Pagaqui vai permitir que clientes paguem o café com bitcoins

“O contrato está assinado e vai ser operacionalizado durante o mês de janeiro”, afirmou João Barros, CEO da empresa portuguesa de pagamentos, no ciclo de conversas “30’ a 3”, promovido pelo Montepio Crédito e pelo Jornal Económico.

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Cristina Bernardo

A empresa portuguesa de pagamentos Pagaqui lançou recentemente uma carteira digital (através da aplicação móvel “Qui”), mas prepara-se para apresentar, nos próximos meses, mais serviços cashless. Depois de permitir vender e adquirir vouchers de criptomoedas na sua app, a Pagaqui terá a opção de fazer compras com moedas digitais em pequenos estabelecimentos comerciais.

“Assinámos agora uma parceria para aceitação de bitcoins. Vamos permitir a qualquer pequeno retalhista que desde um café a um eletrodoméstico possa ser pago em bitcoins dentro da nossa rede de pagamentos. O contrato está assinado e vai ser operacionalizado durante o mês de janeiro”, disse João Barros, na quinta de seis conversas mensais do ciclo “30’ a 30”, promovido pelo Montepio Crédito e pelo Jornal Económico.

O empresário português considera que a aplicação Qui vai ser mais do que um meio de pagamento, porque é a “primeira versão de um projeto ambicioso”. A iniciativa da Pagaqui implica anexar vários serviços à app, entre as quais parcerias na área do crédito, na saúde (para marcação de consultas) ou programas de fidelização de lifestyle.

“Pretende sobretudo ser útil às pessoas. Acho que, de uma forma geral, estas carteiras digitais ou neobancos tem pecado um pouco pela falta de serviços, porque estão extremamente focados no pagamento e deveria estar mais focados na experiência, em ser útil ao cliente”, explicou João Barros, no debate subordinado ao tema “Os desafios das Fintech no contexto do mercado português e moderado por André Cabrita-Mendes.

Segundo o CEO, como a banca tradicional perdeu um terço das agências bancárias e desapareceram milhares de ATM nos últimos anos, houve um segmento da população significativo que deixou de ter acesso a meios de pagamento. Assim, a Pagaqui surgiu para fornecer esses meios de pagamento “com algumas nuances”, com o suporte dos pequenos comerciantes de proximidade.

“A banca tradicional é precisa – e ainda bem que é regulada e exigente – porque é o guardião dos fundos, da estabilidade do sistema e dá garantias às pessoas do seu património. O nosso desafio é superar, desafiar com novas soluções, que tipicamente são difíceis de implementar na banca tradicional. Diria que são precisos alguns rebocadores para ajudar a direcionar e as fintechs podem ser esses rebocadores”, esclarece João Barros, para quem a diretiva europeia PSD2 [Payment Services Directive 2] veio abrir um “leque de opções gigante”.

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