Parlamento rejeita votos de condenação do PCP e BE pelo “golpe de Estado” na Bolívia

Os dois votos foram chumbados com os votos contra do PSD, CDS-PP, IL e Chega. Já o CDS-PP apresentou um voto de condenação e preocupação pela situação em que se encontra a população boliviana, que foi também rejeitado com os votos contra do PCP, BE, PEV, PAN e Livre.

O Parlamento chumbou esta sexta-feira os votos de condenação apresentados pelo Partido Comunista (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) pelo “golpe de Estado” que levou à demissão do presidente Evo Morales, na Bolívia. Os dois votos foram chumbados com os votos contra do PSD, CDS-PP, IL e Chega.

Os bloquistas consideram, no voto de condenação entregue na Assembleia da República, que “o golpe de Estado em curso na Bolívia representa mais um episódio da longa saga de repressão, ingerências externas e autoritarismo que marca a história da América Latina”. Também os comunistas expressaram “repúdio pela repressão exercida contra o povo chileno” e instaram “ao seu imediato fim”.

Em causa está a demissão do presidente boliviano Evo Morales, após quase 14 anos no poder. O partido liderado por Jerónimo de Sousa lembra que, nas eleições realizadas a 20 de outubro, Evo Morales foi reeleito para um quarto mandato de cinco anos, apesar de a Organização dos Estados Americanos (OEA) ter vindo levantar suspeitas de irregularidades.

O líder sul-americano, eleito pela primeira vez em 2006, já tinha convocado novas eleições, após as recomendações do OEA e a pressão nacional e internacional para repetir o ato eleitoral. Os protestos, paralisações e episódios violentos levaram, no entanto, à sua demissão. Os confrontos na rua provocaram, até à data, 7 mortos e mais de 400 feridos e o sequestro de vários ativistas políticos.

Após a demissão, Evo Morales exilou-se no México, por considerar que “a sua vida e integridade física estão ameaçadas”.

“Antevê-se agora um assalto ao poder das forças golpistas que, mesmo sabendo que os protestos anteriores sobre a contagem do sufrágio das eleições presidenciais tinham sido atendidos abrindo o caminho para uma repetição do ato eleitoral, decidiram ainda assim consumar o fim da legalidade democrática”, indica o grupo parlamentar do BE.

O PCP acrescenta ainda que o “golpe de Estado” na Bolívia, que foi caracterizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “um significativo momento para a democracia no Hemisfério Ocidental”, “insere-se na ação de ingerência e desestabilização incrementada pela Administração Trump, tendo como objetivo a reversão de processos de afirmação soberana, de progresso económico e social e de cooperação na América Latina, como o que tem lugar na Bolívia desde 2006”.

Já o CDS-PP apresentou um voto de condenação e preocupação pela situação em que se encontra a população boliviana. A iniciativa contou com os votos contra do PCP, BE, PEV, PAN e Livre.

“Desde que Evo Morales foi eleito Presidente da Bolívia os seus mandatos foram marcados por atos menos democráticos e até de cariz autoritário e totalitário”, indicam os democratas-cristãos, salientando que a população “rejeitou democraticamente” a proposta para acabar com a limitação à sua reeleição.

O voto do CDS-PP condena “a situação confrontos e caos a que o ex- Presidente da Bolívia conduziu o seu país e demonstrar a preocupação e a solidariedade pelo futuro da população boliviana, fazendo um apelo para que a paz e a democracia possam, enfim, encontrar a estabilidade necessária”.

Ler mais
Relacionadas

PCP e BE condenam “golpe de Estado” que motivou demissão de Evo Morales na Bolívia

Comunistas e bloquistas acusam o exército de desrespeitar a vontade popular, atuando à margem da Constituição, e exigem o fim da “perseguição” movida contra as forças políticas, estruturas sindicais e movimentos populares.
Recomendadas

Diploma do Chega sobre incompatibilidade de políticos retirado do plenário pelo Governo

Presidência da Assembleia da República avisou gabinete de André Ventura que o Executivo não autorizou o arrastamento do seu projeto de lei para ser discutido em conjunto com proposta de lei sobre contratação pública. “O Governo não achou bem o projeto e passou por cima do presidente da Assembleia da República”, protestou o deputado único do Chega.

Efacec: Estado não vai assumir responsabilidade pelas dívidas de Isabel dos Santos, garante Governo

O Executivo socialista acredita que “grande parte” da dívida da empresária angolana aos bancos que financiaram a sua entrada na Efacec (Montepio, BPI e BIC) “está perdida” porque o valor da indemnização que vai resultar da avaliação que o Governo vai fazer “não será suficiente para amortizar a totalidade dessa dívida”.

PS recomenda ao Governo tarifa social de acesso à Internet

O Grupo Parlamentar do PS pediu ao Governo para implementar a tarifa social de acesso a serviços de Internet prevista no Plano de Ação para a Transição Digital. Em tempos da pandemia da Covid-19, Socialistas consideram “imperioso” criar esta tarifa social que, à semelhança da tarifa social de eletricidade, venha a reduzir os encargos financeiros dos consumidores mais vulneráveis.
Comentários