão que o tempo do crescimento fácil acabou.
“O aumento do salário mínimo é socialmente necessário, mas sem ganhos reais de produtividade continuará a pressionar margens, sobretudo nas PME”
Paulo Abrantes, diretor-geral do Grupo Decisões e Soluções
2026 continuará a ser um ano de desafios, mas também de oportunidades para a consolidação do mercado imobiliário e da intermediação de crédito em Portugal. A evolução das condições financeiras, aliada à confiança das famílias, poderá contribuir para um ambiente mais favorável ao investimento nestes setores. Neste sentido, o aconselhamento especializado assume um papel essencial para ajudar as famílias a tomarem decisões financeiras responsáveis e adaptadas ao seu perfil, contribuindo para um mercado sólido e alinhado com o crescimento da economia nacional. Para o Grupo DS, em particular, 2026 será um ano onde vamos apostar no crescimento do número de lojas, colaboradores e clientes satisfeitos.
“2026 continuará a ser um ano de desafios, mas também de oportunidades para a consolidação do mercado imobiliário e da intermediação de crédito em Portugal”
Carlos Leal, Executive Chairman da United Hospitality Management (UHM)
Em 2026, a economia portuguesa continuará a depender da capacidade de transformar crescimento em valor sustentável. Para o turismo e hospitalidade, pilares essenciais da economia, o desafio será evoluir da quantidade para a qualidade. A procura manter-se-á forte e exigente, e a escassez de mão de obra e concentração territorial continuarão a pressionar as empresas a investir em pessoas, infraestruturas e inovação.
A colaboração público-privada, alinhada com a identidade e qualidade de vida das comunidades, será crucial. O turismo continuará a gerar impacto positivo nos territórios e nas suas pessoas e a contribuir para a projeção de Portugal no mundo, desde que assente numa estratégia sustentável e de longo prazo.
“O turismo continuará a gerar impacto positivo nos territórios e nas suas pessoas e a contribuir para a projeção de Portugal no mundo, desde que assente numa estratégia sustentável e de longo prazo”
Rui Silva, Diretor Geral da GuestReady em Portugal
Integrar AL, estadias corporativas, arrendamento mobilado e boutique hotéis num modelo único e tecnológico será o principal objetivo da GuestReady, que quer continuar a afirmar-se como o operador de hospitalidade mais fiável em Portugal. A aposta na gestão de edifícios e operações multi-unidade assim como a expansão e crescimento em Lisboa, Madeira e Açores são outros dos destaques.  Esperamos que o setor do AL continue o seu caminho de consolidação, com mais profissionalismo e exigência. As unidades menos qualificadas tenderão a sair do mercado por já não estarem à altura das expectativas dos hóspedes. Acreditamos que quem operar com qualidade e visão integrada continuará a crescer num mercado mais maduro e competitivo.
“Esperamos que o setor do AL continue o seu caminho de consolidação, com mais profissionalismo e exigência”
Rui Torgal, CEO da ERA Portugal
Em 2026, o setor imobiliário português deverá continuar a crescer. A forte procura, aliada a uma oferta ainda insuficiente, mantém a pressão sobre os preços e agrava os desafios no acesso à habitação, sobretudo nas grandes cidades. Num contexto macroeconómico exigente, o ano irá favorecer operadores mais profissionais, estruturados e confiáveis, capazes de liderar a transformação e consolidação do setor. A inovação será cada vez mais um ponto de diferenciação importante para chegar aos clientes portugueses e aumentar a literacia imobiliária em Portugal.
“Num contexto macroeconómico exigente, o ano irá favorecer operadores mais profissionais, estruturados e confiáveis, capazes de liderar a transformação e consolidação do setor”

 

Luís Mira Amaral, Engenheiro e Economista

Os contornos da nova ordem impulsionada por Trump tornar-se-ão claros em três dimensões. A primeira diz respeito ao futuro das democracias liberais ocidentais com a ameaça do RN (Rassemblement National) em França, da AfD na Alemanha, do Reform UK no Reino Unido e com as eleições americanas em novembro, onde veremos se o MAGA se consolida; a segunda é que na geopolítica veremos se a postura transacional de Trump evoluirá para uma abordagem hibrida em três dimensões: acordos de paz no mundo (designadamente em Gaza e Ucrânia); intervencionismo musculado no quintal americano (nomeadamente na América Latina); acordos oportunísticos nas cadeias de abastecimentos que asseguram os metais críticos (como o que Trump fez com a Ucrânia); a terceira é na economia. Veremos se haverá correções nos mercados bolsistas e se há bolha criada pela IA, qual o impacto das tarifas nos consumidores, se há sustentabilidade nos défices americanos e se Trump consegue controlar o banco central americano.

