Paulo Portas: “Quem disser que temos condições de fazer uma política de imigração zero está a faltar à verdade”

“Só podemos escolher entre a imigração que queremos e de que precisamos ou sermos escolhidos pela imigração que se calhar não queremos e não precisamos”, disse o ex-vice-primeiro-ministro ao falar de “Geoestratégia do Mundo para 2020”.

O ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas colocou o problema demográfico, a par com a falta de produtividade e o défice de competitividade fiscal, como um dos maiores problemas enfrentados pela economia da União Europeia, e disse que a falta de população necessária para a manutenção do crescimento económico terá forçosamente de implicar o acolhimento de imigrantes.

“Todos os outros habitantes do planeta são mais novos do que os europeus”, disse Paulo Portas, que falava na qualidade de vice-presidente da Câmara do Comércio, durante a palestra “Geoestratégia do Mundo em 2020”. Algo que, em sua opinião, implica atrair mais pessoas de outros continentes para a Europa. “Quem vos disser que temos condições para fazer uma política de imigração zero está a faltar à verdade”, reforçou.

Para Paulo Portas, coloca-se agora um dilema aos países europeus: “Só podemos escolher entre a imigração que queremos e de que precisamos ou sermos escolhidos pela imigração que se calhar não queremos e não precisamos.”

Defendendo que esta “não é uma questão de esquerda ou de direita, mas sim de matemática”, o vice-presidente da Câmara de Comércio – cuja sede em Lisboa acolheu um evento no final do qual Portas recusou responder a perguntas dos jornalistas acerca do Congresso do CDS-PP que vai eleger o sucessor de Assunção Cristas – fez também questão de sublinhar a insuficiência das políticas de promoção da natalidade, cujo efeito só poderá sentir-se dentro de décadas. Algo que iria desequilibrar ainda mais a Europa em relação a outros blocos.

Disse ainda que um dos grandes problemas é “estarmos a viver num mundo onde as decisões são tomadas com base em perceções que não têm relação com os factos”, o que leva a que “as pessoas imaginem que nos seus países existem três vezes mais imigrantes do que na realidade”. E comparou o peso relativo do acolhimento de migrantes nos países da União Europeia com a realidade vivida na América do Sul pelos países vizinhos da Venezuela, “num êxodo de proporções bíblicas” em que já saíram cinco milhões e onde os “exilados, refugiados e migrantes” poderão chegar aos oito milhões.

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