Pardal Henriques afirma que houve troca de combustível em descargas feitas por militares

O porta-voz do sindicato dos motoristas de matérias perigosas referiu à Lusa a existência de contaminações em postos de abastecimento em Sesimbra, Sines e Nazaré devido à troca de combustível em tanques.

pedro_pardal_henriques_vice-presidente_SNMMP
Vice-presidente, porta-voz e advogado do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques | Miguel A. Lopes/Lusa

O porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) disse esta terça-feira que se registaram três situações de troca de combustível em descargas feitas por militares das Forças Armadas e da GNR.

Em declarações à agência Lusa, Pedro Pardal Henriques referiu a existência de contaminações em postos de abastecimento em Sesimbra, Sines e Nazaré devido à troca de combustível em tanques.

“Acho que o Estado devia ver os prejuízos que esta situação está a ter. O que vai acontecer nas situações que relatei é a necessidade de se esvaziarem os tanques”, afirmou Pardal Henriques.

Em jeito de balanço do segundo dia de greve, o porta-voz do SNMMP acusou as empresas e o Governo de estarem a ameaçar os motoristas para que estes cumpram mais do que oito horas de trabalho.

“Tivemos conhecimento do que a polícia foi a casa de um motorista, que estava de baixa, para o deter caso ele não aceitasse ir trabalhar. Só quando ele mostrou a baixa e foi validada por um procurador é que o deixaram em paz”, contou o responsável do SNMMP.

Questionado pela Lusa sobre o facto de 14 trabalhadores não terem cumprido a requisição civil decretada pelo Governo, Pardal Henriques respondeu que o sindicato não possui qualquer registo das infrações.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, disse hoje que 14 trabalhadores não cumpriram a requisição civil decretada pelo Governo na greve dos motoristas.

O governante informou também que a 11 desses trabalhadores “já foi feita a devida notificação”, referindo que primeiro é feita a “notificação do incumprimento e depois é que há a notificação de estarem a cometer um crime de desobediência”.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem hoje o segundo dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar a requisição civil, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

Portugal está, desde sábado e até às 23:59 de 21 de agosto, em situação de crise energética, decretada pelo Governo devido a esta paralisação, o que permitiu a constituição de uma Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), com 54 postos prioritários e 320 de acesso público.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias, com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

Ler mais
Recomendadas

Oficial: Governo decreta fim da crise energética a partir da meia-noite

António Costa fala numa “vitória da democracia e da legalidade democrática” e que Portugal soube mostrar uma “grande maturidade”. Primeiro-ministro revela que a reposição da total normalidade dos combustíveis demorará dois a três dias.

Motoristas de matérias perigosas desconvocam greve ao sétimo dia mas deixam ameaças 

O sindicato admite nova paralisação a horas extraordinárias, fins de semana e feriados caso a associação patronal se mostrar “intransigente” na reunião de amanhã.

Brexit sem acordo levará a escassez de combustível, comida e fármacos

O documento divulgado pelo “Sunday Times” estima também que até 85% dos camiões que atravessam o Canal da Mancha “podem não estar preparados” para as formalidades das alfândegas francesas, o que provocaria longas filas que podem prolongar-se por dias.
Comentários