“Veremos se haverá correções nos mercados bolsistas e se há bolha criada pela IA, qual o impacto das tarifas nos consumidores, se há sustentabilidade nos défices americanos e se Trump consegue controlar o banco central americano”

 

Luís Ferreira, Reitor da Universidade de Lisboa

No próximo ano, é expectável que as universidades portuguesas reforcem a ligação ao tecido económico, com maior foco na empregabilidade, na investigação aplicada e inovação e na captação de financiamento externo. A economia nacional deverá manter um crescimento contido, apoiado no turismo, nos fundos europeus e num consumo cauteloso. No setor dos negócios, o cenário aponta para consolidação: menos risco, mais eficiência operacional, digitalização gradual e aposta seletiva na internacionalização. Em resumo: Um ano de continuidade previsível, sem sobressaltos nem avanços excecionais.

“Em resumo: Um ano de continuidade previsível, sem sobressaltos nem avanços excecionais”

 

Filipe Santos, Dean da Católica-Lisbon

Apesar dos riscos para a economia global, o ano de 2026 deverá trazer para a economia portuguesa uma continuação do sólido desempenho que tem tido desde 2023 e que recebeu o reconhecimento do The Economist como Economia do Ano em 2025. O crescimento de emprego poderá abrandar fruto das restrições à imigração e ao fim do PRR mas manter-se-á positivo. O investimento privado e público deverá aumentar, bem como o consumo das famílias devido ao aumento do rendimento real dos portugueses, fruto do aumento do salário mínimo e das reduções de IRS. As contas públicas manter-se-ão excedentárias em 2026 embora menos que em 2025, continuando a sólida trajetória de redução da dívida pública. É importante notar que a incerteza geo-política mundial beneficia Portugal, fruto da sua localização segura, atratividade crescente para o talento global, criação de empresas, investimentos na economia verde e digital, e criação de centros de desenvolvimento de multinacionais.

As contas públicas manter-se-ão excedentárias em 2026 embora menos que em 2025, continuando a sólida trajetória de redução da dívida pública”

 

António Sousa Pereira, Reitor da Universidade do Porto

Portugal pode esperar um crescimento económico acima da média europeia no próximo ano se a atual estabilidade política corresponder a uma estabilidade das políticas económicas, financeiras e fiscais. Para este crescimento se tornar estrutural são necessárias, no entanto, políticas públicas de ciência e de inovação que permitam ao país ter ganhos de produtividade consistentes que permitam tornar os seus bens e serviços mais competitivos no mercado global. A forma como se irá concretizar a fusão da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) na Agência Nacional de Inovação – ANI será determinante neste processo.

“Portugal pode esperar um crescimento económico acima da média europeia no próximo ano se a atual estabilidade política corresponder a uma estabilidade das políticas económicas, financeiras e fiscais”

 

Maria de Lurdes Rodrigues, Reitora do ISCTE

O Panorama 2026 – a nova publicação anual do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do ISCTE no início de cada ano – antecipa que o crescimento do PIB português, apesar de fraco, permanecerá acima da média da União Europeia, permitindo manter alguma convergência com o rendimento médio da Europa se a inflação continuar estável e a política orçamental se mantiver prudente. A chave do crescimento estrutural da economia portuguesa passa, no entanto, por uma política de ciência consistente e autónoma e pela sua articulação virtuosa com a inovação nas empresas: a extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), e a submissão do investimento em ciência à lógica economicista, não dão, infelizmente, garantias nesse sentido.

“O crescimento do PIB português, apesar de fraco, permanecerá acima da média da União Europeia, permitindo manter alguma convergência com o rendimento médio da Europa se a inflação continuar estável e a política orçamental se mantiver prudente”

 

Pedro Oliveira, Dean da Nova SBE

Em 2026, a IA será o principal motor de transformação nos negócios em Portugal. Espera-se maior adoção de IA generativa em atendimento, marketing, análise de dados e automação de processos, com ganhos de produtividade. As empresas vão competir por talento e por dados de qualidade, enquanto crescem exigências de conformidade (ex.: AI Act) e cibersegurança. Setores como banca, seguros, retalho, turismo, saúde e serviços partilhados devem liderar. As melhores oportunidades estarão em soluções verticais, integração com sistemas existentes e eficiência operacional. O impacto estende-se às universidades: a IA tende a tornar o ensino mais adaptativo, com tutores digitais e percursos personalizados, com docentes para orientação e pensamento crítico. A avaliação mudará, com menos exames padronizados e mais portfólio de projetos, para responder à facilidade com que a IA gera respostas. Na investigação, a IA encurtará ciclos de descoberta e aumentará a produtividade científica. O desafio central será ético e institucional: integridade académica, transparência, desigualdades e necessidade de literacia em IA.

