Pedro Nuno Santos: quatro rotas a partir do Porto estão a “dar prejuízo” à TAP

O ministro das Infraestruturas disse hoje o objetivo no plano de reestruturação é que a companhia aérea mantenha o seu centro operacional no aeroporto de Lisboa.

Pedro Nuno Santos

O ministro das Infraestruturas disse hoje que várias rotas implementadas a partir do Porto depois da paralisação aérea devido à pandemia estão a dar prejuízo.

“Depois de tomarmos uma posição mais assertiva na empresa, ainda antes de estar fechado o negócio [compra da participação de David Neeleman pelo Estado português] foram abertas quatro rotas no Porto – Amesterdão, Milão, Zurique e Ponta Delgada. Nestas quatro rotas estamos com 46% da lotação em média”, disse hoje Pedro Nuno Santos.

“Foram criadas em resposta a um desafio que foi lançado e são neste momento um prejuízo para a TAP”, afirmou na comissão parlamentar de economia esta quinta-feira.

Na sua intervenção, o ministro sublinhou que a companhia aérea vai manter o seu centro operacional no aeroporto de Lisboa no âmbito do plano de reestruturação.

“Temos de manter a capacidade para que Lisboa seja o hub [centro operacional] da TAP. Isso implica que no trabalho que está a ser feito isso tem de ser tido em consideração”, afirmou, referindo-se ao plano de reestruturação que vai ser entregue em Bruxelas. “A estratégia de hub é fundamental para viabilidade da TAP”.

A operação da TAP a partir do aeroporto Sá Carneiro no Porto tem estado envolvida em polémica nos últimos meses. No dia 26 de junho foi noticiado que a Associação Comercial do Porto tinha dado entrada com um processo em tribunal para travar o empréstimo estatal de 1.200 milhões de euros, depois de várias entidades do Porto e da região Norte terem manifestado o seu desagrado em relação ao plano de retoma de voos da companhia aérea de e a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro a partir de junho. O plano previa 27 ligações semanais a partir de junho e 247 a partir de julho, a maioria a partir de Lisboa, o que causou muitas críticas na região norte do país.

Uma das vozes mais audíveis nestas críticas foi a do autarca do Porto, Rui Moreira. “Não tentemos por um momento ocultar a realidade. A realidade é simples: A TAP está a tentar impor um confinamento ao Porto e ao norte. O Porto, Trás-os-Montes, o Douro e o Minho, e a parte norte da região centro, também fazem parte de Portugal”, disse Rui Moreira a 26 de maio, quando a empresa anunciou que iria realizar três ligações por dia em julho.

Com esta ação, a Associação Comercial Portuense pretendia ainda assegurar para o Porto 80% dos voos operados antes da pandemia, em vez do plano de retoma da TAP concentrado em 97% das operações no Aeroporto de Lisboa.

Apesar do processo não ter avançado, a Associação Comercial do Porto disse no final de julho que “cumpriu o seu dever cívico e as suas atribuições sociais. A iniciativa teve o condão de despertar consciências na sociedade civil, abrindo o debate público quanto ao papel da TAP e quanto à utilidade da existência de uma companhia aérea dita “de bandeira””.

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