A minha política industrial contava com o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) para diversificar a estrutura produtiva, aumentar o nosso conteúdo tecnológico, fornecer emprego qualificado e abrir novos mercados para as exportações.
Com o IDE conseguimos avançar para a produção de máquinas elétricas e não elétricas, material de transporte e componentes para o setor automóvel, desenvolvendo e consolidando um cluster automóvel que tem exportado à volta de 13 mil milhões de euros/ano.
Dois dos mais felizes exemplos foram a Autoeuropa e a Continental, grande empresa alemã fabricante de pneus que se instalou em Lousada. Com a ajuda da minha amiga Carmo Jardim, então a trabalhar na SIVA, importadora oficial do grupo Volkswagen (VW), convidei para um almoço em Genebra o membro do Conselho de Administração da VW com o pelouro financeiro (CFO), Dieter Ullsperger, e conseguimos assim pôr o nosso país no radar da VW.
Nascia assim o projeto da Autoeuropa. Também constituí no Ministério da Indústria o GAPIN, Gabinete de Apoio à Participação da Indústria Nacional, o qual fomentou e dinamizou as empresas de componentes para serem fornecedoras da Autoeuropa numa primeira fase e, aproveitando essa alavancagem, passarem depois a exportar para o mercado global.
Assim, dinamizámos o referido cluster automóvel. A Autoeuropa foi um excelente exemplo de empresa integradora e exportadora, que devemos seguir na captação de IDE, pois abre mercado para fornecedores nacionais se tornarem depois também exportadores. Temos boas notícias na passagem do veículo de combustão interna (VCI) para o veículo elétrico (VE), com a fabricação de VE na fábrica da Stellantis, em Mangualde, e, mais recentemente, com o anúncio da produção na Autoeuropa de um pequeno VE, o modelo ID. EVERY1, com uma potência de 70kw (95 cv), uma autonomia de 250 km e um preço à volta de 20.000 euros.
Também a construção de uma fábrica de baterias da chinesa CALB em Sines e a exploração de lítio nos projetos mineiros de Boticas e Montalegre permitirão desenvolver uma cadeia de valor que vai do lítio à produção de baterias para alimentar a produção de VE.
Por outro lado, temos no nosso cluster um conjunto de empresas que produzem componentes metálicos e de plástico para os VCI, e que continuarão a ser necessários para os VE. Tal permitirá que esse tipo de fornecedores dos VCI da Autoeuropa possam continuar a ser fornecedores do modelo elétrico que a Autoeuropa vai produzir em Portugal.