“As melhores oportunidades estarão em soluções verticais, integração com sistemas existentes e eficiência operacional”

 

Joaquim Brigas, Presidente do Instituto Politécnico da Guarda

O que esperar de 2026 na economia e nos negócios? Segundo os economistas, os salários em 2026 continuarão a somar ganhos reais e estarão associados à intensificação da procura de mão de obra, particularmente em profissões mais qualificadas, pelo que o país deverá reforçar o investimento no ensino superior. O crescimento, no entanto, só será estrutural se for partilhado por todo o território. O Governo prometeu que o Interior irá crescer acima da média nacional, mas tal só será possível se a política de coesão territorial abranger também o ensino superior. Porém, o aumento de vagas e os incentivos financeiros que favorecem a frequência de instituições nas áreas metropolitanas, contrariam esses objetivos de coesão territorial.
“O crescimento, no entanto, só será estrutural se for partilhado por todo o território”

Pedro Arezes, Reitor da Universidade do Minho

Em 2026, acredito que o grande desafio da economia e dos negócios será responder a um contexto de instabilidade geopolítica prolongada, com impactos significativos nas cadeias de valor globais, no investimento e na confiança dos mercados. Este cenário exigirá maior capacidade de adaptação, inovação e visão estratégica por parte das organizações. Acredito que as universidades possam assumir um papel decisivo na formação de talento crítico qualificado, na produção de conhecimento relevante e no reforço da autonomia científica e tecnológica, contribuindo para que Portugal possa ser uma economia mais resilientes e preparada para tempos de incerteza.

“Em 2026, acredito que o grande desafio da economia e dos negócios será responder a um contexto de instabilidade geopolítica prolongada, com impactos significativos nas cadeias de valor globais, no investimento e na confiança dos mercados”

 

 Alexandra Andrade, Country Manager da Adecco Portugal

Em 2026, os negócios que vão destacar-se serão os que conseguirem alinhar tecnologia com propósito humano. A Inteligência Artificial continuará a evoluir, mas o verdadeiro diferencial estará na liderança empática, na valorização do talento e na capacidade de antecipar tendências com agilidade. A competitividade não será medida apenas por resultados financeiros, mas pela resiliência, cultura e impacto social. As empresas que invistam em capacitação contínua, diversidade e modelos de trabalho sustentáveis estarão mais preparadas para crescer de forma consistente num mercado em constante transformação.

“A competitividade não será medida apenas por resultados financeiros, mas pela resiliência, cultura e impacto social”

 

Álvaro Fernández, Diretor-Geral da Michael Page Portugal

Em 2026, antecipa-se uma maior maturidade nas decisões empresariais, sustentada por políticas de talento estruturadas e estratégicas. Os estudos da Michael Page indicam que a escassez de competências críticas continuará a condicionar recrutamento, retenção e políticas salariais, em conformidade com a nova Diretiva Europeia sobre Transparência Salarial, que entra em vigor em junho de 2026. O crescimento dependerá da capacidade das organizações reforçarem produtividade, previsibilidade e atratividade para talento qualificado, promovendo simultaneamente inovação e adaptação contínua, com impacto direto na sustentabilidade e competitividade do mercado.

“Em 2026, antecipa-se uma maior maturidade nas decisões empresariais, sustentada por políticas de talento estruturadas e estratégicas”

 

Pedro Rocha e Silva, Managing Director da LHH | DBM Portugal

economia deverá crescer em 2026, mas de forma moderada. As economias avançadas tenderão a crescer pouco (perto de 1%–2%), enquanto várias economias emergentes da Ásia continuarão a ser o principal motor do crescimento global. Enquanto fatores que estimulam esse crescimento, salientaria o investimento em inteligência artificial e automação, que reforçará a produtividade e competitividade em múltiplos setores. O possível alívio gradual das taxas de juro e a atual resiliência dos mercados de trabalho tenderão a sustentar o investimento e consumo. Apesar de 2026 chegar com alguns sinais positivos de viragem, subsistem alguns riscos que poderão funcionar como travão ao crescimento e comprometer algumas expetativas, nomeadamente o aumento de tarifas e a fragmentação do comércio internacional, que encarece importações, pressiona margens e trava investimento e comércio global, a par com a incerteza geopolítica (conflitos e tensõeentre grandes potências) que pesa na confiança de empresas e consumidores.
Para as empresas, isto significa que 2026 tenderá a ser um ano de crescimento com cautela: mais foco em produtividade, eficiência e gestão de risco do que eexpansão agressiva. Empresas melhor posicionadas serão as que conseguirem combinar tecnologia (IA, automação) com talento qualificado, capacidade de adaptação a um comércio mais fragmentado e atenção a custos financeiros e geopolíticos.

