PCP pede ao Governo português que condene ofensiva turca na Síria

O Partido Comunista (PCP) pede ao Estado português que tome uma posição de distanciamento e rejeição da ação militar turca e recorda que a agressão contra a Síria foi desencadeada pelos Estados Unidos e Israel, com o apoio de Portugal.

O Partido Comunista Português (PCP) condenou esta segunda-feira a ofensiva militar lançada pela Turquia contra milícias curdas na Síria. Os comunistas pedem ao Estado português que tome uma posição de distanciamento e rejeição da ação militar turca e recorda que a agressão contra a Síria foi desencadeada pelos Estados Unidos e Israel, com o apoio de Portugal.

“O PCP reclama do Governo português uma clara posição de distanciamento e rejeição da estratégia de desestabilização, agressão e divisão da Síria promovida pelo imperialismo, e de exigência do respeito pelo Direito Internacional e pela soberania, independência e integridade territorial da República Árabe Síria”, lê-se num comunicado emitido pelo PCP.

O partido liderado por Jerónimo de Sousa considera que a agressão militar turca em curso contra a Síria viola o Direito Internacional e constitui “um novo e perigoso desenvolvimento na agressão a esse país”. Nesse sentido, o PCP apela ao fim da ação militar e à devolução de todos os territórios sírios ocupados pelas forças militares estrangeiras de ocupação à “soberania da República Árabe Síria”, incluindo os Montes Golã, “ilegalmente ocupados por Israel”.

O PCP recorda ainda que a União Europeia (UE) – que já veio condenar o ataque – e, sobretudo a França e o Reino Unido, foram cúmplice na “sucessão de subversões, agressões e crimes na região do Médio Oriente, desde logo contra a Síria”. “Vários governos e instituições, de forma hipócrita, procuram dar uma imagem de distanciamento face a esta nova agressão militar contra a Síria”, lamenta.

E salienta: “a agressão contra a Síria foi desencadeada há oito anos pelos EUA e outros membros da NATO – incluindo a Turquia –, em conluio com o regime sionista de Israel e a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Catar, entre outros, e com o apoio do Governo português”.

Os comunistas recordam ainda que “os diversos grupos terroristas que se mantêm em território sírio estiveram, ou continuam a estar, às ordens das potências imperialistas agressoras que os criaram, treinaram, financiam, armam e protegem como parte da sua estratégia de desestabilização, ocupação e divisão da Síria”.

O partido defende ainda que a vitória da defesa da soberania e independência da Síria “é um fator da maior importância para derrotar os planos do imperialismo no Médio Oriente – incluindo os de liquidação da justa causa do povo palestiniano e os de agressão militar contra o Irão” e ” para dar resposta aos complexos problemas que resultam da herança colonial e de décadas de domínio e ingerência do imperialismo, como é o caso da questão curda”.

“O PCP expressa a sua solidariedade aos milhões de deslocados e de refugiados que são vítimas da estratégia de agressão e divisão da Síria promovida pelo imperialismo e condena as manobras que desrespeitam os seus direitos, quer da União Europeia, quer do Governo turco”, sublinha o PCP.

A ofensiva turca no nordeste da Síria começou na quarta-feira contra a milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG), grupo que considera terrorista que tinha sido apoiado pelos Estados Unidos e pelo Ocidente para combater o autoproclamado Estado Islâmico.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), ofensiva já provocou cerca de 130 mil deslocados. Já o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) acredita que, pelo menos, 104 combatentes curdos e cerca de 60 civis morreram, desde o início dos confrontos.

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