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Paralisação da administração Trump pode custar 15 mil milhões por semana

E não por dia, como erradamente disse o próprio secretário do Tesouro. O momento de crispação que se vive nos Estados Unidos entre republicanos e democratas atrasa uma solução que costuma ser conseguida em poucas horas.
16 Outubro 2025, 09h29

A paralisação da administração federal que já dura duas semanas pode custar à economia dos Estados Unidos até 15 mil milhões de dólares por semana em perda de produção, disse uma autoridade do Tesouro citada pela imprensa do país, corrigindo uma declaração anterior do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que colocava o custo em até 15 mil milhões por dia. Esta é apenas mais uma fase da luta política em que os Estados Unidos estão envolvidos – num quadro de crispação que há muito não era observado: as posição estão cada vez mais ‘empedernidas’ e o problema – que costuma demorar algumas horas e meia dúzia de telefonemas a ser resolvido – está a arrastar-se sem fim à vista. Bessent pretendeu dramatizar o caso, mas foi desmentido pelo próprio gabinete, tendo usado uma estimativa incorreta em duas declarações, para pedir aos democratas que “fossem heróis” e ficassem do lado dos republicanos para acabar com o problema.

Um elemento do departamento do Tesouro disse que a estimativa de custo foi baseada num relatório do Conselho de Assessores Económicos da Casa Branca. Bessent disse em conferência de imprensa que a paralisação estava a começar a “cortar o músculo” da economia dos EUA. A onda de investimentos na economia, nomeadamente em inteligência artificial, é sustentável e está apenas a começar, mas a paralisação do governo federal é cada vez mais um impedimento, disse Bessent. “Há uma repressão da procura, mas o presidente Trump desencadeou esse boom com as suas políticas”, disse. “A única coisa que nos atrasa é essa paralisação do governo” – considerando que a lei tributária republicana e nas tarifas manteriam o ‘boom’ de investimentos e alimentariam o crescimento contínuo.

“Acho que podemos estar num período como o do final de 1800, quando as ferrovias chegaram, como a década de 1990, quando tivemos o ‘boom’ da internet e das tecnologias”, afirmou. Bessent disse ainda que o défice dos EUA para o ano fiscal de 2025 encerrado em 30 de setembro foi menor do que o défice de 1,833 biliões de dólares registado no ano fiscal anterior – mas não forneceu um número. Mesmo assim, disse que o défice em relação ao PIB pode cair para valores próximos dos 3% nos próximos anos.

O Gabinete de Orçamento do Congresso antecipava na semana passada que o défice fiscal dos EUA em 2025 caiu apenas ligeiramente para 1,817 biliões, apesar de um salto de 118 mil milhões na receita alfandegária por via das tarifas de Trump.


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