O tamanho do bolo

É urgente comparar as vantagens das restrições nas atividades económicas na luta contra a Covid-19 com as desvantagens dessas mesmas restrições que decorrem do aumento da pobreza e diminuição do consumo.

De acordo com os dados divulgados pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) através do Boletim Trimestral de Estatística, entre o 4.º trimestre de 2019 e o período homólogo de 2020 observaram-se as seguintes variações na Região Autónoma da Madeira:

· -67,5% no movimento de passageiros nos aeroportos da Madeira e do Porto Santo;

· -65,9% nos proveitos totais dos alojamentos turístico;

· -65,6% nas dormidas em alojamento turístico. Em 31 de março o Económico Madeira noticiou, divulgando também estatísticas da DREM, que entre fevereiro de 2020 e o mês homólogo de 2021 a queda de dormidas de não residentes foi de 92%, sendo o caso mais preocupante o do mercado emissor Reino Unido em que a queda registada foi de 96%.

Sabe-se ainda que de março de 2020 para o mês homólogo de 2021 o número de hotéis à venda na Região aumentou de 5 para 20.

Servem estes dados de base para refletirmos sobre a situação da economia regional. Não vou gastar palavras sobre a questão da distribuição dos males pelas aldeias, pois esse é o tema preferido das reflexões que vou lendo e ouvindo por aí. Prefiro deter-me sobre a questão do tamanho do bolo.

Podemos classificar as principais atividades económicas entre produção, distribuição e consumo. A produção diz respeito ao tamanho do bolo, a distribuição à fatia do bolo que cabe a cada um, e o consumo à satisfação de cada um comer a sua fatia. Ora, quando a produção faz com que o bolo seja diminuído para um tamanho muito pequeno, as atividades de distribuição e consumo ficam altamente condicionadas. Por mais bem distribuído que seja um bolo muito pequeno, as fatias serão sempre reduzidas, provavelmente insuficientes para alimentar devidamente as bocas nas atividades de consumo.

Quando se assistem a quedas das magnitudes acima descritas no principal motor da economia regional, pode-se adiar o problema através de endividamento, e podem-se distribuir fatias muito parecidas em tamanho a cada um, mas o que não se pode é evitar a realidade de que o bolo está muito mais pequeno. Essa realidade traduz-se em números tão preocupantes como a situação de muitas famílias atingidas pelo desemprego, por lay-offs intermináveis, e por moratórias que não vão durar para sempre:

· Mais 30,4% de desempregados nos centros de emprego entre fevereiro de 2020 e o mês homólogo de 2021;

· Aumento para 128,3% do rácio da dívida pública regional sobre o PIB regional no fim de 2020, que corresponde em termos absolutos a uma Dívida Bruta Regional no valor de 5 109 milhões de euros, mais 446 milhões de euros em relação ao fim de 2019 (este montante de dívida pública regional corresponde a uma média superior a 20 mil euros por habitante);

· Taxa de desemprego de 10,7%, a mais alta dos últimos 5 anos.

Parece-me urgente aumentar o tamanho do bolo. É urgente comparar as vantagens das restrições nas atividades económicas na luta contra a Covid-19 com as desvantagens dessas mesmas restrições que decorrem do aumento da pobreza e diminuição do consumo.

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