OE2021: PS acusa Bloco de colocar “agenda política” à frente das “necessidades do país”

O vice-presidente da bancada socialista João Paulo Correia garante que o OE2021 vai de encontro às reivindicações à esquerda e sublinha que nenhum português perceberia que fosse criação uma crise política, com a inviabilização da proposta orçamental por parte do Bloco de Esquerda.

O Partido Socialista (PS) acusou esta segunda-feira o Bloco de Esquerda (BE) de estar a colocar a sua “agenda política” à frente dos interesses do país, nas negociações do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021). O vice-presidente da bancada socialista João Paulo Correia garante que o OE2021 vai de encontro às reivindicações à esquerda e sublinha que nenhum português perceberia que fosse criação uma crise política.

“Houve um conjunto de exigências que foram colocadas ao Governo e às quais responde este Orçamento do Estado com novas medidas e novos avanços. O BE não tem condições de as desperdiçar, em nome da sua agenda política. O BE não pode colocar o país numa crise política em cima de uma crise económica e social”, afirmou João Paulo Correia, em declarações à RTP3, sobre as reticências dos bloquistas em viabilizar o OE2021.

João Paulo Correia acredita que “ainda há margem” para o BE continuar a negociar a proposta orçamental com o Governo e o PS e “viabilizar o OE2021”, apesar de a coordenadora bloquista, Catarina Martins considerar que o documento não dá a resposta necessária à crise. “O que está em cima da mesa é uma grande tentação para que a agenda política do BE se sobreponha àquilo que o grande desafio e as necessidades do país”, referiu.

“Este Orçamento, além de não deixar que nenhuma medida conquistada até hoje com os nossos parceiros parlamentares, neste caso também com o Bloco de Esquerda, construiu avanços. Houve exigências que foram colocadas em cima da mesa e o Governo atendeu a essas exigências e o OE contempla essas medidas”, salientou.

Entre as medidas que o PS consideram que foram atendidas pelo Governo no OE2021 estão o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com a contratação de “milhares” de profissionais de saúde, o aumento do subsídio de desemprego, a moratória para que a caducidade não seja imediata na contratação coletiva, a proibição de despedimentos por parte das empresas com lucro em 2020 e a criação de uma nova prestação social “para que as pessoas não continuam a viver abaixo do limiar da pobreza”.

João Paulo Correia sublinhou ainda que a exigência do BE para que o Estado não empreste mais dinheiro ao Fundo de Resolução para que seja injetado no Novo Banco também “está contemplada no OE2021”, mas lamenta que, “à última da hora”, os bloquistas tenham apresentado “uma nova linha vermelha” para que o Fundo de Resolução não se financie diretamente da banca. “Não podemos andar com linhas vermelhas todos os dias”, frisou.

“A reação do BE nos últimos dias, do nosso ponto de vista, não agrada a nenhum português (…) Nenhum português perceberia e aceitaria que, em cima de uma crise de saúde pública, económica e social, haja uma crise política. Isso iria dificultar ainda mais aquilo que é a recuperação económica que todos desejamos que seja rápida”, salientou ainda o ‘vice’ da bancada socialista.

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