Os negócios que combatem o plástico

A Maria Granel, a Mind The Trash ou a Soditud são exemplos de empresas portuguesas que nasceram como alternativa aos produtos descartáveis e à base de plástico.

Diariamente usamos mil milhões de palhinhas de plástico e 721 milhões de garrafas descartáveis. Se continuarmos a este ritmo, em 2050 haverá mais plástico do que peixe no mar. “As limitações ao uso de plásticos serão cada vez maiores, bem como alternativas recicláveis ou biodegradáveis”, diz João Wengorovius Meneses, secretário-geral do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD) Portugal para 2019. Escovas de dentes de faia, palhinhas biodegradável ou a venda a granel de produtos biológicos são alguns dos negócios pensados para travar os milhões de toneladas de plástico que todos os anos vão parar aos Oceanos.

A Mind The Trash é um dos exemplos. Surgiu inicialmente como conta de instagram, em Londres, onde a fundadora Catarina Matos viveu cerca de dois anos e meio. Ali, teve acesso a inúmeros produtos alternativos ao plástico e começou a aplicar várias mudanças no seu dia-a-dia. Nesta cidade conheceu também o atual parceiro de negócio, o dinamarquês Christian Andersen, com quem se mudou novamente para Portugal em Março de 2017.

“Quando eu e o Christian nos mudámos para Portugal, decidimos então abrir a loja online Mind The Trash para divulgar todos os produtos que já estavamos a usar no nosso dia-a-dia. Assim, em Agosto de 2017, lançámos a primeira loja online portuguesa desperdício zero”, diz Catarina Matos ao Jornal Económico.

Hoje em dia, além da venda de produtos sustentáveis (como escovas de dentes, champôs sólido ou cápsulas de café reutilizáveis), alternativos ao plástico, publicam inúmeras dicas e pesquisas sobre a temática da sustentabilidade. “O nosso combate [ao uso do plástico] passa pela consciencialização e pela apresentação de alternativas. A decisão de abrir a loja online deveu-se ao facto de querermos disponibilizar este tipo de produtos a toda a gente, independentemente de onde morassem. É essencial chegarmos às zonas que não têm recolha de reciclagem e onde é urgente introduzir produtos alternativos aos descartáveis e à base de plástico. O grande problema é que muitos destes produtos disponibilizados em massa, nem sequer podem ser reciclados, ficando por centenas de anos em aterros. Podemos dizer que o nosso objetivo está a ser cumprido pois temos encomendas para “Estrada Nacional X, km X”, onde nem sequer existe número de porta pois são a única casa na zona”, explica a fundadora.

Conseguir que todas as pessoas comam em pratos biodegradáveis e que não sejam obrigadas a utilizar materiais que danifiquem o ambiente”. É esta a ambição da Soditud, a empresa que coloca no mercado português produtos ambientalmente sustentáveis. “Neste momento comercializamos soluções alternativas ao plástico descartável, tão amigas do ambiente que até se podem comer. Soluções fabricadas na Europa para garantir segurança ao consumidor. É o caso da primeira palhinha biodegradável e também comestível da Sorbos. Da louça Biotrem, dos copos cupffee, aptos para bebidas quentes, incluindo café. E copo de café comestível”, afirma ao Jornal Económico Pedro Cadete, um dos responsáveis pela Soditud, juntamente com Luís Simões.

O objetivo da Soditud é reduzir ao máximo a pegada ambiental e deixar um mundo em “condições para os nossos filhos”. “Durante os processos produtivos não é utilizado plástico descartável. Nas palhinhas Sorbos até a fita cola de fecho de embalagem é de papel. Para a louça e copos usamos plástico para preservar os produtos em vácuo pois não existe outra forma industrial de o conseguir”, diz o responsável.

Já a Maria Granel é a primeira “Zero Waste Store” portuguesa, uma mercearia biológica a granel e loja de acessórios “plastic free”. A ideia nasceu em 2013 e foi sendo alimentada e maturada até 2015. Quando abriram portas, contávam com 240 produtos expostos num espaço de 70m2. “Neste momento, temos um portefólio de mais de 1000 produtos, uma segunda lojade 150m2 em Campo de Ourique, loja online (157 produtos), e uma secção de detergentes e de beleza a granel (champôs líquidos; champôs sólidos, dentífricos sólidos, óleos e sabonetes bio, nacionais e certificados) e cosmética bio, vegan, com embalagem em bambu e sem plástico, e com refill. [recarga]”, conta ao Jornal Económico, Eunice Maia, sócia fundadora da Maria Granel.

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