Pardal Henriques diz que requisição civil não vai ser respeitada. Governo garante que serviços mínimos estão a ser cumpridos

O porta-voz do sindicato dos motoristas avisa que os motoristas não vão recuar e desconvocar a greve que decorrerá por tempo indeterminado. Aos jornalistas, Pardal Henriques conta que os serviços mínimos não vão ser respeitados.

Mário Cruz/Lusa

O porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, garante que os camionistas não vão cumprir a requisição civil por uma questão de solidariedade para com os colegas que foram notificados pelas autoridades.

“Já há 11 pessoas por identificar e três outras de quem andam à procura como se fossem foragidas.”, contou aos jornalistas, esta quarta-feira, em Aveiras de Cima.

“Não consigo precisar os motoristas que são necessários para cumprir os serviços mínimos, porque os serviços mínimos foram decretados, uns a 100% outros a 75% e outros a 50%, e nunca nos foi informado sequer quais eram os motoristas que iriam fazer os serviços mínimos, porque desde segunda-feira, à primeira hora, estas pessoas têm recebido mensagens para realizar os serviços normais” sublinhou. “Mas a atitude de revolta e resistência na luta pelos seus direitos, assim como o espírito de solidariedade destes motoristas é muito superior à consciência dos problemas que podem vir a ter”, afirmou Pardal Henriques.

Questionado sobre quando é que os sindicatos poderão negociar com os patrões, Pardal Henriques respondeu que isso acontecerá quando a ANTRAM tiver a “humildade” para perceber que desta vez os motoristas não vão desconvocar a greve para se sentarem à mesa das negociações. “Não têm que ser outra vez os motoristas a desconvocar a greve. Somos nós que temos vindo a recuar, já o fizemos de várias formas”, insistiu.

As tensões entre motoristas e patrões subiram de tom neste terceiro dia de greve. Depois de os motoristas de matérias perigosas anunciarem que iriam deixar de cumprir os serviços mínimos e a requisição civil, fonte governamental garantiu à Lusa que estes estavam a ser cumpridos.

Motoristas de empresas de transporte conduziram entre as 06h00 e as 10h00 pelo menos 71 camiões-cisterna, apesar do aviso do porta-voz dos motoristas de matérias perigosas de que ninguém ia “fazer absolutamente nada hoje”, disse à Lusa fonte governamental.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, disse na terça-feira que 14 trabalhadores não cumpriram a requisição civil decretada pelo Governo na greve dos motoristas. O ministro informou também que a 11 desses trabalhadores “já foi feita a devida notificação”, referindo que primeiro é feita a “notificação do incumprimento e depois é que há a notificação de estarem a cometer um crime de desobediência”.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem esta quarta-feira o terceiro dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

A greve foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objectivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

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O documento divulgado pelo “Sunday Times” estima também que até 85% dos camiões que atravessam o Canal da Mancha “podem não estar preparados” para as formalidades das alfândegas francesas, o que provocaria longas filas que podem prolongar-se por dias.
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