Pandemia levou a quebras no abastecimento de combustíveis na União Europeia

As dificuldades no abastecimento causaram decréscimos assinaláveis, ainda que de duração variável, no abastecimento de combustíveis na zona euro. Em particular, os derivados petrolíferos recuaram de forma considerável, face à diminuição da necessidade de transportes num contexto de confinamentos generalizados.

A pandemia alterou os padrões de abastecimento de combustíveis na União Europeia (UE), reporta o Eurostat. Numa nota estatística desta quinta-feira, o gabinete comunitário destaca a queda na entrega de derivados de petróleo no espaço comunitário, que se mantém atualmente em níveis abaixo do verificado pré-pandemia, e o carácter temporário deste efeito no que toca ao abastecimento de carvão e gás natural.

As medidas de contenção da pandemia, explica o gabinete de estatística da UE, levaram a dificuldades no abastecimento destes combustíveis, dadas as restrições à atividade económica. Simultaneamente, esta quebra da atividade levou a uma menor necessidade por estes bens.

Assim, o mercado de derivados petrolíferos registou quebras assinaláveis aquando da chegada da Covid-19 ao Velho Continente, especialmente pela ligação ao sector dos transportes numa altura em que os movimentos dos cidadãos estavam altamente restringidos.

O abastecimento de jet-fuel, associado à aviação, recuou mais de 80% em abril de 2020 quando comparado com o mesmo período do ano anterior, sendo que este se manteve bem abaixo dos níveis pré-pandémicos até dezembro de 2020, quando termina o período da análise do Eurostat. Já o abastecimento de gasolina caiu quase 50% num primeiro momento, tendo progressivamente recuperado até setembro, altura em que se aproximou dos níveis anteriores à Covid-19. No entanto, a reintrodução de novas medidas restritivas levou a um novo recuo, ainda que consideravelmente menor em magnitude.

No que respeita a gasóleo e diesel, as quedas foram menos pronunciadas. O decréscimo homólogo de cerca de 20% no primeiro impacto da pandemia foi corrigido nos meses seguintes, ainda que o indicador se mantivesse, em dezembro de 2020, cerca de 10% abaixo do registado em igual período de 2019.

A análise estende-se também ao fornecimento de gás natural e carvão, duas matérias-primas essenciais para a produção elétrica na UE. Para estas, o impacto da pandemia é menor, como ilustram os dados do Eurostat: as entregas de gás natural recuaram apenas 16% em abril, numa comparação homóloga, tendo rapidamente retomado os níveis pré-pandemia, enquanto que o carvão tem vindo a ser progressivamente abandonado pela maioria dos Estados-membros.

Ainda assim, os níveis de entregas desta matéria-prima têm vindo a recuperar, terminando 2020 acima do registado no início do ano, antes da chegada do novo coronavírus.

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