Airbus, Deco Proteste e Natixis voltam a passar no crivo e são Top Employers 2025. Esta quarta-feira na Conferência Top Employers 2025, que decorreu no ISEG, em Lisboa, revelaram o que têm em comum e que as distingue de muitas outras empresas a operar em Portugal. Também falaram de tendências e desafios.
“O futuro do trabalho centra-se no ser humano e não é somente uma tendência futura, já é assim no presente”, afirma Ana Figueiredo Lopes, Head of People & Culture da Airbus.
A era industrial assente em horários rígidos, por norma, das 8h00 às 17h00, estrutura hierárquica vertical vincada, pouca consideração pelo trabalhador deu lugar a uma era em que o trabalho está centrado no conhecimento, tal como as profissões. A mudança traz novidades. “Temos de dar mais flexibilidade e autonomia às pessoas”, caso contrário “elas vão-se embora”, assegura. “Temos que criar pertença, propósito e compromisso – só assim continuaremos a avançar para sermos uma organização de topo”, adianta.
A responsável pelas Pessoas da Airbus em Portugal anuncia o fim do equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional. A tendência futura “é a integração”. Da mesma forma, considera que a flexibilidade dos horários de trabalho e dos lugares onde o trabalho é produzido, são outro caminho sem retorno. “É nesta lógica de flexibilidade e de autonomia que temos de tratar os colaboradores, tratá-los exatamente como nós gostaríamos de ser tratados”, salienta.
O aprofundamento do Lifelong Learning Skills (competências do futuro) é outra tendência. Na Airbus, adianta, já se está a trabalhar nas critical skills e também nas competências que vão ser requeridas daqui a cinco anos. “Antecipação e continuidade na aprendizagem é fundamental para uma empresa de topo”, afirma.
“O que precisamos nas organizações é criar uma cultura de colaboração real”, adianta, acrescentando que tal requer a criação de espaços que permitam essa colaboração. Nas organizações, segundo Ana Figueiredo Lopes, também é preciso criar uma cultura de segurança psicológica – “ter um espaço de onde as pessoas possam avançar ideias sem medo de errar”. As melhores inovações acontecem, muitas vezes, quando erramos e voltamos a fazer”.
Ana Figueiredo Lopes garante que “diversidade e inclusão estão no ADN” da empresa, que se orgulha da sua “multiculturalidade e equilíbrio de género nas equipas”. O propósito de bem estar e a sustentabilidade são outras prioridades, adianta.
A Airbus Global Business Services (Airbus GBS) afirma-se como um dos melhores lugares para trabalhar no país. Recebe pelo terceiro ano consecutivo a certificação Top Employer em Portugal, Europa e, pela segunda vez, a certificação Global, com mais de 20 entidades em países por todo o mundo. A empresa tem escritórios em Lisboa e Coimbra e integra para cima de um milhar de colaboradores de 47 nacionalidades.
Susana Nunes, diretora de Recursos Humanos e Comunicação Interna da Deco Proteste, falou da “maratona” corrida até ao Top Employers, onde figura pelo terceiro ano consecutivo. Destacou o papel das pessoas e a sua paixão pelo propósito da organização – “os nossos valores não estão só no papel”; “acreditamos que mudamos a sociedade”; “desde a atração até à saída o respeito pela pessoa está sempre presente”.
As boas práticas incluem, segundo explicou, estratégia de pessoas e negócios, engagement escuta dos colaboradores, liderança com foco no desenvolvimento de líderes, organização para a mudança, apontando ao growth mindset; ética com integridade.
“Queremos continuar a ser uma referência”, adiantou, salientando o desafio que se prefigura: Precisamos de digital mindset” a todos os níveis.
A Natixis começou em 2017 no Porto, onde representa um dos maiores investimentos em recursos humanos realizados pelo Groupe BPCE no mundo. Numa evolução vertiginosa conta já com 2600 colaboradores em Portugal.
O projeto junta, nas palavras de Maurício Marques, Head of HR, a “ingenuidade de startup com os processos de um banco estabelecido”. O responsável pelos Recursos Humanos da financeira descreve “uma cultura centrada nas pessoas”, que promove “um ambiente de trabalho atrativo, motivador e adaptado às diferentes necessidades dos colaboradores”.
A financeira segue um modelo de trabalho híbrido muito baseado nas necessidades dos departamentos, que têm autonomia para o fazer. “Em termos dos espaços de trabalho temos oportunidade de fazer diferente, temos espaços de trabalho que têm gerado reações muito positivas de quem nos visita”.
Exemplos? As “Villages”, espaços que privilegiam as reuniões de equipa, brainstormings e a partilha de ideias são vistos como um exemplo pioneiro dos escritórios do futuro. Os colaboradores têm também acesso gratuito a modalidades como Yoga e Pilates, e a espaços inclusivos, como o Prayer Room e o Lactation Room, atendendo às diversas necessidades dos colaboradores.
Rebecca Lundin, Client Success Advisor do Top Employers Institute, foi a oradora principal da Conferência Top Employers 2025, trazendo para o auditório do ISEG, em Lisboa, onde decorreu o evento esta quarta-feira, uma das mais recentes tendências no mundo do trabalho e dos recursos humanos: a neurodiversidade e a importância de se criarem empresas inclusivas.
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