A época de resultados teve início com a divulgação de alguns dos principais bancos norte-americanos, num contexto favorável aos mercados acionistas. Apesar deste quadro positivo e dos máximos registados por vários índices acionistas, do DAX alemão ao S&P 500, passando pelo Russell 2000 e pelo Nasdaq, num movimento transversal a diferentes estilos (value ou growth) e capitalizações (large ou small caps), típico do favorável “efeito de janeiro”, o ouro continua a atingir máximos históricos. Este comportamento reforça o papel do metal amarelo na diversificação e proteção das carteiras, sustentado pela persistente incerteza geopolítica.
As tensões geopolíticas, desde a captura do presidente Nicolás Maduro às tensões no Médio Oriente e à postura dos EUA relativamente à Gronelândia, são um terreno fértil para o principal metal precioso global, uma vez que a importância do ouro como reserva de valor desde o início da civilização, há cerca de seis mil anos, é transversal a todas as sociedades e intemporal.
A prata, por sua vez, beneficia tanto do efeito de contágio do ouro como das perspetivas de maior procura industrial, em particular nos setores associados à transição energética. Neste contexto, também o cobre, principal metal industrial, continua a negociar em máximos históricos.
A evolução do rácio ouro-prata, que em abril superou o valor de 100, sinalizando uma prata muito barata face ao ouro, impulsionou a procura deste metal (o átomo 47). Desde então, o rácio recuou para níveis próximos de 50, num movimento marcado pela valorização significativa da prata, o metal com melhor condutividade [do universo conhecido], evidenciando agora que a prata se encontra relativamente cara face ao ouro, tendo em conta os dados históricos ao longo dos últimos 40 anos.
No início da semana, os dados de inflação nos EUA saíram em linha com o esperado, não alterando as perspetivas quanto à evolução da política monetária. O mercado continua a antecipar dois cortes das taxas de juro em 2026 por parte da Fed, com o primeiro a ser esperado para junho, já sob a liderança de um novo governador, uma vez que Jerome Powell deverá abandonar o cargo em maio. Para a reunião de final do mês, a 28 de janeiro, não são esperadas quaisquer alterações às taxas de juro. Paralelamente, os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA caíram para 198 mil na semana terminada a 10 de janeiro, o valor mais baixo desde a semana de 29 de novembro, evidenciando um mercado de trabalho ainda resiliente no que toca aos despedimentos.
Isto é, as empresas norte-americanas podem estar mais cautelosas na contratação, como mostra a descida das ofertas de emprego do JOLTS, mas continuam, para já, a não despedir. Todavia, o recuo na contratação poderá estar a ser parcialmente compensado pela crescente adoção da inteligência artificial em determinados segmentos do mercado de trabalho, ajudando a explicar o crescimento robusto da economia norte-americana. O GDPNow da Reserva Federal de Atlanta estima atualmente uma expansão de 5,3% do PIB no quarto trimestre de 2025, após crescimentos de 4,3% no terceiro trimestre e 3,8% no segundo trimestre.
Em suma, a semana ficou marcada por uma combinação pouco habitual, mas que se tem tornado mais frequente desde 2022, em que ações e metais preciosos avançam em simultâneo, refletindo confiança no crescimento económico, mas também a necessidade de proteção num contexto de riscos acrescidos, ditados pelas crescentes tensões geopolíticas.
Semicondutores – Taiwan
A TSMC superou as previsões no quarto trimestre, com o lucro a crescer 35% e a atingir um máximo histórico, impulsionado pela forte procura ligada à inteligência artificial. A empresa de fundição de chips antecipou um crescimento de receitas próximo de 30% em 2026 e anunciou planos de expansão da capacidade produtiva nos EUA, incluindo novas fábricas no Arizona.
Banca – EUA
A Morgan Stanley superou as estimativas no quarto trimestre, beneficiando do aumento de 47% nas receitas de banca de investimento, beneficiando do forte dinamismo em dívida e fusões e aquisições. O banco registou receitas anuais recorde e destacou o crescimento robusto da área de gestão de fortunas, aproximando-se do objetivo de 10 biliões de dólares em ativos sob gestão.
Banca – EUA
O Goldman Sachs superou as expectativas no quarto trimestre, impulsionado por receitas recorde na negociação de ações e por um forte desempenho da banca de investimento. O banco está otimista para 2026, antecipando elevada atividade em fusões e aquisições, num contexto favorável de mercado, taxas de juro mais baixas e maior dinamismo ligado à inteligência artificial.
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