PCP diz que presidência portuguesa da UE não vai trazer soluções para “graves problemas” europeus

Os comunistas defendem que os problemas que vários países europeus, como Portugal, enfrentam só podem ser resolvidos pela rejeição de imposições “contrárias ao interesse nacional”, para que se possa construir “uma Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos”.

O Partido Comunista Português (PCP) considera que o programa de Portugal para a presidência do Conselho da União Europeia (UE) não traz soluções para “os graves problemas com que os povos estão confrontados”. Os comunistas defendem que os problemas que vários países europeus, como Portugal, enfrentam só podem ser resolvidos pela rejeição de imposições “contrárias ao interesse nacional”.

“O programa da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia não aponta as soluções para os graves problemas com que os povos estão confrontados”, indica a eurodeputada do PCP Sandra Pereira, em reação ao programa e prioridades da presidência europeia adiantadas esta sexta-feira, durante a visita de uma delegação da Comissão Europeia, encabeçada pela presidente Ursula Von der Leyen.

Para o PCP, a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, durante o primeiro semestre de 2021, “deveria constituir uma oportunidade para Portugal colocar na agenda da União Europeia a necessidade do questionamento do rumo e das políticas que esta impõe aos povos e que estão na origem das desigualdades sociais e das assimetrias de desenvolvimento que a percorrem”.

No entanto, a eurodeputada comunista sublinha que o programa da Presidência portuguesa prossegue, no essencial, “os objetivos de aprofundamento do processo de integração capitalista europeu e dos seus pilares e instrumentos de domínio ao serviço das potências europeias e do capital transnacional”.

Sandra Pereira sustenta que os problemas que vários países na UE enfrentam e que foram ampliados pela pandemia só podem ser resolvidos pelo “respeito e afirmação do direito de cada país ao desenvolvimento e ao progresso social, de acordo com as suas especificidades”, e pela rejeição das “imposições e constrangimentos estranhos e contrários ao interesse nacional”, para que se possa construir “uma Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, de progresso social e de paz”.

Para tal, o PCP defende que é preciso a implementação de “medidas opostas àquelas que, ao longo de décadas, criaram regressão social, concentração da riqueza, desinvestimento público, fragilização e privatização dos serviços públicos, enfraquecimento de tecidos produtivos, dependência, endividamento, empobrecimento da democracia, desrespeito pela soberania”.

“A gravidade da situação exige um outro rumo que assegure as condições para o desenvolvimento soberano de países como Portugal, para superar défices estruturais, para repor capacidade produtiva, para elevar as condições de vida dos trabalhadores e dos povos, valorizando os seus salários, respeitando, protegendo e elevando os seus direitos”, referiu. “Este deveria ser, portanto, o momento para o Governo português afirmar a necessidade de um processo de real cooperação e solidariedade entre iguais”.

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