“O possível alívio gradual das taxas de juro e a atual resiliência dos mercados de trabalho tenderão a sustentar o investimento e consumo”

 

Rui Teixeira, Diretor Geral do ManpowerGroup Portugal

Em 2026, a economia portuguesa deve manter uma trajetória de crescimento acima da média europeia, com aceleração do PIB a ser sustentada pela procura interna, suportada em grande medida pelo consumo das famílias e por um mercado de trabalho globalmente estável. O pico de execução do PRR e os esforços de transformação digital deverão igualmente reforçar o investimento e impactar positivamente a economia. Apesar destes sinais positivos, o contexto externo continuará marcado pela incerteza e tensões geopolíticas, resultando num menor dinamismo das nossas exportações, incluindo um abrandamento do turismo já sentido em 2025. Neste contexto, as decisões de investimento tenderão a ser mais prudentes e a criação de emprego mais seletiva.

“As decisões de investimento tenderão a ser mais prudentes e a criação de emprego mais seletiva”

 

Luís Miguel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da AEP

A nível mundial, a economia vai continuar a ser confrontada com desafios estruturais e conjunturais, que exigem reflexão, ação e cooperação entre governos, instituições e empresas. A incerteza geopolítica, o ajustamento das cadeias de valor globais e as tensões comerciais vão continuar a ser fatores de risco. O estabilidade entre políticas monetárias cautelosas e a necessidade de sustentar a atividade económica continuará a ser um desafio central. A economia portuguesa, embora sempre muito adaptável, não está livre dos riscos descendentes que caracterizam o quadro exterior. Apesar da incerteza externa, o Boletim Económico do Banco de Portugal, de dezembro, sinaliza uma revisão ligeiramente em alta das projeções de crescimento para Portugal em 2026, com estimativas de crescimento do PIB de 2,3%, refletindo um ambiente interno relativamente estável. No entanto, os riscos externos, incluindo tensões comerciais, choques nos preços das commodities e alterações nas condições financeiras globais, podem influenciar o dinamismo da procura externa e pressionar ainda mais as exportações portuguesas. É muito preocupante que, em contraste com o desempenho favorável dos últimos anos, as exportações portuguesas de bens tenham perdido quota de mercado – e de forma relativamente generalizada por produto -, quer nos mercados da União Europeia quer fora da União Europeia. A competitividade das empresas portuguesas é um fator determinante para enfrentar todos estes riscos e aproveitar as oportunidades que se perfilam em 2026. A acelerada transformação tecnológica, as exigências ao nível da sustentabilidade e as expectativas dos consumidores obrigam as empresas a repensar as suas prioridades, as suas formas de competir e de criar valor. É urgente reforçar a nossa intensidade exportadora, promover a inovação e melhorar o clima de investimento, com políticas que eliminem a burocracia, simplifiquem o quadro regulamentar e melhorem o sistema fiscal.

“A competitividade das empresas portuguesas é um fator determinante para enfrentar todos estes riscos e aproveitar as oportunidades que se perfilam em 2026”

 

Paulo Gonçalves, diretor executivo da APICCAPS

Não obstante uma conjuntura internacional de grande de complexidade, temos a expectativa de que 2026 seja um ano de afirmação do calçado português nos mercados internacionais. Para isso, o setor do calçado empreenderá um conjunto de inovativas para consolidar a presença nos mercados europeus ao mesmo tempo que procurará reforça o posicionamento noutras regiões.

“O setor do calçado empreenderá um conjunto de inovativas para consolidar a presença nos mercados europeus ao mesmo tempo que procurará reforça o posicionamento noutras regiões”

 

José Couto, presidente da AFIA

A nossa expectativa é que a Comissão Europeia consiga operacionalizar o plano de resgate do setor automóvel e que o Governo português o aplique em Portugal. A Europa tem de encontrar caminho para gerar e aumentar a riqueza. A proteção da indústria europeia é também essencial, para poder competir com os dois mais importantes blocos comerciais, a China e os Estados Unidos. Por outro lado, e fora do âmbito industrial, espero que a Europa saiba encontrar uma posição equilibrada de apoio à Ucrânia.

