OE2021: CDS-PP diz que crise política é “artificial” e é urgente conter recessão económica

O líder democrata-cristão, Francisco Rodrigues dos Santos, considera que a hipótese de não haver acordo no Orçamento do Estado para o próximo ano é apenas “artificial” e salienta que é “fundamental” encontrar respostas para evitar “números de desemprego e de insolvências superiores àqueles que enfrentámos por ocasião da crise das dívidas soberanas”.

António Pedro Santos/Lusa

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, considerou esta quarta-feira que mais do que “levantar poeira” com a possibilidade de não haver acordo no Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) é “fundamental” encontrar respostas para os problemas do país. O líder democrata-cristão considera que a hipótese de uma crise política é apenas “artificial” e salienta que é urgente reforçar o peso das exportações no PIB.

“Mais do que estamos a especular com a crise artificial e os pressupostos desse entendimento, é fundamental que se possa projetar um Orçamento do Estado que responda aos desafios que Portugal atravessa neste momento em que se avizinha uma recessão económica”, afirmou Francisco Rodrigues dos Santos, após uma reunião com o presidente do Fórum para a Competitividade, Pedro Ferraz da Costa, na sede do CDS-PP, em Lisboa.

O líder centrista sublinhou que é da opinião de todos os parceiros económicos e da sociedade civil que a recessão económica que se avizinha vai trazer consigo “números de desemprego e de insolvências superiores àqueles que enfrentámos por ocasião da crise das dívidas soberanas” e que é preciso encontrar soluções “mais do que estamos a levantar a poeira sobre possíveis entendimentos à esquerda para validação” do OE2021.

“Os arranjos que são conhecidos é que, para haver viabilização das políticas de esquerda, até aqui a geringonça funcionava a três partes, com o PS, PCP e BE e parece que quando um não quer, três não dançam”, referiu, a propósito das dificuldades entre o Governo e os partidos à esquerda do PS e PAN em chegar a acordo nas negociações do Orçamento para o próximo ano.

Francisco Rodrigues dos Santos afirmou que, durante a reunião, teve oportunidade de aprofundar pontos de vista e propostas com Pedro Ferraz da Costa que “vão beber ao diagnóstico da situação económica” que o país atravessa e aos contributos do Fórum para a Competitividade para o OE2021, bem como as soluções que o CDS-PP irá propor “em tempo próprio” para “reforçar a economia e fazer face à emergência social”.

A necessidade de reforçar o peso das exportações no PIB foi um das conclusões a que o líder do CDS-PP e o presidente do Fórum para a Competitividade chamaram. “Isso faz-se com a aposta na produtividade, nos setores produtivos, mas também na internacionalização das nossas empresas, procurando novos mercados de destino para escoar os seus produtos”, indicou.

Francisco Rodrigues dos Santos disse ainda que outro dos eixos estratégicos deverá passar pela melhoria do sistema de ensino técnico e profissional, que “não pode continuar a ser estigmatizado em Portugal”. “Há a necessidade de haver mão de obra disponível para um conjunto de profissões e setores económicos emergentes e, neste momento, não existe, infelizmente, mão de obra disponível para fazer face a essas carências do mercado de trabalho”, disse.

“Portugal tem de apostar na formação, que interessa particularmente aos mais jovens, numa época de transição digital, onde esses novos conhecimentos podem fazer com que as novas gerações encontrem colocação no mercado de trabalho em áreas que lhes são atrativas e assim ajudar a crescer a nossa economia”, acrescentou.

Ler mais
Relacionadas

OE2021: João Ferreira defende que “não é tempo” de condicionar negociações com “fantasma da crise”

O eurodeputado comunista e candidato a Presidente da República entende que a estabilidade política “não pode assentar na instabilidade social” e que o Presidente da República tem de estar empenhado em dar resposta aos problemas do país.

OE2021: Líder parlamentar do PCP diz que ameaça de crise política foi criada “artificialmente” pelo Governo e Presidente

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, garante que o PCP vai intervir no Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) da “mesma forma” como interveio em orçamentos anteriores e assegura que “não há decisões prévias” em relação à votação da proposta orçamental.
Recomendadas

PremiumSetor das águas admite queixa contra o Estado em Bruxelas

Empresas de águas e resíduos admitem apresentar queixa contra o Estado devido à medida que prevê o financiamento de resgates de concessões.

“Não desistimos de nenhuma batalha antes de acabar”. PCP apresenta propostas de alteração ao OE 2021

Entre as medidas apresentadas, no campo da justiça fiscal, João Oliveira anunciou que os comunistas pretendem a “atualização dos escalões IRS, o aumento de mais um escalão neste imposto aumentando a progressividade do mesmo, bem como o aumento dos chamados valores do mínimo de existência e dedução especifica, permitindo cumprir o objetivo de redução da tributação dos rendimentos mais baixos, intermédios”.

Conselho de Ministros aprova Estratégia Portugal 2030

O Governo define que esta estratégia assenta num “melhor equilíbrio demográfico, maior inclusão, menos desigualdade; digitalização, inovação e qualificações como motores do desenvolvimento; transição climática e sustentabilidade dos recursos; e um país competitivo externamente e coeso internamente”.
Comentários