OCDE prevê que economia portuguesa cresça apenas 1,7% em 2021 e 1,9% em 2022

“Economic Outlook” prevê recuperação mais lenta da economia nacional do que a prevista pelo Governo e um pico do desemprego no próximo ano. Mas revê em baixa a quebra do PIB em 2020, apontando para 8,4%.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que o produto interno bruto (PIB) de Portugal aumenta apenas 1,7% em 2021 e 1,9% em 2022, depois de uma descida de 8,4% neste ano. Estas previsões, que constam do “Economic Outlook” divulgado pela entidade nesta terça-feira, comparam-se com os dois cenários que avançara no verão, e em que, consoante a evolução da pandemia de Covid-19, haveria uma quebra de 9,4% ou de 11,3% neste ano, seguida de uma recuperação de 6,3% ou de 4,8% em 2021.

As previsões agora reveladas pela OCDE são bastante mais pessimistas do que o cenário avançado pelo ministro das Finanças, João Leão, para a elaboração do Orçamento do Estado para 2021, onde se pressupunha um crescimento de 5% em 2021 e de 3,4% em 2022. E ainda no défice público, que a organização estima cifrar-se em 6,3% no próximo ano, quando o Governo de António Costa apontava para 4,3% do PIB, que poderiam aumentar ligeiramente com as medidas incluídas pela oposição durante a votação na especialidade.

Segundo o documento divulgado pela OCDE nesta terça-feira, a “recuperação mais ampla” da economia portuguesa só deverá acontecer a partir de 2022, “nomeadamente em setores mais afetados, como o do turismo e o do alojamento, no pressuposto de que a situação sanitária vá melhorar devido à distribuição de uma vacina eficiente”.

“A elevada incerteza quanto à evolução da pandemia e o forte peso do turismo no PIB irá travar a velocidade da retoma até que exista uma vacina eficiente. O investimento das empresas irá recuperar alavancado nas taxas de juro baixas e nos fundos comunitários”, defende o relatório.

Ainda segundo o “Economic Outlook” da OCDE, a taxa de desemprego atingirá um máximo de 9,5% em 2021, acima dos 7,3% esperados neste ano, começando a reduzir-se em 2022, quando deverá descer para 8,2%. Para facilitar a reafetação de trabalhadores a organização recomenda programas de formação profissional.

Por seu lado, a dívida pública, que chegará a 136,1% em 2020, deverá chegar a 139,7% em 2021, baixando para 138,8% em 2022.

Recuperação será gradual

Segundo a OCDE, as exportações portuguesas terão uma recuperação percentual acima das importações em 2021, ao contrário do que acontecer’a este ano – as exportações sofrerão uma quebra de 21,3%, enquanto as importação descerão 16,1% – e do que irá suceder em 2022. Segundo as previsões da OCDE, as exportações portuguesas vão aumentar 5,8% nesse ano, enquanto as importações subirão 6,9%.

“Uma recuperação mais lenta do que o esperado no turismo e nas economias dos parceiros comerciais poderá limitar ainda mais as exportações”, adverte a organização, alertando também para os efeitos adversos no sector financeiro devido ao incumprimento de empréstimos concedidos a empresas dos ramos de atividade mais afetados, ao mesmo tempo que as garantias dos estados podem resultar “num fardo adicional para as finanças públicas”.

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