OE2021: PCP diz que não pode estar “descansado” com “sinais” do Governo sobre aumentos salariais

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defende que o aumento do salário mínimo nacional é essencial para o desenvolvimento do país e é fundamental promover uma política de valorização dos direitos dos trabalhadores.

Tiago Petinga/LUSA

O Partido Comunista Português (PCP) afirmou esta quarta-feira que os “sinais” que o Governo tem dado, nas negociações do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) não deixam o partido “descansado”. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defende que o aumento do salário mínimo nacional é essencial para o desenvolvimento do país e é fundamental promover uma política de valorização dos direitos dos trabalhadores.

“Os sinais que vem da parte do Governo não são para nos deixar descansados, quer em relação ao salário mínimo quer em relação aos salários da Administração Pública ou em relação a outras matérias”, disse Jerónimo de Sousa, no debate com o Governo sobre política geral, na Assembleia da República.

Segundo o secretário-geral do PCP, “o desenvolvimento do país e a resposta à crise exigem o aumento dos salários de todos os trabalhadores”, sejam do setor público ou do privado, e o aumento do salário mínimo nacional, que, “no curto prazo, deveria atingir os 850 euros”.

“Vai o Governo decididamente contribuir para a melhoria das condições de vida, para combater a recessão, criar emprego e desenvolver o país, contribuindo para promover uma política de valorização geral dos salários e direitos dos trabalhadores ou vai acompanhar as opiniões dos que apostam no agravamento da crise e quando se fala dos salários só encontram as medidas do zero ou do poucochinho?”, questionou.

Em resposta a Jerónimo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, referiu que partilha da ideia de que “a valorização do rendimento das famílias é uma componente essencial do processo de recuperação económica” e que, ao invés de recorrer às habituais medidas de austeridade, o Governo está comprometido em “apoiar a proteção do emprego e os rendimentos de quem está na eventualidade da perda de emprego”.

“É necessário manter o objetivo de, até ao final da legislatura, atingir os 750 euros de salário mínimo nacional (…) E este ano tem de haver um aumento do salário mínimo nacional que seja significativo, como sinal de confiança para quem trabalha, ainda tendo em conta as dificuldades que estamos a viver”, garantiu, acrescentando que um aumento do salário mínimo “não deixará de implicar “um aumento do vencimento base na Administração Pública”.

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