‘Operação Olissipus’: Oito inquéritos com suspeitas de corrupção em projetos de urbanismo levam a buscas na Câmara de Lisboa

A Polícia Judiciária efetuou esta terça-feira buscas na Câmara de Lisboa, nas instalações do Campo Grande e nos Paços do Concelho. Autarquia confirmou suspeitas relacionadas com vários projetos urbanísticos e empreitadas. Em causa estão crimes de abuso de poder, participação económica em negócio, corrupção, violação de regras urbanísticas e tráfico de influências no âmbito de oito inquéritos crime que convergem para o mesmo alvo.

A Polícia Judiciária (PJ) esteve terça-feira, 20 de abril, a fazer buscas na Câmara Municipal de Lisboa relacionadas com as suspeitas de crimes de abuso de poder, participação económica em negócio, corrupção, violação de regras urbanísticas e tráfico de influências no âmbito de oito inquéritos crime que convergem para o mesmo alvo: a área de urbanismo da autarquia da capital. Foram realizadas 28 buscas, das quais 10 domiciliárias, que se estenderam além de Lisboa, a Sintra, Cascais, Caldas da Rainha e Alvor.

O Jornal Económico sabe que estão em causa suspeitas de crimes cometidos no exercício de funções públicas com os oito inquéritos já abertos pela justiça, que resultaram de denúncias, incluindo da própria autarquia liderada por Fernando Medina, a convergirem para o mesmo alvo: a área de urbanismo que foi liderada pelo ex-vereador Manuel Salgado.

Buscas foram confirmadas pela autarquia que dá conta de suspeitas relacionadas com vários projetos urbanísticos e empreitadas. Inspetores da Unidade de Combate à Corrupção (UNCC) estão recolher documentos e elementos de prova através da análise computadores em dois edifícios onde está instalado o departamento de gestão urbanística, no Campo Grande.

A Autarquia da Lisboa confirmou que “esta manhã uma equipa da Polícia Judiciária, a pedido do DIAP, realizou buscas nas instalações da Autarquia no Campo Grande e Paços do Concelho”, detalhando as diligências estão relacionadas com várias denúncias, “incluindo a participação ao Ministério Público pelo próprio Município na empreitada na Segunda Circular cancelada pela autarquia”.

Em causa estarão “processos urbanísticos (Hospital da Luz, Torre da Av. Fontes Pereira de Melo, Petrogal, Plano de Pormenor da Matinha, Praça das Flores, Operação Integrada de Entrecampos, Edifício Continente, Twin Towers, Convento do Beato)”. E “empreitadas: Segunda Circular, São Pedro de Alcântara e Piscina Penha de França. Tanto a empreitada anulada pelo Município na Segunda Circular, como a Torre de Picoas e Hospital da Luz, já tinha sido adiantado, pela Procuradoria-Geral da República, estarem a ser alvo de investigação”.

Segundo a câmara liderada por Fernando Medina, tanto a empreitada anulada pelo Município na Segunda Circular, como a Torre de Picoas e Hospital da Luz, já tinha sido adiantado ao jornal Público, pela Procuradoria-Geral da República, estarem a ser alvo de investigação, a 18 de julho de 2017.  “As diligências hoje efetuadas são as primeiras que a Câmara tem conhecimento sobre estes processos”, conclui.

O Município facultou toda a documentação e prestou toda a colaboração ao Ministério Público e PJ, como sempre acontece quando solicitado.

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