Parlamento chumba comissão de inquérito ao acidente com carro de Eduardo Cabrita (com áudio)

Na votação, o PS, BE, PCP, Os Verdes, PSD e PAN e ainda a deputada independente Joacine Katar-Moreira votaram contra a proposta do Chega, inviabilizando-a.

Miguel A. Lopes/Lusa

O Chega pediu um inquérito sobre a constituição de uma comissão parlamentar sobre a atuação do Ministério da Administração Interna e forças sob a sua tutela no caso do acidente de viação que envolveu a viatura oficial do ministro Eduardo Cabrita num acidente mortal na autoestrada A6 mas a proposta foi chumbada.

A maioria dos partidos condenou a tentativa de constituição de uma comissão que pretende avaliar a atuação do ministério durante todo o processo que já dura há quatro meses, dado que ainda existe uma investigação em curso na justiça. Para estes partidos, a investigação teve ter uma conclusão, dado que se perdeu uma vida.

Na votação, o PS, BE, PCP, Os Verdes, PSD e PAN e ainda a deputada independente Joacine Katar-Moreira votaram contra a proposta do Chega, inviabilizando-a. Na mesma votação ninguém se absteve, enquanto o CDS e a Iniciativa Liberal votaram a favor.

No Parlamento, o PAN admite existirem “mais perguntas que respostas” em relação ao acidente na A6 que tirou a vida a um trabalhador da Brisa, pedindo a “rapidez e solidariedade já prometidas pelo Governo” sobre o tema. “Passaram-se quatro meses e ainda não sabemos pormenores como a velocidade, sinalização e se a GNR foi impedida de fazer os trabalhos”, disse o partido na discussão da proposta.

O deputado Pedro Filipe Soares, do BE, esclarece que o partido “não desconfia da investigação” e “aguarda com serenidade que a investigação tenha conclusão”. Para o Bloco, a única crítica é que a investigação “está a demorar muito tempo”, sendo que já lá vão quatro meses desde o atropelamento mortal. No entanto, e relativamente à jogada política de André Ventura – que tem sido um crítico feroz de Eduardo Cabrita – diz que “não entramos em jogo político”.

O deputado único da Iniciativa Liberal afirma que “não gosta de confundir investigações com trabalhos parlamentares” mas que “120 dias chegam para obter as respostas” da investigação.

O PCP relembrou que o assunto está a ser investigado e que “até prova em contrário deve merecer a nossa confiança”. O deputado António Filipe admitiu que a discussão pedida pelo Chega pretende “discutir se inquérito parlamentar vai atropelar o inquérito judicial” e que usar a possibilidade de criação de uma comissão parlamentar “como arma de arremesso político é inaceitável”.

O PSD relembrou que o ministro da Administração Interna foi desmentido pela Brisa e que o silêncio e declarações confusas de Eduardo Cabrita pretendem “sacudir a água do capote”. “O ministro vai ter de sair da toca para explicar muito bem o que se passou. O PSD não vai permitir que [ministro] fique calado”.

O CDS anunciou que se trata de um “acidente” e “acontecimento trágico” mas que é importante “saber se alguém politizou o assunto e quem o fez” dado que até aí “estávamos perante um acidente”, tendo então votado a favor no final da reunião. O partido democrata-cristão aponta ainda estranheza por o ministro ainda não ter falado mais sobre o tema, algo que “não se percebo”, bem como o facto de ter “dito inverdades sobre circunstâncias do acidente sobre a sinalização”. Caso passa-se à comissão, o CDS lembrou que o assunto deixaria de ser um “mero acidente de viação e passava a político”.

Após serem ouvidos os partidos, André Ventura disse que é com “enorme e completa cumplicidade do sistema que não se consegue dar honra e memória à vítima”, sendo que o carro do ministro que tutela a segurança rodoviária seguia a mais de 200 quilómetros por hora na autoestrada, onde a velocidade máxima permitida por lei é de 120 quilómetros horários. “Está em causa se o Estado e o ministro abusaram das suas posições sobre a investigação. Tudo serve para salvar o ministro Eduardo Cabrita”, terminou Ventura.

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