Paulo Macedo: “Há uma corrente nacional contra as empresas grandes”

Segundo o líder do banco público, as grandes empresas é que “são maioritariamente exportadoras” e as “que podem fazer mais em termos de investigação”, e quanto às médias o seu objetivo é “ganhar dimensão para poderem competir”.

Cristina Bernardo

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, considerou esta terça-feira, em Tomar, que há “uma corrente nacional contra as empresas grandes”, referindo-se às condições para poderem crescer e desenvolver-se.

“Há aqui uma corrente nacional contra as empresas grandes. Nós gostamos muito das micro, gostamos muito das pequenas, nas médias aquilo já começa a ser tolerado, mas então grande é que é um problema”, disse Paulo Macedo hoje no Convento de Cristo, em Tomar, distrito de Santarém, num encontro ‘Fora da Caixa’.

Segundo o líder do banco público, as grandes empresas é que “são maioritariamente exportadoras” e as “que podem fazer mais em termos de investigação”, e quanto às médias o seu objetivo é “ganhar dimensão para poderem competir”.

Paulo Macedo referia-se “ao que caberá ao Governo” em termos de “como é que se está para além do crescimento económico, ou como é que este crescimento económico pode ser corporizado”.

Para o gestor, a questão coloca-se “se estamos a fortalecer as […] instituições, se estamos a tornar a dar condições macroeconómicas, laborais, legislativas, etc, de enquadramento para as empresas poderem crescer e desenvolver”.

O presidente executivo da CGD frisou precisamente que é no “crescer e desenvolver” que há o “primeiro problema” da referida “corrente nacional contra as empresas grandes”.

Mais à frente na sua intervenção, Paulo Macedo mencionou ainda a necessidade da “estabilidade da legislação” para a melhor captação de investimento, alertando para a questão do englobamento de mais-valias de rendimentos de capital no IRS, proposta no Orçamento do Estado para 2022 (OE2022).

“Questões de estabilidade de legislação é sempre o que toda a gente diz que é desejável, e acreditamos nisso. E mesmo quando não acreditamos, vejam, por exemplo, as oscilações em termos de investimento só por se falar em englobamentos ou não englobamentos”, referiu.

Paulo Macedo defendeu que “quando se fala tem de se fazer”, ou então “não se faz e não se fala”, porque “toda a gente acha a seguir que se não é desta vez vai ser para a próxima”, disse acerca do englobamento.

“Esta parte da estabilidade legislativa, que nós aprendemos todos na escola que é importante, depois vemos, aqui, em termos práticos, que é algo que inibe claramente as pessoas”, considerou o também antigo ministro da Saúde. “Isto gera perturbação no investimento”, concluiu.

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