“A Europa tem de encontrar caminho para gerar e aumentar a riqueza”

 

Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal

A prioridade para 2026 é a recuperação das exportações nacionais de vinho – que tem de passar por dois vetores: a estabilização das exportações para os Estados Unidos, que sofreram uma queda acentuada nos meses mais recentes; e a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, que acredito que venha a ser assinado brevemente – o que será muito bom para o vinho nacional e para o comércio em geral, uma vez que há clausulas de salvaguarda para os setores que ficam mais expostos à concorrência da produção sul-americana. E continuamos a achar que é possível que as tarifas impostas à entrada dos vinhos europeus nos Estados Unidos venham a desaparecer. Seria excelente que isso acontecesse. Ainda temos esperança.

“Continuamos a achar que é possível que as tarifas impostas à entrada dos vinhos europeus nos Estados Unidos venham a desaparecer”

 

Bruno Ferreira, Managing partner da PLMJ

Não estamos na melhor fase do mundo, isso é certo. A incerteza parece ser o novo pano de fundo para a política, a economia, o investimento. Temos de nos habituar a conflitos armados efetivos ou iminentes, a mais protecionismo económico, ao ressurgimento dos nacionalismos e populismos. Penso que teremos um abrandamento do crescimento global, que o tema da inteligência artificial será crucial para mitigar alguma depressão económica porque continuará a sustentar o investimento. Em Portugal, há uma perspetiva de estabilidade política, que é sempre um dado positivo, ainda que já nos tenhamos habituado a que tudo por aqui mude de um dia para o outro.

“Penso que teremos um abrandamento do crescimento global, que o tema da inteligência artificial será crucial para mitigar alguma depressão económica porque continuará a sustentar o investimento”

 

Paula Gomes Freire, Managing partner da VdA

Tarifas, inteligência artificial, tensão, guerra são palavras que continuarão a marcar o ritmo em 2026 que, tudo indica, será um ano de continuada incerteza à escala global. Neste contexto adverso e apesar das contidas perspetivas de crescimento económico na Europa, olho para Portugal e para 2026 com bastante otimismo. Portugal apresenta um notável desempenho económico entre 2022 e 2025, marcado por sólidos superavits nos setores público e privado, redução da dívida, crescimento do capital humano e fortalecimento da sua notação de rating, antecipando-se que em 2026 volte a crescer acima da média europeia. Admitindo que é possível preservar o atual ciclo de estabilidade política, Portugal tem todas as condições para, em 2026, continuar a afirmar-se como um dos principais destinos de investimento na Europa, circunstância que, no atual contexto, é também favorecida pela sua localização periférica e atlântica. Destacaria ainda dois pilares fundamentais de competitividade que hoje se verificam em Portugal: infraestrutura, nomeadamente de comunicações, de elevada qualidade e um ecossistema de inovação dinâmico, capaz de atrair talentos globais. Juntos criam um ambiente único e atrativo para investimentos estratégicos e crescimento económico. Neste contexto é de esperar que, em 2026, se destaquem as seguintes áreas: Infraestruturas, considerando as intenções do atual Governo nesta matéria. Energia, pela sua centralidade na transformação digital. Digital e Defesa pelo alinhamento com a política industrial europeia e considerando a vantagem competitiva de Portugal em matéria de preços de energia. O desenvolvimento de data centres e os anunciados investimentos da Microsoft são reveladores do potencial destas áreas no nosso país.

“Tarifas, inteligência artificial, tensão, guerra são palavras que continuarão a marcar o ritmo em 2026 que, tudo indica, será um ano de continuada incerteza à escala global”

João Duque, professor catedrático de Finanças do ISEG

Depois do ano de 2025 cuja volatilidade provocada pela entrada em funções da nova administração Trump, tendo em conta os esforços de paz e o clima “fazedor” da mesma administração Trump, estou à espera de um ano mais estável em termos económicos mundiais. A União Europeia (UE) já definiu a sua trajetória futura e com a inflação estabilizada e o sucesso de algumas recuperações económicas e de novos governos no centro da Europa, mesmo que esses crescimentos não sejam exuberantes deverão ser capazes de nos dar um ano animador de expectativas e incentivo ao investimento na Europa. Até em termos de política monetária não antecipo oscilações de rumo. Saibamos lidar com as contestações internas aos novos acordos com o Mercosul, os esforços de paz na Europa e alguns desequilíbrios internos na Europa, por exemplo, em termos de populações migrantes, e poderemos acabar o ano com um excelente resultado.
“Saibamos lidar com as contestações internas aos novos acordos com o Mercosul, os esforços de paz na Europa e alguns desequilíbrios internos na Europa, por exemplo, em termos de populações migrantes, e poderemos acabar o ano com um excelente resultado”
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