Olivier: “Quero o mundo inteiro para mim, e mesmo assim não chega”

O chef português abriu um restaurante em Banguecoque para consolidar a internacionalização da marca SEEN, em parceria como grupo hoteleiro Minor. Mas não esquece o país em que nasceu e prepara a expansão nacional dos restaurantes que tem em Lisboa. Apesar de ter feito 20 anos de carreira profissional em 2018, Olivier da Costa está “na cozinha há 40 anos”.

O topo do Avani Riverside Bangkok Hotel foi invadido pela gastronomia do chef português Olivier da Costa. A expansão e consolidação da internacionalização para a Tailândia foi a aposta mais recente do chef e empresário para a marca SEEN.

Foi por ter ocupado o 26º andar do hotel, que também conta com um resort adjacente e com o rio Chao Phraya a perder de vista, que a marca SEEN, em conjunto com o grupo hoteleiro Minor, se expandiu para a Tailândia. O restaurante abriu a 7 de março e a festa de inauguração contou com a presença de mais de mil pessoas. Mantém as mesmas linhas dos já existentes em Lisboa e São Paulo, com um bar que revela ser a peça central e com uma “decoração Olivier de A a Z”, embora “com um formato mais hollywoodesco”, que incluí dançarinas “à moda da Ásia”.

O chef sublinha que o restaurante na capital tailandesa é “uma versão aditivada do conceito SEEN”, sendo que o espaço consegue ser maior do que os já existentes. No entanto, o ponto que Olivier considera mais atrativo é a vista, apesar de ser diferente da que existe na capital portuguesa. “Quando chega a altura do pôr do sol, por volta das 18h00, os turistas sobem todos ao rooftop para tirar fotografias para as redes sociais e há pessoas a atirar-se para a piscina. É incontornável apreciar a vista do topo deste hotel”, explica o chef.

Apenas curtos meses após a abertura do SEEN Lisboa, em novembro de 2018, o convite do grupo Minor para expandir a marca para o continente asiático foi bem recebida por Olivier da Costa e pela sua equipa. Além da iluminação e decoração escolhida de forma meticulosa pelo português, também o seu representante foi escolhido a dedo, embora admita que foi “amor à primeira vista”.

Alexandre Castaldi é francês e ainda não tem 30 anos, mas foi a escolha de Olivier da Costa para gerir a cozinha do seu restaurante mais longínquo. A escolha baseou-se no treino que fez em cozinhas bastante famosas pelas estrelas Michelin, por viver em Banguecoque há seis anos e conhecer a cidade que o rodeia como a palma da sua mão.

Os preços na capital tailandesa vão ser semelhantes aos praticados nos restantes restaurantes em parceria com o grupo de hotelaria Minor. As refeições irão rondar uma média entre 50 e 70 euros por pessoa, o que não deverá ser uma surpresa para os clientes mais assíduos da marca SEEN.

Quando questionado sobre o próximo plano de expansão, Olivier diz que existe um destino no horizonte ainda que o negócio não esteja totalmente encerrado. Ao assumir que vai expandir, o chef admite que a localização é a chave do seu negócio, uma vez que “a vista é a principal característica da marca SEEN” e que estes restaurantes nunca poderão ser “numa cave ou rés do chão”.

Em conversa com o Jornal Económico, o chef assumiu que quer “o mundo inteiro, e que mesmo este não chega” mas sublinha que “tem de ser um passo de cada vez”, com o plano de expansão certo e marcas certas.

Atualmente, o conhecido chef português tem sete marcas próprias: K.O.B (exclusiva para carnes), Olivier Avenida, Guilty, Yakuza First Floor (exclusiva de sushi), SEEN, Petit Palais e Savage, sendo esta uma parceria, divulgada em janeiro, com a Uber Eats.

A existência de propostas e planos para internacionalizar diversas marcas, como a K.O.B, Guilty ou Yakuza First Floor, mostram que Olivier não tem só mãos para a cozinha mas também para os negócios. Ainda que o trajeto seja a expansão nacional para outras cidades em Portugal, a saída de Portugal pode estar a chegar para estas marcas.

Manuel Simões de Almeida, amigo pessoal do chef há 30 anos e responsável de marketing da marca ‘Olivier’ desde 2017, gaba a “capacidade inata de criar conceitos, sendo que o Olivier já tem oito conceitos em carteira prontos para arrancar amanhã caso alguém esteja interessado”. E o diretor de marketing sublinha que, no momento, estão interessados em expandir com o apoio de parceiros “que valorizem a posição do nome ‘Olivier’ no mercado e que estejam prontos para dar o passo em função do crescimento”.

Restaurante cashless

Com 22 velas de carreira profissional sopradas em 2018, o chef rejeita a ideia que sejam tão poucos. “Tenho 43 de idade e são 40 de carreira. Desde que me lembro que estou dentro de uma cozinha”. Mas é aqui que o chef mostra as ambições e o que falta fazer com o grupo Olivier.

“O meu objetivo é que começem a conhecer a marca ‘Olivier’ antes dos 25, que neste momento é a idade média apresentada pelos clientes que frequentam os nossos espaços”. Para isso, o chef revela a mais recente novidade: o Savage vai abrir em formato físico e “vai tomar conta do palácio”.

A abertura ao público vai ser a 1 de abril, no Petit Palais, onde já decorre a preparação dos pratos para o serviço de entregas. Não é essa a única novidade, pois “vai ser o primeiro restaurante cashless em Portugal”. Só a funcionar com multibanco ou com o serviço MB Way, o responsável diz que se vai focar nos jovens com 16 anos, “de forma a que tenham vontade de crescer no mundo que criei”. No entanto, vai abrir em formato pop-up, o que significa que ficará aberta pouco tempo, “entre dois a três meses”. Apesar de abrir fisicamente, a parceria com a Uber Eats continua a funcionar normalmente.

Com a consolidação do negócio em 2017, o ano de 2018 trouxe prosperidade para as diversas marcas criadas, com o lançamento de novos projetos até ao primeiro trimestre deste ano.

Além da reabertura do Guilty na Avenida da Liberdade em dezembro e da estreia no Porto com o K.O.B, o chef confirma que há mais aberturas em 2019 e que também existem novidades que ainda não pode revelar.

A abertura do SEEN em Banguecoque reabre a caixa mágica do negócio criado pelo português. Entre abril e maio, porque “o projeto ainda está atrasado”, vai abrir o Yakuza First Floor em Cascais, no Sheraton Cascais Resort. Em maio, ainda sem dia definido para a abertura, o Guilty ruma ao Porto e junta-se às carnes maturadas do K.O.B, que se mudou para a baixa portuense. E o Yakuza First Floor volta a abrir no Algarve em junho, quando o verão der os primeiros ares de graça às praias algarvias.

A receber entre 1.500 a 2.500 clientes diários no conjunto dos seus restaurantes, o grupo Olivier faturou 8,8 milhões de euros em 2018, quando só detinha cinco restaurantes. Este valor representa mais 10% do que em 2017, e para este ano a fasquia subiu para nove milhões de euros, embora a previsão do grupo seja ultrapassá-la, devido à abertura de mais restaurantes no norte de Portugal.

As parcerias da marca Olivier com o grupo Minor ou com os proprietátios do Pine Cliffs arrecadaram 14 milhões de euros no total do ano passado. Desse modo, a marca do cozinheiro português aponta para um objetivo mais elevado, a tocar nos 20 milhões de euros, entre todas as parcerias e novos projetos que chegarão este ano.

Artigo publicado na edição nº 1982 de 29 de março do Jornal Económico

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